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A única coisa que pensei após o fim de A Outra é “O que terá acontecido com os bons filmes de época?”. Conhecido pelas produções grandiosas, o gênero épico sempre trouxe longas relevantes com histórias centradas na Europa dos últimos séculos, mas após Elizabeth: A Era de Ouro, temos outro filme de proporções desastrosas dentro desse contexto. O maior problema de A Outra, entretanto, é que se em A Era de Ouro ao menos a Cate Blanchett aumentava consideravelmente a qualidade da fita como um todo, aqui nem o elenco salva o filme do resultado tremendamente insatisfatório. Mais o que chama mais a atenção em ambas as produções é que, mesmo com histórias que por si só já garantiriam o espetáculo, tendem a distorcer certos fatos para o “bem maior” da narrativa. Geralmente não dou grande importância a isso (até porque sou leigo quanto ao assunto), mas certamente muitas das decisões tomadas em A Outra refletem um trabalho incrivelmente ruim do roteirista Peter Morgan (que já teve dias melhores com A Rainha). Aqui, Eric Bana vive o rei da Inglaterra, que após não conseguir um herdeiro com sua esposa Katherine parte para meios alternativos de ter um filho. Assim, a bela Anne Boleyn (Natalie Portman) é designada para o papel de amante, mas sua irmã Mary (Scarlett Johansson) é que verdadeiramente chama a atenção de Henrique Tudor.
Por melhor que A Outra seja quanto aos aspectos técnicos (destaque para os figurinos de Sandy Powell e a ótima trilha de Paul Cantelon), nada consegue apagar as inúmeras falhas do roteiro que provavelmente é o pior do ano. E ainda que muitos dos diálogos alcancem um nível constrangedor, o elenco não parece muito esforçado para reverter esse aspecto. Natalie Portman prova sua superioridade em todas as cenas que divide com Scarlett Johansson (pior do que nunca), mas sua personagem é tão irritante que é impossível criar alguma simpatia por seu desempenho. Já Eric Bana tem pouco a fazer num papel raso (talvez culpa do script) e que nunca oferece alguma chance do ator brilhar. Salva-se Kristin Scott Thomas com uma personagem secundária - mas que aproveita cada instante do pouco tempo que está em cena. E, voltando às questões históricas, não sei exatamente se essa era a intenção do diretor Justin Chadwick (em sua estréia no cinema), mas fazia tempo que não via um filme tão irritante no cinema. Se não encontraram uma boa tradução para The Other Boleyn Girl, deviam ter arriscado com “A História Mais Machista de Todos os Tempos”, pois assim certamente encontraria seu público.





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[CINEMA] The Other Boleyn Girl, Reino Unido - 2008. De: Justin Chadwick. Com: Natalie Portman, Scarlett Johansson, Eric Bana, Kristin Scott Thomas, David Morrissey, Mark Rylance, Jim Sturgess, Eddie Redmayne. 115 min. drama.

Numa época em que são poucos os astros que levam um grande público ao cinema independentemente da qualidade de seus filmes, Will Smith ocupa uma posição privilegiada em Hollywood. Sua presença em qualquer produção já é garantia de sucesso, ainda mais se tratando de um blockbuster do verão como Hancock. Algo a se lamentar, entretanto, é que por maior que seja o esforço do ator para caracterizar seu personagem, nada consegue salvar esse filme que nunca trabalha sua interessante premissa de forma inteligente. Hancock (Will Smith) é um super-herói desocupado e mulherengo, causando grande destruição quando tenta solucionar algum situação de perigo. Quando salva o relações públicas Ray Embrey (Jason Bateman) se um acidente de trânsito, chama a atenção do agente para as coisas boas que Hancock pode oferecer à população, passando a trabalhar a imagem do herói frente à sociedade. Nesse contexto, ainda temos a esposa de Ray, a bela Mary (Charlize Theron, como sempre muito competente), que por algum motivo não tem uma relação muito amigável com Hancock.
Quem viu o trailer ou mesmo presta atenção nos primeiros minutos do longa sabe exatamente qual será a grande revelação do criticado terceiro ato, a qual é bastante inverossímil e pouco traz de novidade à trama. Para mim não foi nenhuma grande surpresa a comentada reviravolta, mas é incrível como o resultado no geral é insatisfatório. O elenco está muito bem, uma vez que Smith sempre apresenta boas atuações nesse tipo de filme e até o Jason Bateman tem seu melhor desempenho na carreira aqui, mas simplesmente é complicado engolir certas soluções esquemáticas do roteiro - incluindo o final que como não poderia deixar de ser deixa uma desculpa plausível para uma continuação. Num primeiro momento até funciona como comédia sem maiores compromissos, contudo quando passa a ser um longa de ação com uma quantidade de explosões inimagináveis, é possível perceber como a direção de Peter Berg (O Reino) é frágil. Se não soubesse, diria que Hancock é um filme do Michael Bay, mas até mesmo as fitas do diretor de Transformers conseguem ser mais divertidas.





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[CINEMA] Estados Unidos - 2008. Direção: Peter Berg. Com: Will Smith, Jason Bateman, Charlize Theron, Jae Head, Eddie Marsan, Brad Leland. 92 min. ação.

Com um certo desgaste das animações protagonizadas por bichos dos mais diversos tipos, cada vez mais as produtoras do gênero buscam alternativas para fugir do “lugar comum” e atrair o público. Ainda assim, a DreamWorks continua apostando nesse tipo de trama como é possível ver por alguns de seus longas recentes como Madagascar e com esse Kung Fu Panda. Dessa maneira, é possível afirmar que o longa dirigido por Mark Osborne e John Stevenson está longe da genialidade apresentada com Shrek, até agora o melhor filme do estúdio, ainda que seja bom o suficiente a ponto de ser o maior sucesso de bilheteria nesse ano dentro do gênero - mais até do que WALL-E, por incrível que pareça. Com um time de dubladores famosos (Jack Black, Dustin Hoffman e Angelina Jolie), que certamente chama a atenção do público, Kung Fu Panda é centrado na figura carismática do panda Po (Black), que apesar de se dedicar ao negócio do pai em vender macarrão, sempre sonhou muito mais alto. Quando uma ameaça surge no vilarejo em que vive, se faz necessário a escolha de um guerreiro para combatê-la, oferencendo assim a chance que Po aguardava. Com a ajuda do mestre Shifu (Hoffman), ele descobre que ser um guerreiro é mais complicado do que imaginava.
Certamente é um trabalho diferenciado pelas referências que surgem ao longo de sua projeção (vi muito de Herói ali), fazendo com que seja um filme a ser apreciado pelos adultos. Com um ótimo uso de animação tradicional em seu início, Kung Fu Panda só incomoda pelo excesso de cenas de ação, nem sempre importantes para o desenvolvimento da trama. Não há dúvidas que tudo é muito divertido para as crianças (funciona perfeitamente como comédia, com as melhores piadas a cargo do Jack Black, claro), mas é tudo tão movimentado que em certos momentos não dá para entender tudo aquilo. Um detalhe a ser notado é que, mesmo sem grandes avanços tecnológicos, as técnicas de animação das produções da DreamWorks melhora a cada trabalho (o que pode ser observado pela belíssima cena final do personagem Tai Lung), sendo possível atingir um nível semelhante ao da Pixar no futuro. Entretanto, com um déficit de atenção ao roteiro, Kung Fu Panda não passa de mais um filme divertido do verão. É sim altamente recomendado para toda a família, mas que toda a experiência seja esquecida cinco minutos após o fim da sessão.





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[CINEMA] Estados Unidos - 2008. De: Mark Osborne e John Stevenson. Vozes: Jack Black, Dustin Hoffman, Angelina Jolie, Jackie Chan, Lucy Liu, Ian McShane, Dan Fogler, Seth Rogen, Michael Clarke Duncan. 92 min. animação.

