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Kristin Chenowet e Neil Patrick Harris (ambos indicados nesse ano) anunciaram as indicações à 60ª edição do Primetime Emmy Awards agora há pouco. Como já era de se esperar, as grandes favoritas do ano Mad Men e 30 Rock ficaram com o maior número de indicações, inclusive a série criada por Tina Fey bateu um recorde de indicações da história entre as comédias - foram 17 no total, incluindo as cinco categorias principais: série, ator (Alec Baldwin), atriz (Fey), direção e roteiro. Já Mad Men foi a mais indicada entre os dramas com 16 nomeações. Outras séries lembradas em muitas categorias foram Pushing Daisies (12), The Office (8), Boston Legal, Damages, Lost e Two and a Half Men (todas as quatro com 7 indicações). Das minhas previsões, acertei 40 de 52 indicações, o que correponde a 77% (melhorando um pouco o percentual de 2007). Abaixo, comento as dez principais categorias, mostrando o número de acertos dos meus palpites. Para ver a lista completa de indicados, clique aqui.

 

palpites 5/6 l Boston Legal; Damages; Dexter; House; Lost; Mad Men. Para Grey’s Anatomy não ter entrado numa categoria com seis indicados é porque a coisa está feia mesmo para a série. A grande surpresa foi Dexter, cujo estilo não parecia agradar tanto aos votantes, porém acabou sendo lembrada após o esquecimento imperdoável no ano passado. A presença Lost aqui não foi exatamente uma grande surpresa, mas achei excelente a volta da série à categoria depois de três anos. atual favorita: Mad Men, pois além da grande quantidade de indicações (16), parece ser a substituta ideal para The Sopranos (mas não descarto chances para Damages).

 

palpites 4/5 l Curb Your Enthusiasm; Entourage; The Office; 30 Rock; Two and a Half Men. Aqui fico na dúvida se achei muito bom a indicação para Entourage ou muito ruim a esnobada que deram para cima de Pushing Daisies, que teve um número absurdo de indicações (12) mas foi esquecida aqui. O pior é que eles continuam apostando em Two and a Half Men, quando deveriam dar chance para alguma estreante como Pushing - e que fique bem claro que não tenho nada contra a série, só acho que há melhores comédias atualmente. atual favorita: 30 Rock tem o recorde de indicações entre comédias (17 no total) e acho muito complicado perder aqui.

 

top 5/6 l palpites: Gabriel Byrne, In Treatment; Bryan Cranston, Breaking Bad; Jon Hamm, Mad Men; Michael C. Hall, Dexter; Hugh Laurie, House; James Spader, Boston Legal. Como assim o Denis Leary não entrou nessa lista de seis indicados? Certeza que ele é melhor do que alguns daí. Aliás foi a única categoria de atuação que fugiu das típicas cinco nomeações. O pior é que não apostava no Bryan Cranston nem como sexto indicado, o que foi burrice, claro. Destaque para Michael C. Hall, injustamente esquecido no ano passado junto com sua série Dexter. atual favorito: Jon Hamm, pois Mad Men deve ser a grande vencedora desse ano e acredito que os votantes não darão um novo prêmio ao James Spader.

 

palpites 4/5 l Glenn Close, Damages; Sally Field, Brothers & Sisters; Mariska Hargitay, Law & Order: Special Victims Unit; Holly Hunter, Saving Grace; Kyra Sedgwick, The Closer. É, não indicaram a Mary McDonnell, porém isso já era esperado. Acho que foi a única categoria que não teve surpresa alguma, afinal os votantes adoram a Mariska Hargitay e sua indicação era mais que provável. Muito bom lembrarem da Kyra Sedgwick, até para compensar a ausência de The Closer em outras categorias. atual favorita: Glenn Close, porque como já disse Damages é uma das poucas que tem chance de derrubar Mad Men da categoria principal.

 

palpites 3/5 l Alec Baldwin, 30 Rock; Steve Carell, The Office; Lee Pace, Pushing Daisies; Tony Shalhoub, Monk; Charlie Sheen, Two and a Half Men. Aqui fui um desastre. Sabia que o Charlie Sheen seria indicado, mas tinha que acreditar em alguma chance para o David Duchovny. O que me surpreendeu foi a ausência do Larry David. Não entendi esse amor todo para Pushing Daisies mesmo deixando a série de fora da categoria principal. Mas reclamo à toa, afinal a presença do Lee Pace aqui é uma das melhores coisas a se comemorar nessa lista de indicados. atual favorito: desde que acompanho o Emmy, os votantes nunca escolheram o melhor da categoria, mas tenho fé que dessa vez o Alec Baldwin ganha.

 

palpites 5/5 l Christina Applegate, Samantha Who?; America Ferrera, Ugly Betty; Tina Fey, 30 Rock; Julia Louis-Dreyfus, New Adventures of Old Christine; Mary-Louise Parker, Weeds. Única categoria dessas dez principais na qual acertei todos os palpites, o que não foi grande coisa visto que era a mais previsível também. Como achei a última temporada de Desperate Housewives muito boa, fico triste por nenhuma das atrizes ser indicada, mas foi melhor do que ver a Mary-Louise Parker de fora. atual favorita: Tina Fey, pois assim como a America Ferrera no ano passado, tem chances de completar a tríade de prêmios importantes da TV (já venceu o Globo de Ouro e SAG Awards).

 

palpites 4/5 l Ted Danson, Damages; Michael Emerson, Lost; Zeljko Ivanek, Damages; William Shatner, Boston Legal; John Slattery, Mad Men. A única surpresa aqui foi o Zeljko Ivanek entre os indicados, o que adorei - afinal é o melhor ator de Damages mesmo e deixa o Ted Danson no chinelo. Acho que a ausência de Blair Underwood não foi merecida, afinal apresentou um trabalho fantástico em In Treatment, mas ainda assim a lista está muito boa. atual favorito: Michael Emerson, pois com Lost indicada a melhor série, acho que os votantes devem premiá-lo após a derrota para o Terry O’Quinn em 2007.

 

palpites 4/5 l Candice Bergen, Boston Legal; Rachel Griffiths, por Brothers & Sisters; Sandra Oh, por Grey’s Anatomy; Dianne Wiest, In Treatment; Chandra Wilson, Grey’s Anatomy. Acho que ninguém adivinhou a que a Rose Byrne não seria indicada aqui, o que não chegou a ser injusto, uma vez que Byrne é protagonista absoluta de Damages e colocá-la aqui seria enganação - sem falar que seu trabalho não está entre os melhores do ano mesmo. Engraçado as duas atrizes de Grey’s Anatomy serem indicadas mesmo sendo o pior ano da série em indicações ao Emmy. atual favorita: Rachel Griffiths, pois Chandra Wilson deve novamente perder pela divisão de votos com a Sandra Oh, sem falar que não confio muito numa vitória das veteranas.

 

palpites 4/5 l Jon Cryer, Two and a Half Men; Kevin Dillon, Entourage; Neil Patrick Harris, How I Met Your Mother; Jeremy Piven, Entourage; Rainn Wilson, The Office. Foi a mesma seleção do ano passado, MESMA! Ainda bem que não arrisquei muito aqui e fiquei no lucro com quatro acertos nos palpites. Acho que com um top 10 tão bom os votantes poderiam ter escolhido alguma surpresa como os atores de 30 Rock ou mesmo o Justin Kirk (Weeds, a série esquecida desse ano), mas ficou muito bom do jeito que está. atual favorito: Neil Patrick Harris, pois já mostraram uma certa consideração por ele ao chamá-lo para o anúncio dos indicados, sem falar que o Jeremy Piven ganhou duas vezes.

 

palpites 2/5 l Kristin Chenoweth, Pushing Daisies; Amy Poehler, Saturday Night Live; Jean Smart, Samantha Who?; Holland Taylor, Two and a Half Men; Vanessa Williams, Ugly Betty. Já esperava surpresas aqui, mas não tantas. Algumas foram boas (Amy Poehler, Jean Smart) e outras nem tanto (Holland Taylor), mas ao menos indicaram a Kristin Chenoweth que para mim é a melhor do elenco de Pushing Daisies. Pior categoria entre todas nos meus palpites. atual favorita: Vanessa Williams, mais pela derrota no ano passado do que por real merecimento.

A poucas horas do anúncio dos indicados da 60ª edição do Primetime Emmy Awards, começa a expectativa pelo início da temporada de prêmios em 2008. Por mais que tenhamos vários favoritos às nomeações de amanhã, essa premiação é típica em oferecer várias surpresas nas categorias principais e dessa vez provavelmente não será diferente. No momento, Damages, Mad Men e Boston Legal são as grandes favoritas entre os dramas, restando duas vagas para serem disputadas pelas demais séries do top 10. House larga na frente e deve conquistar a quarta vaga, enquanto Grey’s Anatomy e Lost são as mais cotadas para o lugar final. A seu favor, a série criada por J.J. Abrams tem um excelente episódio submetido que deve agradar aos votantes, sem falar que venceu o prêmio por sua primeira temporada e nunca mais foi indicada. Contudo, como é possível ver por meus palpites finais, ainda aposto em Grey’s Anatomy, pois apesar da fórmula bem desgastada, ainda tem grande apoio popular. Por mim, indicaria as duas e tiraria House, mas como isso é complicado de ocorrer… Há ainda quem aposte em Dexter, que teve a melhor temporada entre todas as séries de 2007/08, mas certamente é uma previsão bastante arriscada.