Numa época em que a indústria do cinema nunca se encontrou tão escassa de novas idéias, a Pixar mostra que ainda é possível encontrar originalidade em algum blockbuster. Quem conhece os demais longas da produtora já sabia o que esperar de seu novo projeto, afinal ainda temos Ratatouille e Procurando Nemo figurando entre os melhores filmes da década. Contudo, com WALL-E, ela atingiu um nível que ultrapassa os limites da animação - e, a partir desse momento, acho que já não é mais justo limitar qualquer filme da produtora dentro dessa definição. Pode até parecer ironia um típico filme do verão americano (e que sem dúvida renderá milhões em bilheteria) criticar de forma tão efetiva a sociedade capitalista, mas ao final de WALL-E é praticamente impossível que alguém não tenha entendido que sua mensagem é pura e verdadeira. E ainda que muitos tenham uma certa resistência ao gênero, certamente é uma obra que oferece uma visão maior do que aquela exposta por conceitos pré-definidos.
A trama de WALL-E começa por volta do ano de 2700, quando a Terra já é um lugar inabitável devido a toda poluição gerada apenas em busca do bem-estar humano. É então que conhecemos o pequeno robô que dá nome ao longa (Waste Allocation Load Lifters - Earth), cuja principal função é passar todo o dia recolhendo lixo - ainda que esse trabalho não seja muito necessário. Vivendo com a companhia de apenas uma barata de estimação, é possível observar desde o início um pouco de humanidade em WALL-E, que se encanta com coisas simples incluindo aquilo que os humanos costumavam fazer ainda na Terra - nesse sentido, perceba a beleza do momento em que ele assiste uma cena do clássico Alô Dolly!, com a belíssima canção “It Only Takes a Moment”, na voz de Michael Crawford. Sem esperar, conhece outro robô, Eve, cuja importância será fundamental para uma missão na nave Axiom, na qual os humanos têm uma existência incrivelmente assustadora.
Claramente WALL-E quis passar uma mensagem que superou as maiores expectativas em torno desse belo projeto, o qual pode ser perfeitamente classificado como uma ficção científica. É incrível, então, justamente por esse fato, que a animação seja mais eficiente que uma dezena de outros filmes que se passam no espaço. Mais que isso, talvez seja o melhor panorama do futuro visto num filme em toda a história do cinema. Será mesmo que a Humanidade chegará a tal ponto um dia? WALL-E nos faz perguntar isso o tempo todo, tamanha é sua competência em termos de narrativa. Como já se foi muito comentado, o filme tem várias referências, sendo uma destas ao clássico 2001 - Uma Odisséia no Espaço a mais “pertinente”. Ainda assim, é maravilhoso comprovar como o estilo de Charles Chaplin funciona perfeitamente aqui, uma vez que pelo menos os trinta primeiros minutos não apresentam diálogos.
Tecnicamente impecável (ainda que a mensagem seja mais forte que o visual), apresenta criações bastante impressionantes do futuro, bem como os típicos efeitos sonoros encantadores da Pixar. Certamente é um trabalho genial do Andrew Stanton tanto no roteiro como na direção, sendo possível também reconhecer a magia comparável a grandes clássicos do gênero. Sendo assim, nada é melhor do que a enorme contribuição da música de Thomas Newman (com contribuição de Peter Gabriel, inclusive na ótima “Down to Earth”) para o resultado. Com algumas das melhores composições dos últimos anos, a trilha capta de forma brilhante tudo aquilo que ocorre na tela e traduz da forma mais universal possível. Com um dos finais mais tocantes que já vi, não raramente alguns dos espectadores reconhecerão WALL-E como uma história de amor - e mais que isso: a prova definitiva que nós, seres humanos, somos capazes de produzir obras-primas como essa e por isso mesmo devemos preservar nossa existência na Terra.





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[CINEMA] WALL-E, Estados Unidos - 2008. Direção: Andrew Stanton. Com: Fred Willard. Vozes: Ben Burtt, Elissa Knight, Jeff Garlin, John Ratzenberger, Kathy Najimy, Sigourney Weaver. 103 min. animação.

Jean-Dominique Bauby foi um francês editor da famosa revista Elle que aos 43 anos passou a sofrer de uma doença conhecida como síndrome locked-in (encarceramento), condição que paralisou todo o seu corpo (como exceção do olho esquerdo) mas que não trouxe alterações mentais. Com ajuda de uma terapeuta, Bauby ditou letra por letra através de seu olho todo o livro Le Scaphandre et le Papillon, no qual contou como foi sua vida após o trágico início da síndrome. Cerca de dez anos após a publicação dessa obra, o cineasta americano Julian Schnabel (do ótimo Antes do Anoitecer) lançou sua versão nos cinemas, mantendo a língua francesa original para uma maior identificação com a trama. O Escafandro e a Borboleta pode ser considero como um dos projetos mais ousados que o cinema apresentou nos últimos anos, dadas as condições adversas em fazer a transição de uma trama tão complicada para as telonas. Por esse mesmo motivo, é que os diversos prêmios vencidos por Schnabel (incluindo melhor direção em Cannes e o Globo de Ouro da categoria) foram tão merecidos.
Com praticamente quinze minutos iniciais nos quais podemos enxergar a visão de mundo de Bauby já no hospital, fica claro como um dos maiores méritos do longa é mesmo o trabalho de adaptação de Ronald Harwood (O Pianista). O roteirista leva a crer que isso não foi uma experiência tão complicada, mas a forma como ele consegue transpor a história é excepcional. Ainda assim, a maneira como o espectador foi conquistado aos poucos por esse enredo depende de uma série de aspectos da produção, que contribui de maneira magistral para o resultado. A editora Juliette Welfling entrega um ritmo impressionante à fita, intercalando momentos do passado de Bauby com a situação corrente. A música de Paul Cantelon torna certas seqüências ainda mais belas, dando uma dimensão ainda maior para determinados fatos da vida do jornalista. Entretanto, nada supera em termos técnicos a qualidade da fotografia de Janusz Kaminski, a qual foi fundamental para entender toda a situação pelo qual o protagonista passa.
E se em termos de adaptação O Escafandro e a Borboleta é impecável, o mesmo pode ser comentado quanto ao trabalho de Schnabel na escolha de seu elenco. Mathieu Amalric não poderia ser melhor escalado para o papel principal da fita, compondo uma figura fascinante e ao mesmo tempo desafiadora. Com ajuda de um trabalho de maquiagem acima da média, Amalric atinge o ápice de sua atuação justamente nas cenas em que o personagem já sofre com a síndrome, especialmente quando tem uma “conversa” com seu pai (Max von Sydow, em desempenho memorável) ao telefone. As intérpretes femininas, como Anne Consigny e Marie-Josée Croze, também surpreendem, sendo o grande destaque a bela Emmanuelle Seigner como um dos amores de Bauby. Mais que uma grande lição de vida, O Escafandro e a Borboleta é brilhante por mostrar uma história de superação que vai além de qualquer expectativa.





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[CINEMA] Le Scaphandre et le Papillon, França - 2007. De: Julian Schnabel. Com: Mathieu Amalric, Emmanuelle Seigner, Anne Consigny, Max von Sydow, Marie-Josée Croze, Jean-Pierre Cassel, Marina Hands, Patrick Chesnais, Françoise Lebrun, Niels Arestrup, Olatz López Garmendia. 112 min. drama.

De diretor comparado a outros mestres do suspense como Alfred Hitchcock a piada em pouco tempo, M. Night Shyamalan viu sua carreira ser praticamente descartada pelos críticos após o resultado fracassado de seu filme anterior, o subestimado A Dama na Água. Não sei exatamente sei toda a reação negativa àquele trabalho foi merecida, afinal trata-se de um dos melhores filmes de 2006. Entretanto, após a sessão de Fim dos Tempos (The Happening é um título mais inteligente), certamente tornou-se óbvio o motivo de tanta reprovação por parte dos críticos. Tomando distância daquilo que fez até hoje, Shyamalan usa um típico filme do verão americano para falar de questões bem mais sérias do que aquelas vistas em produções como Homem de Ferro, porém algo a se lamentar é a forma como sua mensagem é passada. Na trama, Mark Wahlberg vive um professor de ciências que não sabe explicar ao certo porque um estranho fenômeno sem precedentes está ocorrendo na costa leste dos EUA: pessoas começam a se suicidar por aquilo que acredita ser causado por uma neurotoxina adquirida pelo ar.
Se em A Dama na Água entendi como o diretor foi compreendido, justamente o contrário ocorre nesse Fim dos Tempos. Acontece que longa de 2005 tudo parecia ser uma evolução na carreira do diretor, que foi de fitas de suspense consagradas a um típico drama que causou certo espanto à primeira vista. Aqui, Shyamalan continua tratando os fatos de forma mais dramática e talvez por isso mesmo que não tenha feito tanto sucesso - os sustos são tão raros que nem precisava de todo aquele marketing em torno de sua data de estréia, uma sexta-feira 13. Entretanto, dessa vez as críticas foram justas, ainda que Fim dos Tempos esteja longe do desastre que muitos afirmaram. Sofre sim por um roteiro falho (alguns diálogos merecem destaque entre os piores do ano) e performances sem muita inspiração do elenco (com destaque negativo para Zooey Deschanel), mas sem dúvida a idéia central é louvável - o que não salva o filme, vale comentar. Novamente com uma trilha magistral de James Newton Howard, sem dúvida é o trabalho mais fraco do diretor, porém apenas um tropeço numa carreira quase impecável.