Já entre as comédias, não há como 30 Rock e The Office (vencedoras dessa categoria nos últimos dois anos) ficarem de fora, ainda mais com a presença de alguns azarões no top 10 como Flight of the Conchords. Junto a elas, parece bem provável uma nova indicação para Two and a Half Men, que sabe-se lá o motivo agrada muito aos votantes. Novamente, restam duas vagas a serem disputas por cinco séries (considerando Flight e Weeds de fora). Entourage é a que mais merece à vaga, mas o Emmy nunca gostou muito da série mesmo com as duas vitórias do Jeremy Piven em anos anteriores. Assim, parece quase certa uma nomeação (merecida) para a estreante Pushing Daisies e também para a veterana Curb Your Enthusiasm, mas não descarto completamente uma indicação surpresa de Ugly Betty - que teve uma temporada inferior à primeira. Contudo, surpresa mesmo seria ver Family Guy entre as cinco finalistas de comédia. Atualmente é minha sexta escolha para a categoria, pois se esse desenho teve força para entrar no top 10, acho que consegue ir mais longe. Bem, nessa quinta a partir das 9:30 da manhã Kristin Chenoweth e Neil Patrick Harris anunciarão os indicados ao Emmy em 11 categorias, o que postarei logo em seguida aqui no blog. Por enquanto, permaneço com meus palpites (e veja a opinião de outros blogueiros num interessante painel do Emmy Buzz):

Após meus palpites iniciais feitos no mês passado (veja aqui), divulgo agora minhas previsões finais para os indicados do Primetime Emmy Awards 2008. Com a divulgação do top 10 em diversos segmentos (todos com a excelente cobertura do Cinéfila por Natureza, que você pode conferir clicando nos links em cada categoria), ficou menos complicado montar essa lista, na qual apenas três categorias não sofreram alteração em relação à anterior - série drama, ator comédia e atriz comédia. Na próxima quinta, 17, Kristin Chenoweth e Neil Patrick Harris anunciarão os indicados desse ano, o que acompanharei aqui no blog. Lembrando que fiz palpites apenas das dez categorias principais – para as demais, visite o Emmy Watch. Obs: sempre deixo um candidato como sexta opção, que serve como palpite no caso da categoria ter seis indicados.

update: Tanto a Kamila (Cinéfila por Natureza) como o Alexsandro (Cineastro) já divulgaram suas previsões para os indicados ao Emmy 2008. Apesar das pequenas discordâncias, nossas apostas nas duas categorias principais estão bem parecidas - espero que todos estejam certos, então. Também divulgaram seus palpites o Lucas (Emmy Buzz), o Marcel (Talking About Movies), o Fabio (Emmy Buzz) e Matheus (Cinema e Argumento).

 

top 10 l palpites: Boston Legal; Damages; Grey’s Anatomy; House; Mad Men. alt: Lost. Pensei muito sobre a possibilidade de Lost ser indicada aqui, mas ao final permaneço com os mesmos palpites. Existe uma possibilidade de Grey’s Anatomy ficar de fora, especialmente pelo fato de que a série está cansando um pouco os votantes graças à sua fórmula desgastada. Assim, Lost surge como opção para conquista de uma nova indicação após três anos longe da categoria. Lembrando que The Wire pode se configurar como zebra aqui.

top 10 l palpites: Curb Your Enthusiasm; The Office; Pushing Daisies; 30 Rock; Two and a Half Men. alt: Family Guy. Acertei apenas três palpites aqui no ano passado e acho que repetirei o resultado. Primeiro pelo fato da categoria estar indefinida até o momento e segundo porque sempre aposto nos candidatos que têm mais a “cara” do Emmy e acabo errando de qualquer forma. Minhas principais dúvidas ainda são quanto a Pushing Daisies, que acabei colocando na lista no lugar de Entourage. E se Family Guy conseguiu entrar no top 10 e fazer história, algo me diz que o desenho pode ir além.

top 10 l palpites: Gabriel Byrne, In Treatment; Michael C. Hall, Dexter; Jon Hamm, Mad Men; Hugh Laurie, House; James Spader, Boston Legal. alt: Denis Leary, Rescue Me. A única mudança aqui foi a inclusão do Byrne no lugar do Leary, o que não quer dizer que perdi a fé no protagonista de Rescue Me, mas é inegável o fato de que In Treatment vem forte para essas categorias de atuação. Bryan Cranston (Breaking Bad) poderia surgir como zebra, mas acho muito difícil a essa altura do campeonato.

top 10 l palpites: Glenn Close, Damages; Sally Field, Brothers & Sisters; Holly Hunter, Saving Grace; Mary McDonnell, Battlestar Galactica; Kyra Sedgwick, The Closer. alt: Mariska Hargitay, Law & Order: Special Victims Unit. Uma categoria indefinida até o momento, até porque apresenta uma qualidade absurda na sua pré-seleção. Todas as candidatas podem ser indicadas, por isso fiz essa aposta um tanto arriscada na Mary McDonnell, pois ainda não entendo como essa série nunca conquistou uma indicação nas categorias de atuação - sem falar que seu episódio é o melhor da categoria. Assim, deixei a Minnie Driver de fora (a primeira temporada de The Riches foi mais elogiada), sendo Mariska Hargitay minha sexta opção.

top 8 l palpites: Alec Baldwin, 30 Rock; Steve Carell, The Office; Larry David, Curb Your Enthusiasm; David Duchovny, Californication; Tony Shalhoub, Monk. alt: Lee Pace, Pushing Daisies. Implicância minha querer continuar apostando no Duchovny, até pelo fato de Pace e Charlie Sheen terem mais a cara do Emmy, mas mantive esses palpites desde o início e acho melhor não arriscar de última hora… Tirando o Duchovny, acho que todos os outros já podem comemorar a indicação.

top 10 l palpites: Christina Applegate, Samantha Who?; America Ferrera, Ugly Betty; Tina Fey, 30 Rock; Julia Louis-Dreyfus, New Adventures of Old Christine; Mary-Louise Parker, Weeds. alt: Marcia Cross, Desperate Housewives. Também como em melhor ator de comédia, continuarei com os palpites iniciais aqui, apostando que nenhuma atriz de Desperate Housewives será indicada - e a esnobada para cima da série no top 10 de comédia é um sinal claro disso. Em último caso, Marcia Cross pode surpreender, mas torço para a Eva Longoria.

top 10 l palpites: Ted Danson, por Damages; Michael Emerson, Lost; William Shatner, Boston Legal; John Slattery, Mad Men; Blair Underwood, In Treatment. alt: Zeljko Ivanek, Damages. A substituição que ocorreu aqui foi o Underwood pelo Henry Ian Cusick, que ficou de fora do top 10. Na verdade, deveria ter incluído o ator de In Treatment desde o início, visto que é um dos favoritos da categoria ao lado do Michael Emerson. Ainda tenho minhas dúvidas quanto ao Slattery, pois o Ivanek pode muito bem ocupar seu lugar. T.R. Knight surge como possibilidade por Grey’s Anatomy.

top 11 l palpites: Candice Bergen, Boston Legal; Rose Byrne, Damages; Rachel Griffiths, por Brothers & Sisters; Sandra Oh, Grey’s Anatomy; Chandra Wilson, Grey’s Anatomy. alt: Dianne Wiest, In Treatment. Com a exclusão de January Jones (dando chances para outra atriz de Mad Men, Christina Hendricks), fui forçado a colocar a Candice Bergen em seu lugar, o que deveria ter feito desde o início - afinal, não é ela que está em perigo aqui, mas sim Sandra Oh. Como já comentei, In Treatment vem forte nessas categorias, por isso a Wiest é uma aposta também plausível.

top 10 l palpites: Jon Cryer, Two and a Half Men; Neil Patrick Harris, How I Met Your Mother; Jack McBrayer, 30 Rock; Jeremy Piven, Entourage; Rainn Wilson, The Office. alt: John Krasinski, The Office. Acontece que o top 10 da categoria foi tão bom que é praticamente impossível acertar os cinco indicados aqui. Fiz duas mudanças em relação à lista anterior, colocando Neil Patrick Harris (que deveria estar desde o início) e Jack McBrayer (acho que algum dos atores de 30 Rock será indicado aqui) no lugar de Krasinski e Kevin Dillon. Nada muito definido, tanto que estou super curioso para saber os indicados daqui.

top 10 l palpites: Kristin Chenoweth, Pushing Daisies; Jenna Fischer, The Office; Jane Krakowski, 30 Rock; Elizabeth Perkins, Weeds; Vanessa Williams, Ugly Betty. alt: Holland Taylor, por Two and a Half Men. Na verdade essa é a seleção que eu gostaria que fosse indicada, mas tenho certeza que alguma atriz como Holland Taylor ou Conchata Ferrell deve aparecer aí. Troquei três apostas devido à saída de Dana Delany, Cheryl Hines e Jamie Pressly do top 10, substituindo por Chenoweth, Krakowski (submeteu um excelente episódio) e Perkins. E apesar das duas atrizes de Two and a Half Men serem apostas plausíveis, acho que nomes como Amy Poehler e Jean Smart surgem como zebras aqui.

Chegando próximo à maior premiação da TV americana, faço agora um painel com palpites para o Primetime Emmy Awards 2008, o qual terá suas indicações reveladas no dia 17 de Julho - assim como no ano passado, pretendo fazer duas edições com essas previsões, sendo a seguinte próxima dessa data. Os apresentadores da cerimônia serão Kristin Chenoweth (Pushing Daisies) e Neil Patrick Harris (How I Met Your Mother), ambos com chances de indicação. Obs: algumas categorias devem ter seis indicados, portanto coloquei um asterisco no candidato que considero mais forte na disputa pela sexta vaga.

 

palpites [BOSTON LEGAL] todo ano essa série é indicada e agora não será diferente; [DAMAGES] dificilmente os votantes indicam estréias da categoria principal, porém Damages está acima de várias séries já veteranas. [GREY'S ANATOMY] se foi indicada pela fraquíssima terceira temporada, por que não seria pelo belíssimo quarto ano? [HOUSE] acredito que o sucesso de público ajuda bastante para uma indicação, até porque a quarta temporada foi inferior às anteriores. [MAD MEN] de um dos criadores de The Sopranos, parece ser a favorita até o momento, o que é ótimo para uma série estreante. na disputa: Big Love; The Closer; Dexter; Lost*; The Wire.

 

palpites [CURB YOUR ENTHUSIASM] típico estilo de série que os votantes do Emmy adoram. [ENTOURAGE] teve uma temporada brilhante, sem falar que pesa o fato de ser injustamente esquecida no ano passado. [THE OFFICE] favorita até o momento, teve sua temporada mais fraca - o que não parece importar tanto para os votantes das premiações. [30 ROCK] apesar de preferir Entourage, também torço para o sucesso de 30 Rock no Emmy, seria bem justo uma nova vitória da série. [TWO AND A HALF MEN] mais torcida para que 30 Rock vença The Office, é a que tenho para que os votantes esqueçam dessa comédia e indiquem a excelente Pushing Daisies. na disputa: Californication; Desperate Housewives; Pushing Daisies*; Ugly Betty; Weeds.

 

palpites [MICHAEL C. HALL, Dexter] após o esquecimento criminoso no ano passado, o ator é aposta certa, afinal não há melhor candidato que ele. [JON HAMM, Mad Men] provavelmente o favorito até o momento, já venceu o Globo de Ouro e está da série mais cotada para o prêmio principal. [HUGH LAURIE, House] é aquela velha história: ele sempre será indicado, mas dificilmente vencerá - sabe-se lá o motivo. [DENIS LEARY, Rescue Me] série elogiada e performance mais ainda. [JAMES SPADER, Boston Legal] os votantes o amam, pode até vencer novamente. na disputa: Gabriel Byrne, In Treatment; Bryan Cranston, Breaking Bad; Eddie Izzard, The Riches; Jonathan Rhys Meyers, The Tudors; Bill Paxton*, Big Love.

 

palpites [GLENN CLOSE, Damages] não sei se o primeiro episódio da série foi o melhor para a submissão, mas é fato que Close ainda é a grande favorita. [MINNIE DRIVER, The Riches] pode se beneficiar pelo fato da disputa não estar tão acirrada nesse ano. [SALLY FIEL, Brothers and Sisters] mesmo não sendo o maior destaque da segunda temporada da série, teoricamente tem vaga garantida por sua vitória no ano passado. [HOLLY HUNTER, Saving Grace] uma das candidatas mais comentadas até o momento, pode surpreender na reta final. [KYRA SEDGWICK, The Closer] única que oferece algum risco à Glenn Close. na disputa: Patricia Arquette*, Medium; Calista Flockhart, Brothers and Sisters; Mariska Hargitay, Law & Order: SVU; Evangeline Lilly, Lost; Jeanne Tripplehorn, Big Love.

 

palpites [ALEC BALDWIN, 30 Rock] grande injustiçado do ano passado, tem grandes chances de vencer nesse ano. [STEVE CARELL, The Office] não sei o motivo, mas a temporada fraquíssima da série foi adorada pela premiação do SAG, portanto Carell é um dos favoritos. [LARRY DAVID, Curb Your Enthusiasm] provavelmente uma das barbadas aqui. [DAVID DUCHOVNY, Californication] representando as séries estreantes, disputa com certa vantagem a vaga com o Lee Pace - não vejo um cenário no qual os dois sejam indicados. [TONY SHALHOUB, Monk] esse só não será indicado quando a série acabar, e olhe lá… na disputa: Zach Braff, Scrubs; Kelsey Grammer, Back to You; Lee Pace, Pushing Daisies; Jim Parsons, The Big Bang Theory; Charlie Sheen*, Two and a Half Men.

 

palpites [CHRISTINA APPLEGATE, Samantha Who?] parece ser a favorita até o momento, ainda que a série seja de longe a mais fraca entre as concorrentes. [AMERICA FERRERA, Ugly Betty] a segunda temporada foi decepcionante, mas tem vaga por ser a atual vencedora. [TINA FEY, 30 Rock] se revelou uma atriz fantástica nessa temporada e já venceu o Globo de Ouro e o SAG Awards - será que repete o feito da America Ferrera no ano passado e ganha o Emmy também? [JULIA LOUIS-DREYFUS, The New Adventures of Old Christine] na melhor temporada da série, é praticamente impossível que fique de fora. [MARY-LOUISE PARKER, Weeds] disputa uma vaga direta com alguma das desperate housewives. na disputa: Marcia Cross, Desperate Housewives; Anna Friel, Pushing Daisies; Patricia Heaton, Back to You; Felicity Huffman, Desperate Housewives; Eva Longoria Parker*, Desperate Housewives.

 

palpites [HENRY IAN CUSICK, Lost] dono do melhor episódio da temporada, pode surpreender e roubar a vaga do Terry O’Quinn. [TED DANSON, Damages] não vejo grande coisa em sua atuação, mas concorreu a vários prêmios da temporada. [MICHAEL EMERSON, Lost] o favorito até o momento, tem grandes chances de vencer até mesmo por sua derrota do ano passado. [WILLIAM SHATNER, Boston Legal] típico candidato que todo ano aparece na lista de indicados, não importando a qualidade de sua performance. [JOHN SLATTERY, Mad Men] aposta arriscada, porém é o coadjuvante da série com maiores chances de indicação. na disputa: Zeljko Ivanek, Damages; T.R. Knight, Grey’s Anatomy; Terry O’Quinn*, Lost; Donald Sutherland, Dirty Sexy Money; Blair Underwood, In Treatment.

 

palpites [ROSE BYRNE, Damages] protagonista da série, é enquadrada como coadjuvante por causa da Glenn Close - o que não é má idéia, já que pode até vencer aqui. [RACHEL GRIFFITHS, Brothers and Sisters] mais uma temporada se passou e ela continua sendo o grande destaque da série. [JANUARY JONES, Mad Men] somente pelo motivo de achar que uma das coadjuvantes da série será indicada. [SANDRA OH, Grey's Anatomy] teve excelente desempenho nessa temporada e facilmente estará entre as finalistas. [CHANDRA WILSON, Grey's Anatomy] o episódio não ajuda muito, mas dominou completamente a série nesse último ano e dessa vez nem temos a Katherine Heigl para impedir sua vitória. na disputa: Candice Bergen*, Boston Legal; Connie Britton, Friday Night Lights; Jill Clayburgh, Dirty Sexy Money; Yunjin Kim, Lost; S. Epatha Merkerson, Law & Order.

 

palpites [JON CRYER, Two and a Half Men] será que dessa vez ele leva? [KEVIN DILLON, Entourage] ainda melhor que na temporada anterior, é bem provável que repita a indicação. [JOHN KRASINSKI, The Office] é aquilo que já comentei: a temporada da série foi sofrível e não vi nada de mais em sua performance, mas os votantes devem pensar de outra maneira. [JEREMY PIVEN, Entourage] atual vencedor, é meu favorito e não seria injustiça se ganhasse novamente. [RAINN WILSON, The Office] pelo mesmo motivo do Krasinski, acho que deve roubar a vaga do Neil Patrick Harris. na disputa: Neil Patrick Harris*, How I Met Your Mother; Justin Kirk, Weeds; Jack McBrayer, 30 Rock; Chi McBride, Pushing Daisies; Michael Urie, Ugly Betty.