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[CINEMA] The Happening, EUA - 2008. Direção: M. Night Shyamalan. Com: Mark Wahlberg, Zooey Deschanel, John Leguizamo, Ashlyn Sanchez, Betty Buckley, Jeremy Strong, Frank Collison, Spencer Breslin, Robert Bailey Jr. 91 min. drama.

Com uma das carreiras mais exemplares frente às câmeras (participando de ótimas fitas alternativas de pouco reconhecimento comercial), Sarah Polley fez sua elogiada estréia como diretora nesse Longe Dela, um drama difícil que necessitava o comando de alguém com mais experiência. Ainda assim fiquei impressionado com o domínio de Polley frente a uma história que não chega a emocionar como deveria, mesmo que seu roteiro (indicado ao Oscar) seja um pouco falho. Julie Christie (grende campeã da temporada de premiações desse ano) vive uma mulher portadora de Alzheimer que se muda par uma instituição especializada na doença e deixa assim o marido Grant (Gordon Pisent) ao passo que procura a aproximação com um dos pacientes do local (Michael Murphy). Dividido por toda essa situação, Grant encontra apoio de uma das assistentes da instituição (Kristen Thomson, excelente) e na esposa do tal paciente (Olympia Dukakis, em performance esquecível). A partir desse ponto, terá que tormar difíceis decisões relacionadas ao seu futuro e de sua esposa Fiona.
Não sei o motivo, mas nunca cheguei a ficar realmente emocionado com essa história. Talvez seja a forma um tanto fria da Sarah Polley em lidar com toda a situação, visto que são raros os diálogos mais elaborados - exceto por alguns momentos, como na memorável cena do jantar. Basicamente é um filme de elenco, que além de um bom time de coadjuvantes (especialmente a Kristen Thomson, como já comentei), tem um ótimo casal de protagonistas no melhor momento de suas carreiras. Christie faz por onde merecer todo o destaque para sua personagem, ainda que a grande performance do filme (como já se vinha comentando na crítica) é mesmo do Gordon Pinsent, ator canadense que nunca ganhou o reconhecimento merecido. E ainda se Polley não alcança o resultado esperado com esse Longe Dela, é incrível a força dramática do desfecho de sua obra, sem dúvida um dos melhores do ano. Assim, a diretora mostra talento para ir muito além, longe de fitas comerciais e fazendo um tipo de cinema mais que competente.





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[CINEMA] Away from Her, Canadá - 2007. Direção: Sarah Polley. Com: Julie Christie, Gordon Pinsent, Kristen Thomson, Olympia Dukakis, Michael Murphy, Clare Coulter, Thomas Hauff, Alberta Watson. 110 min. drama.

Marcas e amor: será que apenas isso importa às mulheres da atualidade? Para algum desavisado ou aqueles que nunca ouviram falar de Sex and the City, certamente essa é a impressão que a versão cinematográfica da famosa série da HBO passa. Contudo, para quem acompanhou a comédia envolvendo quatro mulheres em Nova York desde a década passada, sabe que o filme vai muito além daquilo que deixa transparecer. Após um breve histórico da série dos créditos iniciais, somos “jogados” novamente da vida das quatro amigas após quatro anos do fim de um dos melhores programas da TV americana. Carrie (Sarah Jessica Parker, a melhor do grupo) continua sua trajetória de escritora bem sucedida já com três publicações druante o período, também mantendo o romance com Mr. Big (Chris Noth). Samantha (Kim Cattrall, a mais divertida) mantém o namoro com Smith, se dedicando mais ao relacionamento que a si própria. Miranda (Cynthia Nixon) trabalha mais do que nunca e com isso põe em risco seu casamento, enquanto Charlotte (Kristin Davis) é a única que parece não ter problema alguma com uma vida feliz ao lado do marido e a filha adotiva.
Se há um pecado que fica óbvio desde o início de Sex and the City - O Filme, é que trata-se de uma mera extensão do programa de TV, até por momentos parece um episódio de longa duração. Talvez seja culpa de Michael Patrick King, que repete seu cargo na série e aqui é responsável pelo roteiro e a direção. Ainda assim, isso é um pequeno detalhe em meio a grande diversão proporcionada por essa versão. Qualquer revelação a mais acabaria com as surpresas desse filme, se bem que é o típico estilo de produção na qual o espectador já sabe o que esperar ao fim da sessão - ou seja, é cheio de reviravoltas, mas o desfecho não foge do óbvio. Em meio a um desnecessário elenco secundário (incluindo a participação de Jennifer Hudson, aqui no seu trabalho pós-Oscar por Dreamgirls), destacam-se as quatro atrizes principais, especialmente Sarah Jessica Parker, a qual era muitas vezes ofuscada na série, mas aqui tem o total destaque. E para os amantes da moda, o desfile de figurinos comandado por Patrica Field é um dos melhores do ano. É assim que Sex and the City certamente não é um filme para todos, mas os fãs da série não poderiam ter presente melhor.





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[CINEMA] Sex and the City, Estados Unidos - 2008. De: Michael Patrick King. Com: Sarah Jessica Parker, Kim Cattrall, Kristin Davis, Cynthia Nixon, Chris Noth, Jennifer Hudson, David Eigenberg, Jason Lewis, Evan Handler, Candice Bergen. 148 min. comédia romântica.

Após o sucesso inesperado de Todo Mundo em Pânico (uma comédia que tem seus méritos, vale comentar), iniciou-se uma irritante série de projetos cujo principal objetivo era fazer graça de produções hollywoodianas com mínima importância para o roteiro. Até certo tempo esses projetos ainda tinham algo de original, apesar de não particularmente inspirados. Hoje, para decepção de bons longas do gênero, o que vemos são uma enxurrada de produções do calibre de Super-Herói - O Filme invadirem os cinemas. Aqui, sua falta de criatividade novamente beira o absurdo e o alvo da vez (como o próprio título já adianta) são os filmes de super-herói, especialmente daqueles baseados em quadrinhos - outra mania que já começa a sofrer certo desgaste. Com sua maior base em Homem-Aranha, o longa é centrado em Rick Riker (o simpático Drake Bell), que após ser picado por uma libélula de laboratório (!) passa a demonstrar estranhos poderes. Dessa forma, pretende não só conquistar sua paixão de colégio, como também combater o vilão Ampulheta (Christopher McDonald, pagando as contas).
Nesse cenário ainda temos uma participação especial de Leslie Nielsen, que pouco tem a fazer com um roteiro equivocado. Por falar no maior protagonistas desse tipo de paródia, é necessário reconhecer que Super-Herói não mantém nenhum dos atributos apresentados em outras fitas do produtor David Zucker - como os clássicos Corra que a Polícia Vem Aí e Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu. Muito pelo contrário, até. Não sei se isso é possível, mas alguns dos envolvidos com a produção de Homem-Aranha deveria processar esse filme. Por quase toda sua extensão, o que vemos é uma mera cópia com alteração apenas dos nomes dos personagens e situações. Certo que há uma ou outra referência a Quarteto Fantástico e X-Men, mas se você já viu o filme do Aranha certamente não terá nenhuma surpresa aqui. Com alguns momentos raros de diversão (mérito dos filmes no qual foi baseado), Super-Herói - O Filme nem fez um sucesso considerável nas bilheterias, o que já indica que até o público acostumado a esse tipo de produção já não está se deixando enganar como antes.





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[CINEMA] Superhero Movie, Estados Unidos - 2008. Direção: Craig Mazin. Com: Drake Bell, Sara Paxton, Christopher McDonald, Leslie Nielsen, Marion Ross, Kevin Hart, Tracy Morgan, Jeffrey Tambor, Pamela Anderson. 85 min. comédia.