 

palpites [DANA DELANY, Desperate Housewives] um dos grandes destaques dessa temporada, tem grandes chances de ser premiada, mesmo com o preconceito dos votantes com a série. [JENNA FISCHER, The Office] injustiçada no ano passado, tem mais chances de vencer agora com uma temporada mais fraca. [CHERYL HINES, Curb Your Enthusiasm] seria legal ver essa atriz ser reconhecida. [JAMIE PRESSLY, My Name Is Earl] Engraçado como a maior parte dos vencedores de 2007 tiveram um desempenho bastante inferior nesse ano, mas devem conquistar a indicação pelo histórico. [VANESSA WILLIAMS, Ugly Betty] mesmo caso da Jenna Fischer. na disputa: Kristin Chenoweth*, Pushing Daisies; Jane Krakowski, 30 Rock; Elizabeth Perkins, Weeds; Jean Smart, Samantha Who?; Holland Taylor, Two and a Half Men.

Numa edição considerada “menor” pela imprensa internacional, o júri do 61º Festival de Cannes optou por fazer uma divisão de prêmios entre os filmes mais elogiados durante os onze dias de competição oficial, reservando uma agradável surpresa para o final. O francês Entre les Murs, exibido no último dia de Festival, foi o grande vencedor da Palma de Ouro e deu o prêmio para seu país que há vinte anos não conseguia tal reconhecimento. O longa de Laurent Cantet se passa numa escola de um subúrbio parisiense numa classe formada apenas por adolescentes, baseado no livro homônimo de François Bégaudeau - que interpreta a si mesmo no filme. Outros filmes acolhidos pelo júri foram os italianos Gomorra e Il Divo, vencedores do Grande Prêmio e prêmio do júri, respectivamente. Não foi uma grande surpresa para um Festival no qual o país voltou a figurar entre os melhores cinemas existentes. Inesperado mesmo foi o prêmio de melhor atriz para a brasileira Sandra Corveloni, de Linha de Passe. Visivelmente surpreso, Walter Salles aceitou o prêmio e disse em seu discurso: “Estou orgulhoso por fazer parte do cinema brasileiro e por ver o prêmio ser recebido por uma atriz estreante.” Já entre as interpretações masculinas, Benicio Del Toro foi o premiado. O Festival de Cannes chegou ao fim e ano que vem tem mais - até lá, teremos o Festival de Veneza em Setembro. Obrigado a todos que acompanharam a cobertura e parabéns àqueles que comentaram essa edição em seus blogs, como a Kamila, o Marfil e o Wanderley. Após os vencedores, está minha cobertura da cerimônia realizada ao vivo.

 

PALMA DE OURO Entre Paredes, de Laurent Cantet {França}

GRANDE PRÊMIO Gomorra, de Matteo Garrone {Itália}

PRÊMIO DO JÚRI Il Divo, de Paolo Sorrentino {Itália}

PRÊMIO ESPECIAL Catherine Deneuve, por Um Conto de Natal {França}
Clint Eastwood, por The Exchange {Estados Unidos}

MELHOR DIREÇÃO Nuri Bilge Ceylan, por Três Macacos {Turquia}

MELHOR ATOR Benicio Del Toro, por Che {Estados Unidos}

MELHOR ATRIZ Sandra Corveloni, por Linha de Passe {Brasil}

ROTEIRO O Silêncio de Lorna, por Jean-Pierre e Luc Dardenne {Bélgica}

 

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15:13 E a França conseguiu sua desejada Palma de Ouro após vinte anos! Felizmente não veio com Um Conto de Natal, mas sim com Entre les Murs, citado em meus palpites como o segundo provável colocado para esse prêmio. O diretor Laurent Cantet deve estar orgulhoso. E só eu achei estranho o filme mais querido pela crítica (Valsa com Bashir) não levar nada?

15:10 Mais um prêmio para a Itália: Gomorra, de Matteo Garrone, ficou com o Grande Prêmio, considerado o “segundo lugar” na premiação. É, parece que a Palma vai mesmo para a animação Valsa com Bashir.

15:00 O prêmio especial do 61º Festival foi para Catherine Deneuve (por sua atuação em Um Conto de Natal, sendo sua primeira vitória em Cannes) e Clint Eatwood (pela direção de The Exchange).

14:58 Surpresa também no prêmio de melhor direção, que foi para o turco Nuri Bilge Ceylan por Três Macacos. Pois é, Clint Eastwood não venceu essa categoria que já parecia uma barbada.

14:56 O prêmio do júri foi para o italiano Il Divo, de Paolo Sorrentino. Era esperado, mas o filme não estava nem entre minha lista de possiblidades.

14:54 Nenhuma surpresa no prêmio de interpretação masculina: Beinicio Del Toro foi o vencedor da categoria de melhor ator por sua elogiada atuação em Che.

14:47 É do Brasil! Os diretores Walter Salles e Daniela Thomas receberam o prêmio de melhor atriz por Sandra Corveloni, de Linha de Passe. Surpresa total (inclusive dos próprios diretores), deixando grandes favoritas para trás…

14:42 Fatih Akin (o vencedor desse prêmio no ano passado por The Edge of Heaven) anunciou O Silêncio de Lorna (dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne) como ganhador da categoria de melhor roteiro.

14:37 Sean Penn apresenta agora o júri oficial desse 61º Festival de Cannes, incluindo os cineastas Alfonso Cuarón, Marjane Satrapi e Rachid Bouchareb, e a atriz Natalie Portman.

14:33 Dennis Hopper anunciou o britânico Hunger, de Steve McQueen, como vencedor da “Câmera de Ouro” - oferecido ao melhor filme de estréia. Não podemos dizer que foi uma surpresa, esse prêmio já era bastante aguardado. A menção especial foi para Everybody Dies But Me, de Valeria Gaï Guermanika.

14:25 Kerry Washington apresenta agora os prêmios dedicados aos curtas-metragens. Megatron, de Marian Crisan (Romênia) venceu a Palma de Ouro, enquanto o australiano Jerrycan, de Julius Avery, ficou com a menção especial do júri.

14:12 Dizem que Leonera tem grande força e a presença de sua equipe confirma isso, mas por enquanto só aposto no prêmio de atriz para o filme. Já Catherine Deneuve está na competição com Um Conto de Natal, outro que também tem boas chances de levar algum dos prêmios. É isso, a cerimônia vai começar…

14:04 Geralmente, só aqueles que estão entre os vencedores são chamados para a cerimônia de encerramento. Até agora passaram pelo tapete vermelho as equipes de Linha de Passe, Gomorra, Il Divo, My Magic, Che, Entre les Murs e Valsa com Bashir (provavelmente o maior favorito nesse momento). Nada de Cegueira e The Exchange, por enquanto…

14:00 Anunciarei os vencedores ao vivo aqui no blog. Já lembrando que o húngaro Delta, do diretor Kornél Mundruczó, levou ontem o prêmio da crítica, mesmo sendo um dos menos prestigiados desse Festival.

Antes de revelar meus palpites para a premiação desse domingo, comentarei rapidamente esse penúltimo dia do 61º Festival de Cannes e seus dois últimos filmes em competição. O primeiro e mais aguardado foi o novo longa de Wim Wenders, Palermo Shooting, cuja recepção não foi das melhores. Sendo um filme essencialmente visual e que tem Giovanna Mezzogiorno e Dennis Hopper no elenco, chegou a ser vaiado durante a sessão para a imprensa e a maioria dos elogios recebidos se destinavam à sua trilha sonora (que tem nomes como Portishead e Velvet Underground). Luiz Carlos Merten comenta que a vaia parece ter sido para a pretensão de sua dedicatória, feita para Ingmar e Michelangelo. Por sua vez, Thiago Stivaletti confirma a tendência e afirma que tudo é muito belo no sentido cosmético, mas o cinema de Wenders perdeu sua verdade há muito tempo. Já Entre les Murs, último filme em competição exibido nessa edição, é o francês mais forte para concorrer à Palma de Ouro. Dirigido por Laurent Cantet, o filme talvez seja um dos cinco mais reconhecidos pela crítica nesse Festival. Sem mais, deixo agora minhas previsões para amanhã, onde comentarei todos os vencedores (de forma surpreendente, o prêmio da crítica foi para o húngaro Delta). Modificações devem surgir até o anúncio dos premiados, inclusive aceito sugestões…

 

Cannes Watch: Wenders teve seu filme como o mais vaiado do Festival e não tem maiores chances - se restringem ao prêmio técnico, que nem “oficial” é. Já o longa de Laurent Cantet tem grande possibilidade de ganhar um dos três principais prêmios (como pode ser visto abaixo), até mesmo a Palma de Ouro.

 

PALPITES: CANNES 2008

PALMA DE OURO Gomorra, de Matteo Garrone [ITÁLIA]
Ao contrário dos anos anteriores, não há um favorito absoluto aqui, portanto apostei no filme que causou uma impressão mais forte e que teve críticas bastante favoráveis. outras alternativas: Entre les Murs, de Laurent Cantet; The Exchange, de Clint Eastwood; Três Macacos, de Nuri Bilge Ceylan; Valsa com Bashir, de Ari Folman.

GRANDE PRÊMIO Che, de Steven Soderbergh [EUA]
A visão de Soderbergh sobre o revolucionário pode ter dividido a imprensa, mas a questão é que sua temática é perfeita para o que júri procurou nos filmes em competição. outras alternativas: Entre les Murs, de Laurent Cantet; Gomorra, de Matteo Garrone; Il Divo, de Paolo Sorrentino; Valsa com Bashir, de Ari Folman.

PRÊMIO DO JÚRI Valsa com Bashir, de Ari Folman [ISRAEL]
Não exatamente um prêmio de consolação, essa categoria sempre premia um candidato “alternativo” que não teve maiores chances para a Palma de Ouro. Nesse sentido, acredito que teremos uma animação vencendo pelo segundo ano consecutivo. outras alternativas: Delta, de Kornél Mundruczó; Gomorra, de Matteto Garrone; Linha de Passe, de Walter Salles; My Magic, de Eric Khoo.

DIREÇÃO Clint Eastwood, por The Exchange [EUA]
Aparentemente esse é o prêmio mais provável entre todos, já que Eastwood teve muitos elogios e finalmente tem a chance de ganhar algo de prestígio no Festival. outras alternativas: Laurent Cantet, por Entre les Murs; Jean-Pierre e Luc Dardenne, por O Silêncio de Lorna; Arnaud Despleschin, por Um Conto de Natal; Steven Soderbergh, por Che.

ATOR Benicio Del Toro, por Che [EUA]
Antes mesmo de Che ser exibido, Del Toro já era o favorito a esse prêmio e isso se confirmou com os inúmeros elogios da imprensa. Contudo, vale lembrar que Mathieu Amalric era o favorito no ano passado e acabou perdendo para um desconhecido. outras alternativas: Francis Bosco, por My Magic; Joaquin Phoenix, por Two Lovers; Toni Servillo, por Il Divo; interpretação coletiva, por Linha de Passe.

ATRIZ Martina Gusman, por Leonera [ARGENTINA]
Categoria que reúne alguns filmes que não tem tantas chances em outras categorias. A escolha de Martina Gusman é devido ao fato que todas a críticas a Leonera elogiavam a atriz, maior responsável pelo sucesso do filme. outras alternativas: Hatice Aslan, por Três Macacos; Arta Dobroshi, por O Silêncio de Lorna; Angelina Jolie, por The Exchange; Julianne Moore, por Cegueira.

ROTEIRO François Bégaudeau e Laurent Cantet, por Entre les Murs [FRANÇA]
Nunca acertei essa categoria, mas acredito que a França não sairá de mãos vazias - mesmo com minha torcida para a vitória de Walter Salles aqui. outras alternativas: Emmanuel Bourdieu e Arnaud Desplechin, por Um Conto de Natal; Paolo Sorrentino, Il Divo; Walter Salles, Bráulio Mantovani e Daniela Thomas, por Linha de Passe; Jean-Pierre e Luc Dardenne, por O Silêncio de Lorna.

Com uma enorme expectativa pelo trabalho de estréia de Charlie Kaufman (roteirista de Quero Ser John Malkovich), o décimo dia de competição do 61º Festival de Cannes trouxe Synecdoche, New York como seu grande destaque. O filme de Kaufman, que foi à sessão com boa parte do elenco (incluindo Philip Seymour Hoffman, Catherine Keener, Samantha Morton e Michelle Williams), recebeu muitos elogios e saiu imune à maioria dos críticos. A trama que foi comparada a Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças traz Hoffman como um diretor de teatro que luta com seu trabalho, bem como com as mulheres de sua vida, tentando criar uma réplica em tamanho natural de Nova York dentro de um armazém como parte de sua nova peça - assim, deseja fazer uma obra que seja a representação de sua vida. Apesar de excessivamente confuso em determinadas partes segundo alguns jornalistas, teve uma recepção favorável que elogiou a composição de Philip S. Hoffman para seu personagem e o forte elenco feminino (Catherine Keener, surpreendendo no papel da esposa do dramaturgo). Não chega a ser um dos favoritos para a premiação no domingo, até porque a competição é um tanto complicada para estreantes.

Comentários da imprensa [favorável desfavorável dividido]

Charlie Kaufman é um mestre de conceitos engenhosos e vôos selvagens de fantasia, tendo como resultado um filme de imaginação titubeante, mais ousado em conteúdo que forma e que explora a insuportável fragilidade da existência humana e a tristeza inevitável da morte.” Allan Hunter (Screen Daily)

Kaufman consegue melhor resultado nas cenas isoladas do que no conjunto da obra. Mas em se tratando de um filme que carrega ’sinedoque’ no título, esse estilo meio desconjuntado não chega a ser um pecado, e pode até ser encarado como um triunfo.” Thiago Stivaletti (UOL)

O primeiro filme de Kaufman como diretor hipnotizará alguns e iludirá outros, enquanto muitos ficarão apenas chateados. Philip Seymour Hoffman está perfeito, enquanto Charlie apresenta confiança como cineasta e uma habilidade maravilhosa para escrever diálogos memoráveis.” Ray Bennett (The Hollywood Reporter)

Como um ansioso artista amedrontado que poderia não ter outra chance, Kaufman tenta dizer tudo em sua estréia na direção. Sendo uma contemplação freneticamente ambiciosa da vida, amor, arte, decadência humana e morte, deve agradar aos fãs leais do roteirista.” Todd McCarthy (Variety)

“Synecdoche, New York pode ser mais fácil de analisar do que desfrutar, mais fácil de se pensar do que sentir. É mais corajoso e misterioso que os trabalhos anteriores do roteirista, porém também está mais frio e cruel que nunca.” James Rocchi (Cinematical)

O cinema de Charlie Kaufman me deixa sempre esta impressão de brilho superficial de uma mente sem passado, quero dizer, sem cultura cinematográfica nem vivência humana.” Luiz Carlos Merten (Estadão)

É um filme adulto, apimentado pelos aspectos mais desagradáveis do amor, da sexualidade e das violências amorosas que existem na existência de cada um. Apenas, vendo tudo tão concentrado de uma vez só causa enjôo.” Kleber M. Filho (Jornal do Commercio)

 

Cannes Watch: Kaufman não é grande concorrente aos prêmios principais, mas quem saber pode ser reconhecido na categoria de melhor roteiro. Já My Magic (abaixo) está entre os filmes mais elogiados do Festival, com possibilidade que vencer um prêmio especial - sem falar na possível premiação de melhor ator (para o artista circense Francis Bosco).

 

Também em competição, tivemos o italiano Il Divo, que teve uma recepção bastante favorável para o diretor Paolo Sorrentino. Com seu tema principal envolvendo corrupção política foi tratada de forma bem-humorada e provocou algumas boas risadas no público, algo raro nessa edição. Baseado em fatos reais, o longa chamou a atenção pela performance de Toni Servillo (ao centro na foto abaixo) como um influente político sentenciado a mais de vinte anos de cadeia mas que imediatamente é solto. Ainda assim, o maior destaque foi My Magic (de Cingapura), o qual levou o diretor Eric Khoo ao posto de um dos favoritos do Festival. Luiz Carlos Merten afirmou que o que faz a grandeza do cinema não é a sua diversidade e sim, a capacidade de nos surpreender (e maravilhar), completando que Eric Khoo faz as duas coisas. Emocionando o público completamente (muitos chegaram a chorar durante a sessão), My Magic certamente é uma das grandes apostas para o domingo. E se Benicio Del Toro estava despreocupado na disputa pelo prêmio de interpretação masculina, deve ficar de olho em Francis Bosco, que recebeu muitos aplausos ao fim da sessão. Esse Festival de Cannes vai chegando ao final (há apenas mais dois filmes para amanhã) e quem diria que os desconhecidos teriam destaque em meio a diretores renomados?

O nono dia de competição desse 61º Festival de Cannes não teve grandes destaques, inclusive tivemos o filme mais vaiado dessa edição até o momento. O francês La Frontière de L’Aube, de Philippe Garrel (Amantes Constantes), foi bastante criticado e aparentemente não resistiu à reação insatisfeita dos jornalistas presentes. Kleber Mendonça Filho (créditos da foto acima) disse em sua crítica que as palmas pedindo para que a trama fosse concluída logo, gargalhadas em desdobramentos místicos e, finalmente, uma vaia digna de nota (também com os aplausos de apoio indo contra) assinala o filme como sendo talvez o protótipo de um cinema largamente rejeitado por espectadores pragmáticos. Já Fabien Lemercier (Cineuropa), afirma que o diretor louvado em várias ocasiões em Veneza tem uma característica de trabalho que pode ser descrita como eterna e anacrônica, ou sugestiva e efêmera, dependendo do ponto de vista da pessoa. Para terminar, Lisa Nesselson (Screen Daily) disse que a presença de Philippe Garrel nessa história episódica com implicações sobrenaturais é insuficiente para superar sua aura retrógrada desajeitada. Trabalhos pretensiosos é que não faltam nesse tipo de Festival, mas a de Garrel (o pai, já que o filho é bom ator) parece passar do aceitável.