Numa temporada em que originalidade passa longe dos cinemas, Speed Racer tem um diferencial em relação a tantas outras adaptações que estrearam no verão americano: ao mesmo tempo que se mantém fiel ao desenho original, consegue trazer o estilo muito particular dos irmãos Andy e Larry Wachowski, que aqui conseguem realizar seu segundo melhor filme - obviamente perdendo apenas para Matrix. Muitos podem considerá-lo como um projeto fracassado e sem foco (aliás, foi assim para maioria do público e crítica, que massacrou o longa sem maiores justificativas), mas sem dúvida é um total acerto da dupla de diretores que há um bom tempo devia um trabalho acima da média. Para quem não conhece a história original, basta saber que Speed (aqui vivido por Emile Hirsch) tem paixão por corridas desde a infância, quando seu irmão Rex (Scott Porter, da série Friday Night Lights) sofreu um acidente fatal e deixou a responsabilidade dele continuar a história de vitórias da família. É então que com a ajuda de seu pai (John Goodman) consegue manter-se nas pistas até recusar uma oferta do poderoso Royalton (Roger Allam), que após isso tenta de diversas maneiras acabar com o sonho de Speed.
Confesso que nunca fui muito fã da série animada criada pelo japonês Tatsuo Yoshida, nem sei ao menos se cheguei a ver um episódio completo, mas é fato que os irmãos Wachowski tentaram se manter fiéis ao estilo original como é possível perceber pela presença de todos os personagens principais e um ritmo alucinante do início ao fim. Nesse cenário, o destaque é de Christina Ricci como Trixie, ao passo que John Goodman entrega outra ótima atuação em papel secundário. Com efeitos que parecem mais do que adequados para a proposta dos diretores (o som provavelmente é o melhor do ano até agora, ainda mais com seqüências de ação fantásticas), o longa peca apenas por um roteiro um tanto óbvio, porém em momento algum isso chega a prejudicar o resultado. Ainda surpreso pela capacidade dos Wachowski em transportar o espectador para uma dimensão totalmente nova, Speed Racer é a prova que não precisa de grandes inovações para se ter um grande filme, apenas de um coração realmente dedicado à arte de fazer cinema.





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[CINEMA] Speed Racer, Estados Unidos - 2008. De: Andy e Larry Wachowski. Com: Emile Hirsch, Christina Ricci, John Goodman, Susan Sarandon, Matthew Fox, Roger Allam, Richard Roundtree, Rain, Paulie Litt, Kick Gurry, Scott Porter. 135 min. aventura.

Dono de alguns dos melhores filmes entre as décadas de 50 e 70 (incluindo os clássicos 12 Homens e uma Sentença e Um Dia de Cão) e restrito a fitas de pouca repercussão nos últimos anos - incluindo o simpático Sob Suspeita -, Sidney Lumet faz seu grande retorno com uma das fitas mais subestimadas do último ano. Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto apresenta um clima que por diversas lembra o estilo diferenciado do diretor e sem dúvida marca uma volta dos tempos em que Lumet era referência. A trama, que apresenta as reviravoltas típicas de um bom longa do diretor, é centrada em dois irmãos: Andy (Philip Seymour Hoffman) e Hank (Ethan Hawke). O primeiro é usuário de drogas e mantém um casamento insatisfatório com a bela Gina (Marisa Tomei), ao passo que Hank apresenta sérios problemas financeiros e precisa resolver a situação para sustentar sua única filha. Juntos, formam um plano para assaltar uma joalheria que conhecem muito bem, sem desconfiar das inúmeras conseqüências que esse ato trará às suas vidas.
Além da direção segura de Lumet (no que talvez seja seu melhor filme desde os anos de 1980), também destaco o trabalho de estréia do roteirista Kelly Masterson. A forma como os diversos núcleos são interligados faz toda a diferença, também ajudado pela montagem excepcional de Tom Swartwout e o clima de tensão oferecido através da música de Carter Burwell. Além disso, é notável como o elenco funciona de maneira tão uniforme com desempenhos para figurar entre os melhores do ano. Philip Seymour Hoffman entrega outra grande atuação (pela terceira vez nos últimos meses, visto que estava muito bem em Jogos do Poder e principalmente A Família Savage), mas todos tem uma grande performance aqui, incluindo o soberbo Albert Finney como o pai da dupla de protagonistas e Marisa Tomei como a reprimida Gina. Certamente Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto não é um filme fácil (e seu desfecho chocante dá o tom em relação a isso), mas fazia tempo que não tinha uma experiência tão eletrizante no cinema.





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[CINEMA] Before the Devil Knows You’re Dead, Estados Unidos - 2007. Direção: Sidney Lumet. Com: Philip Seymour Hoffman, Ethan Hawke, Albert Finney, Marisa Tomei, Michael Shannon, Amy Ryan, Rosemary Harris. 117 min. thriller.

Desde o início de O Incrível Hulk percebemos uma grande diferença em relação a tentativa anterior de trazer o herói ao cinema. Ainda que tenha dividido opiniões, é inquestionável o fato do Hulk do diretor Ang Lee ficar muito aquém da expectativa gerada em torno da adaptação. Já na nova aventura, dessa vez sob o comando do pouco experiente Louis Leterrier e contando com o roteiro do protagonista da fita, Edward Norton, fica claro que a tentativa de manter o espírito real do personagem foi muito mais bem sucedida. No filme, a trama começa na favela da Rocinha, com Bruce Banner se mantendo escondido ao passo de tenta encontrar uma cura para seu poder incontrolável, ainda que não tenha contato com a dra. Betty Ross (Liv Tyler), a qual contém os dados necessários para reverter sua situação. Nesse cenário brasileiro, não demora tanto para o general Thunderbolt (William Hurt) ratrear o paradeiro de Banner, com o qual pretende realizar uma experiência de proporções destruidoras. Porém, isso é apenas o começo de uma longa perseguição que ainda trará um inimigo à altura de Hulk.
Com cenas de ação fantásticas (incluindo a melhor do ano, uma batalha no campus universitário), O Incrível Hulk surpreende pela grande atenção dada à história ao passo que é muito mais empolgante do que o filme anterior da série - se é que o longa de 2003 pode ser considerado dessa forma. Falado isso, é importante comentar que o filme começa melhor do que termina. Não que seu ritmo seja prejudicado, mas se tivesse uns vinte minutos a menos certamente o resultado seria mais satisfatório. Das seqüências eletrizantes filmadas no Brasil, terminamos com uma batalha pouco interessante ao final, ainda que o desfecho cumpra seu papel e deixe uma expectativa considerável para o próximo longa - e reparem na participação especial já próxima dos créditos, sem dúvida bastante inesperada. Tecnicamente também não é um grande filme, apesar dos efeitos serem de grande competência, ao passo que o elenco não compromete - diria até que está muito bem para esse tipo de fita. Surpreso com o resultado desse O Incrível Hulk, torço para que a próxima aventura do monstro verde atinja um nível ainda melhor.





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[CINEMA] The Incredible Hulk, Estados Unidos - 2008. Direção: Louis Leterrier. Com: Edward Norton, Liv Tyler, William Hurt, Tim Roth, Tim Blake Nelson, Ty Burrell, Christina Cabot, Paul Soles, Lou Ferrigno. 114 min. ação.

Fazendo parte do pequeno grupo que achou o primeiro Crônicas de Nárnia um dos filmes mais chatos daquele fim de ano bem esquecível de 2005, minha expectativa era a mínima possível para sua continuação. E não é que Príncipe Caspian conseguiu me surpreender! Claro que é uma produção grandiosa que guarda muitos problemas da aventura anterior e em alguns momentos chega a irritar da mesma forma, mas ao menos tem algumas cenas de ação mais empolgantes. A história, que se distancia um pouco da ingenuidade de O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa (até porque as crianças daquela época já são adolescentes agora), começa com os irmãos de volta ao reino de Nárnia após mil anos dos acontecimentos do primeiro filme. Lá, descobrem que a terra foi dominada por Telmarines e que os narnianos vivem escondidos ainda que todos pensem que estão extintos. Príncipe Caspian (Ben Barnes), herdeiro do trono que está sendo perseguido pelo impiedoso Miraz (Sergio Castellitto), tenta então com a ajuda dos narnianos criar um reino de paz para todos.
Desde o início percebemos uma mudança em relação ao filme anterior, ainda que seu roteiro tenha graves problemas de continuidade em situações sem explicação aparente. Não li as obras originais, mas sempre dá a impressão que é um trabalho de adaptação abaixo da média, visto que outras fantasias semelhantes da última década conseguiram melhor resultado (o que inclui as séries Harry Potter e O Senhor dos Anéis, e até mesmo o recente A Bússola de Ouro). O que realmente decepciona é o elenco juvenil central, que aliás piorou consideravelmente de três anos para cá (especialmente os meninos, com destaque negativo para o William Moseley). Já Ben Barnes como Caspian, então, beira o desastre. O que melhorou de forma significativa foi a emoção apresentada durante as batalhas, especialmente a última e bem planejada seqüência final (que conta com os melhores efeitos visuais do ano), sem falar na maravilhosa cena em que Tilda Swinton surge numa participação especial. Fracasso de bilheteria, seu alto orçamento se justifica pelo belo espetáculo visual, mas ainda é lamentável que a série As Crônicas de Nárnia não passe de mera imitação em forma e estilo de produções bem superiores.