 

Cannes Watch: chances zero para o filme do Garrel, mas o novo do Egoyan (comentado logo abaixo) conquistou a crítica e deve ter agradado ao júri por seu forte tom político. O diretor já tem um prêmio em Cannes, mas não a Palma de Ouro, ainda assim acho mais provável um prêmio “menor”. O fato é que parece ser o melhor trabalho dele em muito tempo…

 

Por sua vez, o renomado Atom Egoyan (Grande Prêmio por O Doce Amanhã) apresentou seu novo trabalho, entitulado Adoration. Muito se tem comentado a respeito desse filme bastante aplaudido, mas aquilo que verdadeiramente o coloca como um dos favoritos à Palma de Ouro é sua temática política. Ray Bennett (The Hollywood Reporter) afirma que o notável novo filme de Egoyan é uma assombrosa meditação na natureza da sabedoria recebida e como pode deformar os indivíduos, danificar famílias e até mesmo ameaçar a sociedade. Já Justin Chang (Variety) disse que Adoration é uma confusão fascinante, afinal é complicado não respeitar seu número de idéias, preocupações e subtextos tocados pelo diretor, da dificuldade de comunicação cultural para a tendência humana de construir realidades e identidades alternadas. Alguns problemas de roteiro prejudicam a narrativa da parte final, mas certamente o filme causou uma ótima impressão no Festival. Egoyan foi à sessão com os atores Devon Bostick, Scott Speedman e Rachel Blanchard (foto abaixo). Exibido fora de competição, A Festa da Menina Morta, estréia de Matheus Nachtergaele, chocou o público com sua proposta polêmica, mesmo recebendo elogios de alguns críticos por sua coragem. Amanhã, comentários sobre Il Divo (já ovacionado em Cannes) e Synecdoche, New York.

Dedicado a obras comerciais nos últimos anos como a trilogia iniciada com Onze Homens e um Segredo (até para financiar projetos mais ambiciosos), Steven Soderbergh apresentou seu Che ontem na 61ª edição do Festival de Cannes. Com sessão de aproximadamente quatro horas e meia de duração, o longa foi bem recebido com aplausos ao fim de suas duas partes. A questão é que a crítica não ficou tão satisfeita assim com o seu resultado, apesar de alguns jornalistas colocarem o filme ao nível de uma obra-prima. A primeira parte, The Argentine, recebeu mais elogios e mostra a época na qual Guevara planejou a revolução cubana ao lado de Fidel e Raul Castro. O tom documental foi um acerto para contar os melhores momentos do revolucionário, visto que o primeiro filme marca a ascensão de Che. Já a segunda parte, Guerrilla, na qual Soderbergh aproveita para utilizar alguns elementos estéticos, mostra a queda de Guevara enquanto se dedicava à Bolívia. Apesar da pouca inovação de Soderbergh, os elementos técnicos foram elogiados, bem como a atuação do Benicio Del Toro, que como esperado deve conquistar o prêmio de melhor ator no fim dessa semana. Vale lembrar que o cansaço de sua longa duração também incomodou boa parte dos jornalistas, fato pelo qual Che pode ter uma recepção quando chegar aos cinemas (os dois filmes estréiam com um mês de diferença). Certamente dividiu a crítica, mas ainda será muito comentado daqui para frente. Nessa foto abaixo, além do Benicio Del Toro, estão a atriz Julia Ormond e Rodrigo Santoro (que interpreta Raul Castro no filme).

Comentários da imprensa [favorável desfavorável dividido]

“Che é entretenimento que entrega excitação e pura paixão de realização. É um trabalho de arte que argumenta, um filme que abre possibilidades e o encoraja a pensar e sentir sem lhe falar como você deveria pensar e sentir. Corajoso, bonito, deserto e brilhante, Che não só é a história de um revolucionário; em muitas foras, é a revolução em si mesmo.” James Rocchi (Cinematical)

A performance de Beinicio Del Toro tem cuidado para acentuar o Che ‘homem’ e não o Che ‘herói’. Soderbergh criou uma maratona pensativa na qual o enforque está firmemente nas personalidades e argumentos políticos que forjaram os ideais revolucionários dos anos cinqüenta.” Allan Hunter (Screen Daily)

Apesar de pouco ousado no plano estético, Che pode estar no páreo pela Palma de Ouro neste domingo graças à sua forte mensagem política ‘anti- imperialista’ e também pela ótima atuação de Benicio del Toro.” Diego Assis (G1)

Ao ver-se Che, fica evidente que o filme só está na competição deste ano pela importância política do tema. Soderbergh adota um tom sóbrio demais, com uma clara admiração pelo guerrilheiro, mas sem nenhuma paixão nas cenas - como se as táticas de guerrilha fossem algo cerebral como os lances de xadrez.” Thiado Stivaletti (UOL)

“Che é uma parte muito grande de dados para se passar como uma experiência, como é para satisfazer altos padrões comercialmente e artisticamente. Seu tempo força uma comparação com trabalhos raros como Lawrence da Arábia, Reds e outras épicos de biografia. Infelizmente, Che não parece um épico – apenas muito longo.” Todd McCarthy (Variety)

A primeira parte de Che é épica, mas a segunda me pareceu muito burocrática como cinema. O grande problema deste filme é a sua falta de paixão, como se Soderbergh estivesse fazendo seu filme sem querer tomar partido.” Luiz Carlos Merten (Estadão)

Ao todo, é um projeto que vale a pena, realizado de forma profissional, mas que em sua devoção obsessiva para a documentação precisa, esquece de inspirar.” Peter Brunette (The Hollywood Reporter)

 

Cannes Watch: aparentemente Benicio Del Toro está tão bem que não só deve ganhar o prêmio de melhor ator como também aumentar de forma considerável as chances do filme em outras categorias. A crítica ficou bastante dividida e acho que não vem uma Palma de Ouro por aí (até porque o Soderbergh já tem uma), contudo o tema político deve agradar ao júri e é possível esperar por um Grande Prêmio.

Decepcionando boa parte daqueles que esperavam outro grande trabalho da diretora argentina Lucrecia Martel, La Mujer Sin Cabeza foi vaiado em sua sessão para imprensa realizada nesse oitavo dia de competição. Responsável por longas elogiados como O Pântano e Menina Santa, Martel modificou um pouco de sua técnica segundo alguns críticos e fez um filme que vai do nada ao lugar nenhum. Lee Marshall (Screen) disse que “é uma “vergonha, porque o longa prova que Martel ainda é uma das diretoras jovens mais originais que temos. Entretanto, A Mulher Sem Cabeça vai bloqueando e amortizando seu impacto dramático e alcance emocional, sufocando o público lentamente.” Já Kleber Mendonça Filho diz que “as idéias relacionadas ao estado de espírito da personagem ameaçam trazer inteligência, mas são tão apavoradas com a possibilidade de serem de fácil acesso para qualquer espectador comum, que terminam registrando como tentativas e não realizações bem sucedidas.” Contudo, é possível que o júri tenha entendido a proposta de Martel e acabe a premiando. Ontem, outro filme foi exibido em competição (mas com recepção bem melhor). Delta, dirigido pelo húngaro Kornél Mundruczó, foi considerado pela Screen como “admirável pois mantém tudo com uma precisão e restrição que atestam seu domínio acima da média.” Hoje teremos o novo longa de Steven Soderbergh, Che. Passamos da metade dos filmes em competição (14 de 22), então fiz um ranking com aqueles que tiveram melhor avaliação até agora, relacionado às chances de vitória em Cannes:

 

1. THE EXCHANGE, de Clint Eastwood (EUA)

2. TRÊS MACACOS, de Nuri Bilge Ceylan (Turquia)

3. VALSA COM BASHIR, de Ari Folman (Israel)

4. GOMORRA, de Matteo Garrone (Itália)

5. LINHA DE PASSE, de Walter Salles (Brasil)

6. O SILÊNCIO DE LORNA, de Jean-Pierre e Luc Dardenne (Bélgica)

 

7. UM CONTO DE NATAL, de Arnaud Desplechin (França)

8. TWO LOVERS, de James Gray (EUA)

9. LEONERA, de Pablo Trapero (Argentina)

10. DELTA, de Kornél Mundruczó (Hungria)

11. 24 CITY, de Jia Zhang-ke (China)

 

12. CEGUEIRA, de Fernando Meirelles (Brasil)

13. A MULHER SEM CABEÇA, de Lucrecia Martel (Argentina)

14. SERBIS, de Brillante Mendoza (Filipinas)

O destaque nesse sétimo dia de competição do 61º Festival de Cannes não poderia ser outro: The Exchange (ou Changeling, já que o diretor ainda não definiu um título para a produção), novo trabalho de Clint Eastwood que é protagonizado por Angelina Jolie. A história mostra a estrela como Christine, uma mãe que tem seu filho seqüestrado durante os anos de 1920 em Los Angeles. A polícia encontra uma criança e “devolve” para ela, mas Chistine desconfia que o garoto não seja seu filho e então leva o caso para a justiça, na tentativa de derrubar vários policiais corruptos e recuperar o verdadeiro filho. Ao contrário do que muitos esperavam, a seleção para Cannes não será o nível mais alto que esse filme alcançará. Bastante elogiado pela crítica, The Exchange surge como principal candidato à Palma de Ouro - ajudado pelo júri presidido por Sean Penn. Além disso, certamente estará entre os indicados na próxima edição do Oscar, com possibilidades nas categorias de direção, roteiro e atriz (dizem que é o melhor desempenho de Jolie em toda sua carreira) e ator coadjuvante (John Malkovich). Alguém duvida que Eastwood é o maior diretor dessa década?