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[CINEMA] The Chronicles of Narnia: Prince Caspian, Reino Unido - 2008. Direção: Andrew Adamson. Com: Georgie Henley, Skandar Keynes, William Moseley, Anna Popplewell, Ben Barnes, Sergio Castellitto, Peter Dinklage, Tilda Swinton, Warwick Davis. 147 min. aventura.

Ao passo que muitas produções pecam pelo excesso de sentimentalismo, isso parece ser um dos fatores principais para a mensagem deixada pela co-produção México/EUA Bella. Marcando a excelente estréia do diretor Alejandro Gómez Monteverde, o longa é centrado em José (Eduardo Verástegui, outra revelação), chef de cozinha que um dia quase chegou a ser um grande jogador de futebol, mas teve seu sonho impedido por uma tragédia. Sua vida se cruza com a da bela garçonete Nina (Tammy Blanchard), a qual trabalha no mesmo restaurante que ele e descobre estar grávida num péssimo momento em sua vida. Juntos compartilham experiências bastante significativas, de forma a transformarem sua existência para sempre. Bella não é um romance como sua sinopse leva a crer, mas sim um drama construído de forma excepcional sobre as dificuldades de aceitação dos próprios personagens. Com uma linguagem cinematográfica pouco inovadora (apesar do interessante uso da música), sem dúvida é uma grande surpresa por dar atenção a valores pouco lembrados atualmente, em face que poderia seguir um caminho mais óbvio e comercial.
Além do trabalho impecável de roteiro e direção (Monteverde domina muito bem as duas áreas, o que é impressionante por se tratar de seu primeiro trabalho), Bella não teria o mesmo impacto se não fosse o desempenho de seu elenco de desconhecidos da maioria do público, especialmente o casal de protagonistas. Tammy Blanchard não só é perfeita para seu papel como vai além e entrega uma das melhores atuações do ano, numa performance que merecia ser reconhecida pelas grandes premiações. Mesmo com isso, fiquei especialmente comovido com o desempenho de Eduardo Verástegui, o qual convence completamente num personagem bastante denso. É incrível como seu trabalho foi esnobado pela mídia, bem como o próprio filme. Vencedor do principal prêmio do Festival de Toronto, Bella é o caso típico de que bom cinema não é artigo raro desde que bem procurado. E se não resistirem às lágrimas durante a sessão, não digam que foi por falta de aviso.





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[CINEMA] Bella, EUA - 2007. De: Alejandro Gomez Monteverde. Com: Eduardo Verástegui, Tammy Blanchard, Manny Perez, Angélica Aragón, Ali Landry, Jaime Tirelli, Ramon Rodriguez. 91 min. drama.
Alerta de SPOILER: os comentários contêm revelações sobre os episódios
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American Idol
S07E42 Season 7 Finale
Ok, o programa não é um drama, mas não poderia deixar de comentar o último episódio. Acho que a FOX se redimiu com a temporada fraquíssima e exibiu um ótimo final para a competição, mas não tão emocionante como nos anos anteriores. Tirando participações pouco interessantes dos integrantes do top 12, adorei as performances dos seis homens (acompanhados por Bryan Adams) e mulheres (Donna Summer foi a convidada), além da apresentação especial do OneRepublic ao lado do David Archuleta. Mas nada emocionou tanto quanto a aparição de George Michael, com a bela “Praying for Time”. Quanto ao resultado, foram 97 milhões de votos para o David Cook, 12 milhões a mais do que para o seu concorrente, portanto foi bastante justo. Evidente que eu torcia pelo Archuleta, que apresentou momentos brilhantes durante o programa (vale lembrar suas performances com “Imagine” e “Think of Me”), mas Cook vinha logo em seguida na minha preferência. Enfim, espero que Archie não siga a maldição do runner-up e tenha grande sucesso daqui para frente.





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Gossip Girl
S01E18 Much ‘I Do’ About Nothing
Sendo uma das poucas séries que tiveram uma melhora considerável após a greve dos roteiristas, esperava um final de temporada ao menos no nível dos últimos episódios, o que infelizmente não ocorreu. Além de deixar tudo mal resolvido, não me deixou nem um pouco ansioso para o que acontecerá daqui para frente. Certamente Georgina era uma péssima personagem e estava torcendo por sua ruína, mas tudo foi tão sem graça que não foi convincente a forma como a Blair (com ajuda de Chuck) lidou com a situação. Após isso, tivemos o casamento de Lily e Bart, outra decepção - esperava que o Rufus fizesse algo a mais para impedir a decisão estúpida de sua amada. Para colocar a cereja no topo do bolo, veio o Dan querendo tirar satisfações para cima de Serena (que teve uma daquelas típicas reações bobas) mesmo depois de ter ficado com Georgina. Para dizer que não gostei de nada, as últimas cenas foram bacanas e me deixaram com certa esperança em relação ao rumo da série. No geral, foi uma temporada sem grandes qualidades, mas que incrivelmente tornou a série numas das melhores estréias do último ano.





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Grey’s Anatomy
S04E16 Freedom
Episódio que só veio comprovar como Grey’s Anatomy se recuperou de forma excepcional após a greve com tramas cada vez melhores. Mesmo que não se compare a The Becoming, Freedom fechou essa ótima temporada que apagou o fracasso da anterior. Com duas horas de duração, teve um caso bastante interessante com um garoto preso em concreto, o qual proporcionou grandes atuações do elenco - especialmente a Chandra Wilson, destaque absoluto do último ano, e Katherine Heigl. Essa última ainda teve um momento excelente com o Karev, que realmente me fez entender porque o personagem do Justin Chambers é tão chato. Já O’Malley, que mal apareceu nos últimos episódios, também teve seu momento e terá uma chance de repetir os exames no qual foi reprovado. Callie finalmente parece ter assumido ser lésbica para a Hahn e não pensou duas vezes ao dar um beijo na doutora. Por fim, e não menos importante, Meredith e Derek finalmente tiveram sucesso no seu experimento e não deixaram de comemorar da forma que estávamos esperando desde o começo - só espero que o romance dure mais de uma semana ao contrário das outras vezes…





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House
S04E16 Wilson’s Heart
Por ter apresentado o melhor episódio na semana anterior, esperava muito mais do season finale de House. Após descobrimos que Amber (Anne Dudek, que melhorou um pouco nesse episódio) era a vítima procurada pelo House, o doutor faz dela mais um de seus casos e procura uma explicação para sua condição desconhecida. Ao fim, toda a resolução sobre o que levou a Amber àquele estado e também o motivo pelo House estar acompanhado dela durante o acidente (já era bem esperado que ele não traísse o Wilson) foi convincente, mas o grande problema é que o episódio gastou um belo tempo com sentimentalismo bobo para uma personagem que merecia sair da série desde sua primeira aparição (só acho que sua morte foi um pouco demais). Sem falar que, assim como o Felipe comentou, que diálogos péssimos foram aqueles do final, hein? Os roteiristas destruíram uma idéia que parecia boa, até porque o protagonista da série nunca irá morrer - não enquanto uma nova temporada já foi planejada.





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Lost
S04E13 There’s No Place Like Home Parts 2 & 3
Finais de temporada de Lost são aquilo que podemos de chamar de “eventos”, pois nada me deixa mais ansioso por essa hora (nesse caso, duas) que também marca o início da interminável espera por novos episódios. There’s No Place Like Home não obteve o mesmo impacto de Through the Looking Glass (um dos melhores episódios que vi em todos os tempos), mas fechou de maneira excelente essa que foi a temporada mais curta da série. O melhor é que tivemos mais revelações do que novos mistérios, de forma a desvendar todo o processo que levou os seis sobreviventes do Vôo a sair da ilha. Um dos primeiros momentos dramáticos foi aquele em que Sun (Yunjin Kim, excelente) tem que partir deixando Jin para trás, que provavelmente morreu na explosão do barco juntamente com o Michael. Já Ben (Michael Emerson) foi outro destaque ao conseguir mover a ilha, numa cena memorável. Aliás, ele também foi responsável pela cena mais impactante, no desfecho, quando finalmente descobrimos quem está no caixão - nada menos que Locke! Ok, não foi uma grande surpresa (era o candidato mais provável desde o início), mas não deixou de ser algo impressionante. Por fim, fica a dúvida de como Jack levará todos de volta para ilha e ainda onde ela foi parar. Lost só perdeu para Dexter em qualidade nessa temporada.





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MELHORES SEASON FINALES (comédia e drama)

1. [10] Desperate Housewives: Free
2. [9.5] Lost: There’s No Place Like Home
3. [9.0] 30 Rock: Cooter
4. [9.0] Ugly Betty: Jump
5. [8.5] The Office: Goodbye, Toby
6. [8.5] Grey’s Anatomy: Freedom
7. [8.0] House: Wilson’s Heart
8. [8.0] How I Met Your Mother: Miracles
9. [8.0] American Idol: Season 7 Finale
10. [7.5] My Name Is Earl: Camdenites
*piores: Gossip Girl e Samantha Who?
Alerta de SPOILER: os comentários contêm revelações sobre os episódios
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30 Rock
S02E15 Cooter
Em relação ao da temporada anterior, esse season finale foi bem superior e me deixou ansioso para os próximos episódios. Jack (Alec Baldwin, brilhante) tem seu primeiro dia de trabalho para o governo e descobre que que as coisas por lá andam piores do que imaginava. Na esperança de retomar seu emprego, arma com Cooter Burger (Matthew Broderick, impagável) um plano infalível para ser despedido. Já Liz descobre que está grávida e pensa que o pai é Dennis - mas posteriormente sabe que o teste foi alterado por causa de um salgadinho no qual é viciada. Já Jenna (Jane Krakowski, que não teve o destaque que merecia nessa temporada, mas voltou com força total nesse final) ajuda Kenneth a produzir um vídeo para ir às Olímpiadas de Beijing, o que rendeu os momentos mais engraçados desse Cooter. Muito bom também foi ver o que ocorreu três meses depois, ainda que a grande cena tenha sido o reencontro de Jack e Liz.





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Desperate Housewives
S04E17 Free
Desperate quase sempre apresentas finais de temporada fantásticos e com esse Free não foi diferente. A solução para o arco dessa temporada foi muito bem executada, tudo foi explicado de forma satisfatória. As cenas finais estiveram entre as melhores que já vi na série, com Wayne mantendo Katherine como refém e a posterior entrada de Adam para salvá-la (e também a Bree, que se envolveu na situação com uma cena hilariante). Nesse sentido, o destaque vai para o desempenho da Dana Delany, que se tornou uma das coadjuvantes preferidas dessa temporada e por vezes roubou a atenção das protagonistas. Ainda assim, não há como negar que o grande destaque da temporada foi a Eva Longoria, que no início era inferior às demais, porém conseguiu ultrapassar todas as amigas de elenco. Uma cena que considero bastante emocionante foi o momento em que Tom declara seu amor a Lynette, não segurei as lágrimas. E o que dizer então do final totalmente inesperado, mostrando a vida das donas de casa após cinco anos? Forte candidato a melhor episódio cômico dessa temporada.





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How I Met Your Mother
S03E20 Miracles
Sem dúvida foi um episódio que ficou abaixo do esperado, mas ainda assim conseguiu fechar de forma satisfatória essa temporada que infelizmente não superou a anterior. Ted (Josh Radnor, um dos melhores candidatos a melhor ator em comédia) se separa de Stella e imediatamente sofre um acidente de carro, do qual sai sem nenhum ferimento. O que Stella não se dá conta é que Ted queria acabar seu relacionamento, modificando toda a situação. Enquanto isso, em sua tentativa de chegar ao hospital para ver o amigo, Barney tem um grande acidente e isso é decisivo para que Ted o perdoe por toda a situação envolvendo a Robin. Na verdade esse foi o melhor momento do episódio (as “pazes” dos amigos), já que de resto foi bastante trivial. Além do Neil Patrick Harris, tiveram grande destaque nessa temporada as coadjuvantes Cobie Smulders e Alyson Hannigan, especialmente essa última, que alguns anos atrás não parecia ter um futuro tão promissor.





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My Name Is Earl
S03E21/22 Camdenites, Parts 1 & 2
Nessa que foi a pior temporada dessa ótima série, esse episódio final não deixou de ser decepcionante - porém um pouco melhor do que muita coisa que foi apresentada durante o último ano. A história foi centrada no fato de Earl tentar acertar seu casamento com Billie, ajudando algumas mulheres da lista na tentativa de desviar o carma. Apesar de algumas boas idéias (a sociedade aos moldes antigos foi a melhor, especialmente como crítica aos valores atuais), tudo pareceu muito descartável e até irritante por causa da participação da Alyssa Milano - no início sua personagem era simpática, mas com o tempo ficou insuportável e os roteiristas fizeram de tudo para tirá-la da série, o que felizmente ocorreu ao fim desse episódio. Como destaque da temporada, cito a atuação dos coadjuvantes Ethan Suplee e Jamie Pressly, com esperança dos produtores voltarem com episódios melhores daqui para frente.





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The Office
S04E14 Goodbye, Toby
Ainda que inferior a todos os season finales passados, esse episódio de The Office ao menos foi melhor que boa parte daquilo que a série apresentou em seu quarto ano. Como o próprio título já adiantou, foi centrado na despedida de Toby, com a realização de uma grande festa. Sem dúvida o melhor aspecto foi a entrada de sua substituta, interpretada de maneira inacreditável pela Amy Ryan (nessa que provavelmente é uma das melhores participações especiais do ano). Jim fracassou na tentativa de pedir a Pam em casamento já que o Andy se adiantou e não pensou duas vezes ao fazer o pedido para a Angela (que aliás teve um momento bem estranho ao final com o Dwight, mostrando que ainda guarda sentimentos por ele). Outro fato que chamou a atenção foi o Ryan ser preso por fraude, o que aumenta as possibilidades dele voltar ao escritório em breve. Um ótimo episódio para a temporada mais fraca da série.





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Samantha Who?
S01E15 The Birthday
Acredito que esse The Birthday era uma oportunidade única para a série mostrar um episódio acima da média, mas infelizmente não foi o que ocorreu. O que mais me irrita em Samantha Who? é o fato de se manter como uma série boba e rotineira na maior parte do tempo, pois assim não há nada a seu favor para conquistar um público bem maior. Vemos Samantha (Christina Applegate, um dos poucos aspectos positivos dessa comédia ao lado das coadjuvantes) tentando sabotar a relação de Todd, fazendo de tudo para ele se separe definitivamente da Chloe. Enquanto isso, suas amigas preparam uma festa de aniversário, tendo a difícil missão de convidar algum conhecido que realmente goste da Samantha. Apesar de finalmente resolver o vai e vem do relacionamento da protagonista com o Todd, não deixou de ser um episódio bastante fraco e sem apelo algum para a próxima temporada.





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Ugly Betty
S02E18 Jump
Após alguns episódios não muito divertidos (alguns até me surpreenderam pela queda absurda de qualidade dessa série), Ugly Betty conseguiu entregar um dos melhores finais de temporada em 2008. Jump reuniu o que a série tem de melhor e foi centrado numa importante decisão de Betty: vai para Roma com o Gio (opção que tem minha torcida) ou para Tucson com o irritante Henry? A pergunta acabou não sendo respondida, o que me deixou um pouco ansioso para a próxima temporada. O grande destaque mesmo foi o jogo da Mode contra a ELLE, com vitória para a primeira - liderada por Wilhelmina, que devido a estúpida decisão de Alexis ocupa agora o cargo de editora-chefe no lugar do Daniel (que por sua vez descobriu ser pai, algo que deve balançar sua vida sem graça daqui para frente). Já Hilda descobriu que sua nova paixão é casado, o que é uma pena (afinal ela sofre mais do que todo mundo nessa série, ganha até da Betty). Muito legal as participações da Naomi Campbell e Lindsay Lohan, apesar dessa última não aparecer nem por um minuto – mas já é aguardada sua presença em episódios futuros. Um belo final para uma temporada altamente decepcionante.