 

Comentários da imprensa [favorável desfavorável dividido]

Com temática semelhante a Mystic River porém com maior complexidade e alcance, Changeling continua de forma impressionante os ambiciosos filmes do diretor, sendo seguro em termos de estilo e emoção.” Todd McCarthy (Variety)

O renascimento tardio da carreira de Clint Eastwood continua a todo vapor com esse típico e emocionante drama. Formosamente produzido e guiado pela mão simples e elegante de Clint Eastwood, também ostenta o melhor desempenho de Angelina Jolie em toda sua carreira.” Mike Goodridge (Screen Daily)

Clint Eastwood fez isto novamente. Dramaticamente e artisticamente, seu thriller de época baseado em um caso que ajudou a derrubar uma força policial corrupta e introduziu uma nova era de maior igualdade legal, é favorito à Palma de Ouro e desde já um sério candidato ao OscarEmanuel Levy

Jolie evita a imagem de estrela de cinema completamente para interpretar uma mulher cuja confiança em tudo que ela acredita é abalada em sua essência. Ela pode parecer vulnerável e firme no mesmo momento. Ela tem uma profundidade que nunca explorou.” Kirk Honeycutt (The Hollywood Reporter)

Achei importante que o Clint tenha feito este filme para retomar Mystic River, mas não desse jeito. Imagino que, sem a prestigiosa assinatura dele, não estaria na competição em Cannes.” Luiz Carlos Merten (Estadão)

 

Cannes Watch: como já adiantei, o longa de Clint Eastwood surge como um forte nome à Palma de Ouro, bem como ao prêmio de melhor diretor. Até Jolie pode ser considerada para a categoria de interpretação feminina. Já Two Lovers (abaixo), não teve uma recepção tão boa, mas Joaquin Phoenix é o melhor ator na competição até o momento.

 

Por sua vez, James Gray ganhou uma nova chance após ter seu Os Donos da Noite vaiado no ano passado. A nova produção do diretor, Two Lovers, dividiu opiniões com sérias críticas à seleção desse Festival e alguns elogios com muito entusiasmo. Jeffrey Wells, do Hollywood Elsewhere, diz que a ausência de um comportamento criminal como em seus filmes anteriores conduziu Gray a uma direção mais gentil e que talvez esse seja seu melhor longa até agora. Acrescenta que admirou o desempenho de Phoenix, o melhor desde Johnny & June. Já Allan Hunter (da Screen Daily) afirma que é difícil discernir o que os responsáveis pela seleção de Cannes vêem no trabalho de Gray, visto que esse é seu terceiro filme consecutivo em competição. Diz ainda que Phoenix é a melhor coisa sobre Two Lovers, capturando todos os aspectos do charme tímido e juvenil para instabilizar o desespero em sua indagação para o amor. James Gray, que compareceu ao Festival ao lado das atrizes Gwyneth Paltrow e Vinessa Shaw, é mestre em dividir opiniões, contudo ao menos trouxe um favorito à corrida pelo prêmio de melhor ator: Joaquin Phoenix.

No sexto dia de competição da 61ª edição do Festival de Cannes, o maior destaque foi o novo filme dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, Le Silence de Lorna. Eles já conseguiram o feito raro de vencerem por duas vezes a Palma de Ouro (em 1999 por Rosetta e em 2005 por A Criança) e agora buscam seu terceiro prêmio (algo inédito na história do Festival). Segundo o G1, o filme acompanha o drama de Lorna (Arta Dobroshi), uma imigrante albanesa que se muda para a Bélgica e, a fim de conquistar a cidadania européia, procura um agente ilegal que promove seu casamento com um viciado (Jerémie Renier, de A Criança). Apesar de parecer improvável, os irmãos Dardenne devem sim ser considerados para um novo prêmio. Provavelmente uma terceira Palma não sairá, mas certamente Le Silence de Lorna pode estar entre os premiados do Festival. Até certo ponto considerado semelhante aos trabalhos anteriores dos diretores (que geralmente são bastante econômicos quanto ao estilo, inclusive sem o uso de trilha sonora), o longa é um dos três preferidos pela crítica até o momento - ao lado do italiano Gomorra e o israelense Valsa com Bashir.

Comentários da imprensa [favorável desfavorável dividido]

Tendo desenvolvido um dos mais consistentes (e excelentes) cinemas durante mais de uma década, os irmãos Dardenne fazem algumas pequenas adaptações para a sua fórmula, mas mantêm seu compromisso com a natureza humana e a possibilidade de graça em circunstâncias humildes em O Silêncio de Lorna.” Justin Chang (Variety)

Vendo mais um belo filme da dupla, chega-se, à essa altura, à conclusão de que tornaram-se autores de segurança máxima, produzindo filmes artesanais com algo de uma marca industrial muito deles e também muito esperada (previsível não é exatamente a palavra, embora ela tenha vindo em mente).” Kleber Mendonça Filho (Jornal do Commercio)

Os Dardenne confirmam seu estilo despojado, sem trilha sonora, atuação simples e direta do elenco, diálogos econômicos, elevando em alguns degraus o naturalismo no cinema. Acertam em cheio de novo, desta vez cutucando fundo as feridas da imigração na Europa.” Thiago Stivaletti (UOL)

Não tem a sensação de revelação como em Rosetta, porém o júri pode estar procurando algo bem maior e mais uma afirmação - e há uma escassez de filmes assim em competição este ano.” Jonathan Rommey (The Independent)

Ainda que não esteja nos padrões de seus filmes anteriores, O Silêncio de Lorna oferece a crítica poderosa e contínua dos irmãos Dardenne ao mundo injusto no qual alguns humanos continuam sobrevivendo às custas dos outros.” Peter Brunette (The Hollywood Reporter)

Está tudo lá - o método, o rigor, a ética, mas o resultado me pareceu bastante inferior a O Filho e A Criança, para não falar de Rosetta, que é a obra-prima dos dois.” Luiz Carlos Merten (Estadão)

 

Cannes Watch: o novo filme dos irmãos Dardenne causou uma ótima impressão e certamente já é um dos favoritos à Palma de Ouro. Sei que vencer o prêmio pela terceira vez é complicado, mas ao menos deve ser lembrado em outras categorias - estando suas maiores chances na categoria de melhor atriz (Arta Dobroshi se junta à longa lista de candidatas).

 

Já em uma sessão especial, o destaque foi a exibição de Sangue Pazzo, longa italiano de Marco Tullio Giordana. Como bem adiantou o Museu do Cinema, o filme conta a história de dois atores que enfrentam problemas com os rebeldes “partisanos” (italianos que apóiavam os norte-americanos) que combatiam o fascismo no final da II Guerra Mundial. Além do diretor e os atores Alessio Boni e Luca Zingaretti, a belíssima Monica Belucci (de volta ao Festival) também esteve presente na exibição do filme fora de competição. Outro destaque do dia foi o prêmio honorário concedido a Manoel de Oliveira, com a exibição de uma cópia restaurada do primeiro filme do cineasta, o documentário Douro, Faina Fluvial (de 1931). A cerimônia em homenagem ao diretor que completa 100 anos em 2008 contou com a presença de nomes como Clint Eastwood, Walter Salles e Sean Penn. Por falar em Eastwood, amanhã é dia seu novo filme, Changeling. Já James Gray, vaiado no ano passado por Os Donos da Noite, ganha nova chance com Two Lovers, o qual será exibido nessa noite.

Mesmo com dois filmes em competição nesse quinto dia de Festival (e outro que foi exibido ontem e devo comentar logo depois), a grande expectativa de hoje foi o lançamento de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, novo longa do herói após os quase vinte anos da trilogia original. Além do diretor Steven Spielberg e o produtor George Lucas, também estavam no tapete vermelho o astro da produção Harrison Ford (com a esposa Calista Flockhart), Shia LaBeouf, Karen Allen e Cate Blanchett, essa última um dos destaques do filme. A expectativa foi grande, porém parece que nem todos ficaram muito satisfeitos com o resultado. Segundo matéria da Efe, apesar da recepção sem muito entusiasmo, o longa agradará a seus fãs por se tratar principalmente de uma homenagem ao personagem e às aventuras anteriores. Em algumas entrevistas, Spielberg afirmou que tentou fazer o melhor filme da série com esse Reino da Caveira de Cristal. Aparentemente não foi isso que aconteceu. Entretanto, está longe de ser um trabalho sem qualidades, além do fato que o sucesso de bilheteria é garantido. Abaixo, fiz algo inédito, com comentários da imprensa sobre um filme fora de competição (logo depois comento como foi o quinto dia da mostra oficial em Cannes).