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Após as duas horas de duração de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (que passam mais rápido do que o imaginado), chegamos a conclusão que não foi uma má idéia de Steven Spielberg e George Lucas em trazerem o herói de volta ao cinemas. É sim inferior à trilogia original (que inclui a obra-prima Os Caçadores da Arca Perdida), mas até para quem não tinha tantas expectativas esse quarto capítulo faz um belo resgate das aventuras anteriores e não chega a decepcionar em momento algum. Quase vinte anos depois de A Última Cruzada, vemos Indy se envolver numa trama em plena Guerra Fria, numa trama que envolve agentes soviéticos (liderados pela perigosa Irina Spalko, papel de Cate Blanchett) e a descoberta de um objeto poderoso que em mãos erradas pode causar uma grande destruição. Nesse contexto, ainda há espaço para a entrada do jovem Mutt (Shia LaBeouf) na trama, bem como o retorno de uma antiga paixão de Indiana, Marion (Karen Allen). Por mais que existam alguns problemas de roteiro - as falhas são visíveis e David Koepp parece não se importar tanto -, O Reino da Caveira de Cristal é uma aventura aos velhos moldes, portanto pode ser compreendida de forma equivocada por aqueles que buscam explicações para cada aspecto da trama.
Como não poderia deixar de ser, Spielberg realiza mais um trabalho perfeito quanto à técnica, especialmente no que diz respeito ao trabalho de direção de arte comandado por Guy Dyas. A riqueza de detalhes é impressionante e a fotografia do veterano Janusz Kaminski contribui para o resultado visualmente impecável, tudo ao som das clássicas composições de John Williams. E mesmo que não abuse dos efeitos visuais como muitos afirmaram, talvez esse seja o ponto mais decepcionante aqui, especialmente em uma cena de luta em movimento com Blanchett e LaBeouf - parece até que foi finalizada às pressas, o que facilmente é relevado. Harrison Ford, que parecia um pouco velho para o personagem, retoma muito bem a personalidade do herói, enquanto Blanchett é o destaque absoluto como a vilã. Esse novo Indiana Jones pode parecer um pouco ultrapassado em relação às suas inacreditáveis seqüências de ação, mas é necessário lembrar que desde a década de 80 o número de imitações que surgiram da série beira o absurdo, então somente o fato de O Reino da Caveira de Cristal conseguir surpreender o espectador em alguns momentos já é algo a se comemorar. Por mais que não se equipare aos originais (é válido comentar que chega bem perto de O Tempo da Perdição), não deixa de ser mais um trabalho de alta qualidade do Spielberg.





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[CINEMA] Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull, Estados Unidos - 2008. De: Steven Spielberg. Com: Harrison Ford, Cate Blanchett, Karen Allen, Shia LaBeouf, Ray Winstone, John Hurt, Jim Broadbent, Igor Jijikine, Alan Dale. 124 min. aventura.
AVISOS Geralmente não faço isso aqui no blog, mas recomendo as críticas publicadas pelo Gustavo, Otavio, Kamila e Anderson, as quais trazem questões de grande interesse que não foram discutidas nesse meu comentário sobre Indiana Jones. E outro aviso é que o pessoal do Cinemateque publicou outra série nessa semana, dessa vez com as estréias de diretores no cinema.

Ao passo que Vestida Para Casar não se diferencia de uma dezena de comédias românticas que têm o casamento como seu principal tema, é impressionante sua capacidade de divertir o espectador mesmo com situações pouco originais. Escrito pela roteirista de O Diabo Veste Prada (sem dúvida uma das maiores responsáveis pela qualidade desses dois filmes), a história é centrada na romântica Jane (Katherine Heigl, se especializando nesse tipo de produção), cuja vida é dedicada a planejar o casamento de outras mulheres com a esperança de um dia ter seu próprio momento no altar. Tudo muda quando sua irmã Tess (Malin Akerman) começa a se interessar pelo chefe de Jane, sem saber que trata-se de seu grande amor. Nesse contexto, surge Kevin (James Marsden), repórter que pretende realizar uma matéria inesquecível sobre toda a situação. A diretora Anne Fletcher (que havia comandado apenas o regular Ela Dança, Eu Danço) conduz a trama de maneira bastante segura e sabe tirar o melhor do que o gênero já apresentou, incluindo uma ótima seqüência musical com Heigl e Marsden.
Claramente inspirado em O Casamento do Meu Melhor Amigo, Vestida Para Casar ainda chama a atenção por seu elenco totalmente apropriado para seu estilo. Katherine Heigl, mais conhecida pela série Grey’s Anatomy (papel que já lhe rendeu um Emmy), oferece uma performance tão encantadora quanto aquela observada em Ligeiramente Grávidos, ainda que suas duas personagens apresentem grandes diferenças. Já James Marsden continua sua excelente fase com um tipo de galã aos velhos moldes, chegando a ser o melhor aspecto do filme. Outro detalhe que merece destaque é a seleção feita para trilha sonora, a qual inclui canções de Amy Winehouse, Feist, Corinne Bailey Rae e James Morrison. 27 Dresses apresenta um tipo de cinema que geralmente encontra seu público certo: é a típica história da garota sempre deixada de lado que acaba encontrando a verdadeira felicidade ao final. É tão clichê que certamente não agradará a todos, mas sem dúvida é uma das experiências mais divertidas que tive nos cinemas nesses últimos meses.





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[CINEMA] 27 Dresses, Estados Unidos - 2008. Direção: Anne Fletcher. Com: Katherine Heigl, James Marsden, Judy Greer, Edward Burns, Malin Akerman, Melora Hardin, Maulik Pancholy. 107 min. comédia romântica.

Representando o que há de melhor no cinema europeu, o vencedor da Palma de Ouro em Cannes 2007 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias é um trabalho forte e verdadeiro do romeno Cristian Mungiu. Nesse que é apenas seu segundo longa-metragem, o diretor mexe com o espectador de uma maneira que alguns veteranos nunca conseguiram. O centro da história acompanha um dia na vida de Otilia (a revelação Anamaria Marinca), cuja colega de quarto Gabriela (Laura Vasiliu) se prepara para fazer algo que mudará sua vida daí para frente. Com a ajuda de um homem chamado Bebe (Vlad Ivanov, sério candidato a melhor ator coadjuvante do ano), ela pretende realizar um aborto com quase cinco meses de gestação - o título é uma referência direta a isso. Aqui, a trama de difícil aceitação não é desculpa para lições de moral, muito pelo contrário, uma vez que toda a polêmica situação tem um contexto em aberto que favorece a compreensão dos espectadores.
Mesmo que os momentos dramáticos sejam de grande força (especialmente uma das cenas finais entre as duas amigas, no banheiro de um hotel), 4 Meses também é um notável suspense na medida em que ficamos apreensivos com a possibilidade das personagens serem descobertas pela prática ilegal em seu país ou ainda algo relacionado ao próprio aborto. Não é um cinema de grandes qualidades técnicas (mesmo com seu trabalho de fotografia e montagem servindo perfeitamente para a proposta da trama), mas é diferente da maior parte dos ‘filmes de arte’ vistos atualmente - que muitas vezes fazem questão de serem chamados dessa forma. Além do desempenho excepcional de Vlad Ivanov, o destaque óbvio fica para a comentada performance da estreante Anamaria Marinca, que com ajuda da câmera de Mungiu faz com que o espectador entenda seu drama e como toda aquela situação está sendo mais complicada para ela do que para a própria amiga que fará o aborto. 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias não é uma surpresa, apenas a confirmação de como o cinema dito estrangeiro tem muito a oferecer.





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[CINEMA] 4 Luni, 3 Saptamâni si 2 Zile, Romênia - 2007. De: Cristian Mungiu. Com: Anamaria Marinca, Laura Vasiliu, Vlad Ivanov, Alexandru Potocean, Ion Sapdaru, Teodor Corban, Tania Popa, Doru Ana. 113 min. drama.

Baseado em fatos reais (e no livro Savage Grace, de Natalie Robins e Steve M.L. Aronson), Pecados Inocentes conta a história de Barbara Daily (Julianne Moore), que após uma carreira fracassada em Hollywood se casou com o rico Brooks Baekeland (Stephen Dillane, de As Horas), com o qual teve um único filho. O ponto central desenvolvido pela trama é a relação entre Barbara e o garoto Tony, vivido pelo ótimo Barney Clark quando criança e a revelação Eddie Redmayne já na fase adulta. O diretor Tom Kalin (que não filmava um longa-metragem há quinze anos) alcança uma densidade impressionante nesse que é apenas seu segundo trabalho, mas isso se deve mais à trama original do que ao seu desempenho. Não é uma história fácil, pois a cumplicidade entre mãe e filho foge do convencional e tem conseqüências irreparáveis - para aqueles que conhecem o famoso caso, sabem que não termina nada bem -, fato pelo qual é uma fita alternativa de pouco alcance, não devendo chamar a atenção do grande público.
Julianne Moore, que vinha se dedicando a projetos discutíveis como O Vidente, parece colocar sua carreira novamente nos eixos com esse trabalho de grande força. A excentricidade de sua personagem contribui para o resultado, mas claramente não cairia tão bem nas mãos de outra atriz. Ainda assim, também merece destaque o trabalho sem muitos exageros de Eddie Redmayne, o qual desenvolve de forma inesperada a relação de amor e ódio com Moore no longa. O que realmente incomoda é essa aura de “filme de arte” que o diretor imprime até mesmo quando não é necessário. É notável o trabalho técnico, especialmente no que diz respeito aos belos figurinos da estreante Gabriela Salaverri e à música do competente Fernando Velázquez (que recentemente também entregou composições memoráveis em O Orfanato). Contudo, ainda que a trama seja de difícil aceitação, Pecados Inocentes não é um filme que permanecerá por muito tempo com o espectador.