Comentários da imprensa [favorável desfavorável dividido]

Certamente não é um grande filme, mas oferece uma boa quantidade da velha diversão apresentada pela série. Alguns críticos podem ter problemas com esta aventura de natureza antiquada, mas acho que foi feita conscientemente para se inserir no padrão geral dos três capítulos anteriores.Emanuel Levy

A velha magia ainda funciona em O Reino da Caveira de Cristal. O primeiro filme de Indy em vinte anos não irá decepcionar os maiores fãs ou dissuadir uma nova geração de abraçá-lo como a grande aventura do verão americano.” Alan Hunter (Screen Daily)

Dezenove anos após a sua última aventura, Spielberg e Harrison Ford não têm problemas para retornar uma história de estilo muito em sintonia com aquilo que fez da série tão popular. Tecnicamente bem realizado, traz o editor Michael Kahn e o compositor John Williams em plena forma, além das notáveis criações do diretor de arte Guy Dryas.” Todd McCarthy (Variety)

Se nós amamos os três primeiros filmes da série é porque eles tinham grande ação, objetos de surpresa e ótimos toques de comédia, isso em forma de boas histórias. O Reino da Caveira de Cristal vai numa engenharia reversa. Fará um monte de dinheiro, mas após 19 anos de espera, não posso imaginar que alguém esteja verdadeiramente satisfeito com esse filme.” James Rocchi (Cinematical)

Seja lá qual for a história, fica inundada em um mar de CGI incansável. O que é frustrante para aqueles que recordam Os Caçadores da Arca Perdida é a perda da sagacidade e romance.” Kirk Honeycutt (The Hollywood Reporter)

É verdade que não se deve esperar qualquer verossimilhança em filmes como este, mas a sensação que se tem é que, neste quarto episódio, a História (com aga maiúsculo) deixa de ter a mesma importância no roteiro, em favor de muito mais ação e piadinhas auto-referentes a partir do imaginário da série.” Diego Assis (G1)

Não há cena alguma nesse filme que chegue aos pés de qualquer uma das cenas memoráveis de Caçadores…, ou da abertura de Templo da Perdição. Foi-se o sentido de “grande aventura”, mas fica pelo menos a aura de uma, um pouco como um brinquedo Indiana Jones num parque americano, ou um videogame da série.” Kleber Mendonça Filho (Jornal do Commercio)

 

Cannes Watch: dos filmes em competição exibidos de ontem para hoje (com breves comentários abaixo), acredito que o italiano Gomorra é aquele que tem maiores chances de premiação. Apesar de 24 City ser elogiado, parece que não tem nenhuma inovação aos outros trabalhos do Jia Zhangke, sem falar que o diretor já é muito reconhecido (em Veneza).

 

Já entre os filmes em competição, ainda ontem tivemos o novo trabalho de Jia Zhangke, 24 City (trailer no Spoiler). Incrível como a figura do diretor é uma constante nos principais festivais de cinema do mundo e a recepção de seus filmes quase sempre é favorável - caso desse 24 City, que segundo a Variety, é muito mais acessível que os dois filmes anteriores de Zhangke (Em Busca da Vida e Useless) chegando a ter momentos de verdadeira emoção. Misturando a ficção com documentário, a produção chinesa teve boa (mas não espetacular) recepção. Algo parecido ocorreu com o italiano Gomorra (equipe na foto), de Matteo Garrone, já que muitos críticos afirmaram não ser um filme fácil, apesar de extremamente autêntico e corajoso. Provavelmente é um dos melhores longas em competição até o momento, um tanto ofuscado pelo destaque óbvio de Indiana Jones. Na contra-mão de Gomorra, foi exibida a primeira produção realmente muito criticada: Serbis, de Brillante Mendonza, representando as Filipinas. E para quem ainda está um pouco desconfiado sobre a recepção de Linha de Passe, basta saber que na sessão de gala realizada ontem, o longa de Walter Salles foi aplaudido por nada menos que sete minutos.

No quarto dia de competição em Cannes, o grande destaque da mostra oficial foi o novo filme de Walter Salles, Linha de Passe, que se certa forma é um dos mais queridos pela crítica até o momento. O tema familiar visto em Central do Brasil (que estreou há dez anos atrás) se repete aqui através da figura de quatro irmãos de classe baixa que vivem com a mãe doméstica. Vinicius de Oliveira, protagonista do maior sucesso do diretor, volta interpretando um dos garotos que deseja ser jogador de futebol - o desejo de mudança de vida é observado nos personagens, tendo como pano de fundo a cidade de São Paulo que é um dos elementos fundamentais da trama. Ao lado da co-diretora Daniela Thomas, Salles conquistou a crítica por fugir dos temas observados na maioria das produções nacionais que fazem sucesso lá fora. Não chegou a ser um tremendo sucesso e nem recebeu tantos aplausos, mas para um filme que encerrou seu processo de montagem a um dia de ser exibido em Cannes, já é de grande valor o fato dos jornalistas concordarem que é o melhor trabalho do diretor desde Central do Brasil. Salles, que sempre prestigiou o Festival, pode sim ser considerado para um prêmio pelo júri.

Comentários da imprensa [favorável desfavorável dividido]

Sólido e envolvente, Linha de Passe é um complexo drama que oferece uma alternativa aos filmes pelo qual o país foi identificado anteriormente (incluindo Cidade de Deus e o vencedor do Festival de Berlim Tropa de Elite).” Jonathan Rimmey (Screen Daily)

No final, Walter Salles e Daniela recusam-se a ser otimistas ou pessimistas, mostrando apenas o quanto o caminho pode ser estreito para um brasileiro pobre e da periferia. E a imagem final é a melhor metáfora possível sobre um grande Brasil um pouco desgovernado, a procura de um pai ou uma noção de pátria que lhe de um rumo.” Thiago Stivaletti (UOL)

Em termos de cinema brasileiro, Linha de Passe representa o que melhor há atualmente, e internacionalmente encaixa-se nas especificações do cinema latino que tem marcado presença. Não é coincidência que Leonera, de Pablo Trapero, esteja tão perto em tom e estilo.” Kleber Mendonça Filho (Jornal do Commercio)

Colocando elementos sociais em pé de igualdade com a ficção, Linha de Passe conscientemente é uma alternativa para a tarifa recente de filmes brasileiros, abordando questões graves sem insistir em sua própria auto-importância.” Todd McCarthy (Variety)

Gostei muito de Linha de Passe. Em todas as suas entrevistas, Salles tem dito que este é um filme muito simples e pequeno, mas não achei uma coisa nem outra. Acho que há uma representação muito forte do país no longa.” Luiz Carlos Merten (Estadão)

“Linha de Passe é mais um gol de placa do diretor de Central do Brasil. As histórias aparentemente diversas dos quatro irmãos da periferia de São Paulo, filhos de mãe solteira, se alternam com a cadência elegante de um bate-bola entre amigos.” Diego Assis (G1)

 

Cannes Watch: Mais complicado do que saber aquilo que o júri pensa sobre o filme, é analisar quais as reais chances de Linha de Passe na busca pela Palma de Ouro. O trabalho recebeu muitos elogios e Salles é um nome querido pelo Festival, portanto um prêmio de melhor roteiro seria mais do que possível - mas não duvido que o filme tenha capacidade para mais.

 

Por mais sucesso que o filme brasileiro fez em Cannes, nada foi suficiente para desviar as atenções da equipe de Vicky Cristina Barcelona, exibido fora de competição. Woody Allen, que compareceu ao Festival com as atrizes Penélope Cruz (vencedora do prêmio de melhor atriz por Volver há dois anos atrás) e Rebecca Hall, fez um trabalho impecável segundo alguns jornalistas e também diferente de tudo aquilo que já se viu em sua carreira. A questão é que a comédia com toques dramáticos em sua parte final dividiu opiniões, mas no geral parece que deu continuidade à ótima fase do diretor iniciada com Match Point. Emanuel Levy disse que é um prazer constatar que após muitos anos de espera, Allen finalmente fez um bom filme de entretenimento, no que talvez seja seu melhor trabalho desde Tiros na Broadway. Já Kleber Mendonça Filho diz em sua crítica que é certamente um dos exemplares mais genuinamente divertidos da vasta galeria de filmes realizados no esquema industrial desse autor que vem perdendo alguns gramas da sua credibilidade ao longo desta década com uma safra 2000 não muito memorável. Já Pedro Butcher, da Folha, disse que o olhar que Allen lança sobre Barcelona é simplesmente preguiçoso, com uma narração em off exagerada e algumas situações repetitivas. Essa divisão foi notada na sessão para imprensa, mas para a alegria da equipe, as poucas vaias foram abafadas pelos muitos aplausos que o filme recebeu.

Com toda a expectativa pelo lançamento do novo Indiana