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[CINEMA] Savage Grace, Espanha - 2007. De: Tom Kalin. Com: Julianne Moore, Stephen Dillane, Eddie Redmayne, Hugh Dancy, Elena Anaya, Anne Reid, Belén Rueda, Barney Clark. 97 min. drama.

Filmes baseados em quadrinhos clássicos já podem ser considerados como parte de um gênero que ganhou grande destaque nessa década graças às adaptações da Marvel. Em meio a alguns projetos equivocados (sendo a série Quarteto Fantástico o maior deles), Homem de Ferro está entre as melhores fitas da produtora até o momento. Não que o filme de Jon Favreau tenha algo de inovador (pelo contrário, até parece um pouco “careta”), mas certamente encanta por sua simplicidade - e olha que essa palavra não é muito usada para descrever produções com orçamento acima dos 100 milhões. Justamente por não ser um filme tão aguardado é que Homem de Ferro surpreende e pode ser comparado ao primeiro Homem-Aranha. A história funciona basicamente para apresentar a dia a dia de Tony Stark (Robert Downey Jr., ótimo), grande fornecedor de armas que sofre um acidente e é preso em um cativeiro com a função de produzir uma arma de destruição em massa. É então que muda sua visão após perceber que sua empresa é responsável por milhares de mortes.
Aqui, vários coadjuvantes se destacam. Temos uma adorável Gwyneth Paltrow (coisa bastante rara em sua carreira) como a ajudante de Stark, Jeff Bridges convencendo completamente no papel do misterioso Obadiah Stane e ainda Terrence Howard como um militar que é o principal amigo de Stark. Além disso, Homem de Ferro já traz os melhores efeitos visuais do ano até o momento, certamente um candidato a ser considerado nessa categoria na temporada de premiações (até porque eles não são utilizados de forma exagerada, tendo um papel fundamental para a história). Entretanto, nada supera a atuação de Robert Downey Jr. O ator, que teve excelentes trabalhos no último ano com Zodíaco e Santos e Demônios, finalmente ganhou o posto de protagonista em uma grande produção e não decepciona em momento algum. Grande parte do sucesso comercial do filme se deve à sua performance e por isso mesmo ele deve ser visto já com uma certa ansiedade pela continuação.





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[CINEMA] Iron Man, EUA - 2008. Direção: Jon Favreau. Com: Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow, Jeff Bridges, Terrence Howard, Leslie Bibb, Shaun Toub, Faran Tahir, Clark Gregg. 126 min. aventura.

Após um certo tempo dirigindo filmes de pouco prestígio, Woody Allen prova com O Sonho de Cassandra que a excelente fase iniciada com Match Point (ou mesmo Melinda e Melinda, o qual já era um belo trabalho) não é passageira. Ainda é possível se surpreender com a capacidade de Allen em criar histórias pouco comuns e personagens mais que interessantes, algo que pouquíssimos cineastas conseguem fazer. Conhecido por criar perfis femininos brilhantes em suas comédias românticas, o diretor novamente se arriscou ao colocar como protagonista de seu longa duas personalidades masculinas, algo já visto em Match Point. Assim como naquela obra-prima, a trama se inicia de forma bem rotineira e aos poucos ganha um contexto mais dramático, algo que até então era pouco comum à sua carreira. Ian (Ewan McGregor, ótimo como de costume) e Terry (Colin Farrell, melhor do que imaginava) são dois irmãos que desejam mudar suas vidas de alguma forma, requisitando uma ajuda financeira do seu tio Howard (Tom Wilkinson), o qual promete dar o dinheiro desde que eles cumpram uma tarefa inusitada.
Assim como em outras fitas do diretor, O Sonho de Cassandra (nome de um barco comprado pelos irmãos logo no início do filme e que tem importância fundamental para a trama) é repleto de surpresas e contar mais do que isso pode estragar boa parte da diversão. Assim, é possível comentar que além do excelente trabalho de roteiro, Allen realiza outro filme com aspecto técnico impecável. Aparentemente ele não se importa tanto com essa parte, mas a cada nova cena o espectador percebe como a montagem de Alisa Lepselter é essencial para o impacto de determinadas seqüências, isso sem falar no maravilhoso uso da música (de Philip Glass, em mais um trabalho brilhante). Contando com um elenco impecável (Tom Wilkinson é o maior destaque em pequena participação), O Sonho de Cassandra ainda entrega um final pouco esperado e diferente de tudo aquilo que já vimos do diretor. Certamente não agradará a todos, mas sua coragem impressionante faz com que seja um dos cinco melhores filmes do ano até o momento.





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[CINEMA] Cassandra’s Dream, Reino Unido - 2007. De: Woody Allen. Com: Ewan McGregor, Colin Farrell, Tom Wilkinson, Sally Hawkins, Hayley Atwell, Ashley Madekwe, John Benfield, Clare Higgins. 108 min. drama.
Alerta de SPOILER: os comentários contêm revelações sobre os episódios
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American Idol
S07E33 Top Six Finalists Perform (and Results)
Confesso que não sou fã do Andrew Lloyd Webber e já esperava pela noite mais brega dessa edição até esse momento. Felizmente, tivemos grandes performances (mesmo com as composições exageradas e bem teatrais). O que realmente me deixou chateado é que Syesha Mercado (maravilhosa com “One Rock & Roll Too Many”) e Carly Smithson (que teve um de seus melhores momentos no programa com “Jesus Christ Superstar”) ficaram no bottom 2 mesmo sendo as melhores da noite. Enquanto isso, Brooke White e Jason Castro escaparam mesmo com performances medíocres. A primeira até que não foi tão ruim, mas somente pela falta de profissionalismo ao parar a música em seu início já deveria ser eliminada. Já Castro é aquela coisa sem graça de sempre, como se qualquer música pudesse ser tocada num luau. Assim, é torcer para que tanto o D. Cook como o D. Archuleta cheguem à final, uma vez que são os melhores competidores masculinos dessa edição. E com Carly eliminada, alguém duvida que é bem capaz do Castro ser o vencedor dessa edição?





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Grey’s Anatomy
S04E13 Piece of My Heart
Para quem já tinha perdido as esperanças com Grey’s Anatomy, aí vai um belo recado: definitivamente a série voltou ao seu melhor tempos! Piece of My Heart não só foi o melhor episódio da temporada, como também está entre os mais memoráveis que vi na história da série. A volta de Addison ao Seattle Grace não poderia ser em melhor hora. A doutora percebe que muita coisa mudou desde que ela saiu do hospital e não acredita na separação do Derek com a Meredith. Enquanto isso, Izzie (Katherine Heigl, cada vez melhor) tem um caso realmente relevante quando tenta convencer uma gestante portadora do HIV a ter seu filho. Apesar da grande atuação da atriz, o melhor momento foi protagonizado pela Chandra Wilson, que dessa vez não tem como perder o Emmy. Quanto ao alívio cômico, nada supera a cena do elevador, uma das mais engraçados que já vi em Grey’s. Grande episódio, torço para que a série continue nesse ritmo.





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House
S04E13 No More Mr. Nice Guy
Episódio de volta da greve e que assim como ocorreu na maioria das séries foi o mais fraco da temporada. Começando com uma greve de enfermeiras no hospital (pareceu até um recado dos roteiristas), doutor House tenta desvendar um caso incomum (para variar) de um homem que tem um excesso de simpatia, uma vez que não fica nervoso em situação alguma. House mais uma vez brinca com seus “subordinados” e faz crer que também tem sífilis assim como seu paciente, fato pelo qual seria tão mal-humorado. Na verdade essa foi a única parte interessante do episódio, já que os joguinhos de ciúme do doutor com o Wilson e a Amber são mais do que cansativos. O mesmo pode ser comentado em relação à Cuddy e as avaliações de desempenho. Mais uma vez, o caso médico foi mais interessante do que todo o resto.





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How I Met Your Mother
S04E17 The Goat
Nunca gosto dos episódios em que algum dos cinco amigos briga com outro e nesse The Goat não foi diferente. É claro que esperava um momento de raiva do Ted após descobrir que o Barney dormiu com a Robin, mas não esperava que ele ficasse tão chateado assim. Enquanto Neil Patrick Harris entregou outra grande atuação tentando encontrar uma brecha no seu “código de irmãos”, a história com a cabra da Lily não foi tão divertida como eu esperava. É por isso que How I Met Your Mother é uma série de altos e baixos e talvez essa seja sua temporada mais fraca até o momento, ainda que de vez em quando apresente excelentes episódios como Dowisetrepla e Sandcastles in the Sand (depois desse capítulo perfeito, foi estranho ver a forma como esse The Goat foi inferior).



