![[duplicidade]](http://i246.photobucket.com/albums/gg112/vinniciusp/Julho%202009/duplicidade.jpg)
Tony Gilroy deve ter se perguntado ao menos uma vez como poderia superar as expectativas em seu segundo trabalho de direção logo depois de obter um sucesso inesperado com sua fita de estréia. Quando escrevi sobre Conduta de Risco, comentei que provavelmente Gilroy era a maior revelação daquele ano, algo que foi confirmado de imediato – não é qualquer diretor estreante que é indicado ao Oscar. Duplicidade foi vendido como um romance de espionagem que aparentemente não passaria de uma trama fácil de atrair multidões, em especial devido ao apelo de seus protagonistas. Para minha surpresa, o longa não só traz as características que fizeram de Michael Clayton um grande filme (montagem ágil e não linear, diálogos espertos e um elenco de fazer inveja), como é superior a qualquer coisa lançada no primeiro semestre americano – à exceção, talvez, de vocês sabem qual filme. A cena dos créditos iniciais (que já demonstra bem seu estilo nem humorado) traz Tom Wilkinson e Paul Giamatti discutindo ao ponto de começar ao brigar, tudo por causa da rivalidade entre suas empresas. Em seguida conhecemos os sedutores espiões interpretados por Clive Owen e Julia Roberts, que veem tal disputa como uma oportunidade perfeita para ficarem milionários. Entretanto, como muitos podem desconfiar, nenhum plano é totalmente perfeito.
Gilroy sabe como conduzir uma trama extremamente interessante do começo ao fim, que encanta de imediato quando vemos diálogo entre os protagonistas exatamente igual ao que ocorreu numa cena anterior, somente modificando o local onde ocorre essa ação. É um filme construído aos poucos, que em vez de percorrer o caminho menos complicado e entregar tudo ao espectador, prefere ir revelando aos poucos os detalhes que constituem uma grande conspiração e que por isso mesmo resulta memorável. John Gilroy, novamente trabalhando com o irmão, tem outro grande trabalho de montagem, o qual pode deixar o espectador confuso às vezes, porém sabe lidar com os flashbacks de maneira impecável – e o mesmo pode ser comentado em relação à fotografia de Robert Elswit e à trilha de James Newton Howard, todos repetindo a excelência de Conduta de Risco. Ainda com atuações marcantes (os coadjuvantes Wilkinson e Giamatti estão especialmente bem, enquanto a química entre Owen e Roberts é perfeita), fica complicado explicar porque exatamente Duplicidade não foi um hit de bilheteria. O desfecho pode ter contribuído para isso, mas prefiro pensar que o grande público não estava preparado para uma história extremamente inteligente e nem sempre otimista logo nesses tempos de crise.





- – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - -
[CINEMA] Duplicity, Estados Unidos – 2009. De: Tony Gilroy. Com: Julia Roberts, Clive Owen, Tom Wilkinson, Paul Giamatti, Tom McCarthy. 125 min. romance.


15 comments
Comments feed for this article
Julho 4, 2009 às 7:06 am
•. Cℓєвєя! .
Apesar de Gilroy ser um dos novos nomes mais interessantes, acho que errou feio na escolha de seus protagonistas, uma vez que em seu filme anterior escalou um elenco surpreendente, devido a isso ‘Duplicidade’, não passa apenas de mais um filme.
Julho 4, 2009 às 7:53 am
Bruno Soares
Achei uma delícia de sessão, Vinícius. Ri demais com os créditos iniciais, me encantei com os diálogos (e seus atores) e adorei desatar o nó feito pelo Gilroy.
Abs!
Julho 4, 2009 às 7:56 am
Bruno Soares
PS:. Foi uma dureza o desafio ontem, né? Eu mesmo só consegui visualizar depois de uns 20 minutos. Mas foi ótimo mesmo assim. Parabéns!
Julho 4, 2009 às 10:00 am
luis galvão
quando eu fui ao cinema, [e não sabia o que vê] fiquei na dúvida se viria Duplicidade, mas depois que vi Clayton era o diretor, obriguei a todos que estavam comigo a assitir. eles não gostaram muito. Eu adorei. Essa forma não-linear de contar a história me empolga, a trilha é ótima. tudo é perfeito, equilibrado e apaixonante. julia e owen na química geral. É um ótimo filme, para ser de espião. e como você disse, só não fez sucesso porque ele é inteligente. /)
Julho 4, 2009 às 11:15 am
Vinícius P.
Cleber. As atuações de “Michael Clayton” sem dúvida foram as melhores de seu ano, mas cada filme é um caso diferente. Acho que o elenco de “Duplicidade” corresponde muito bem à proposta do filme, inclusive considero uma das melhores atuações do Giamatti.
Bruno. Sempre é muito bom quando esse tipo de filme não cai no óbvio, adorei seu estilo diferenciado. E o desafio foi complicado mesmo, culpa do WordPress que prejudicou em muito toda a coisa. Mas obrigado por participar! ;-)
Luis. Haha, essa é exatamente a reação que o público comum deve ter ao filme mesmo. Ótimo você ter enxergado em “Duplicidade” um dos melhores desse ano.
Julho 4, 2009 às 12:25 pm
Pedro Tavares
Gilroy faz toda a diferença pra Duplicidade. Ele sabe como conduzir a história e ligar elementos sem que pareça piegas. Mesmo caso do ótimo Conduta de Risco. Pra mim o romance poderia ser descartado, mas, faz vender né?
Julho 4, 2009 às 2:05 pm
Paulo Ricardo
Quero conferir Duplicidade,em Conduta de Risco Gilroy mostrou ao mundo do cinema que não era apenas o “Criador da Trilogia Bourne”,e sim um diretor que tinha algo a falar.Amparado pela atuação de George Clooney,a trilha de James Newton Howard e uma edição rápida o filme foi a grande surpresa de 2007.
Julho 4, 2009 às 2:48 pm
Jeniss Walker
vi esse em cartaz nos cines daqui. mas achei melhor esperar para ve-lo em DVD. deve ser ótimo o filme.
abraço :)
Julho 4, 2009 às 6:20 pm
Vinícius P.
Pedro. Na verdade eu gostei do romance também, acho que a ótima química entre Roberts e Owen contribuiu pra isso.
Paulo. E mesmo eu preferindo “Conduta de Risco” (provavelmente meu favorito daquele Oscar, perdendo apenas para “Sangue Negro”), em “Duplicidade” o Gilroy dá uma amostra ainda maior do que é capaz.
Jeniss. Em DVD ou nos cinemas, não deixe de conferir “Duplicidade” ;-)
Julho 4, 2009 às 9:27 pm
Gustavo H.R.
Vinícius, você foi um dos que me fez abrir os olhos para Gilroy com sua crítica do ótimo MICHAEL CLAYTON. Não hesitarei em confiar novamente numa coincidência de opiniões!
Julho 6, 2009 às 12:04 am
Fred Burle
Nossa, é a primeira crítica realmente positiva que leio sobre esse filme. Geralmente julgam-no como mediano.
Só não vou seguir a dica porque eu detestei Michael Clayton, achei um filme extremamente enfadonho, apesar de dar o braço a torcer de que era uma boa produção.
Talvez veja Duplicidade em dvd que já estará de bom tamanho.
Julho 6, 2009 às 1:32 am
Paulo Ricardo
Vinicius,nessa madrugada li todos os posts Comentando o Oscar.Na qual você comentou as edições de 1998 a 2007.Não vou me estender porque essa coluna é sobre o filme Duplicidade.Posso dizer que concordo com a maioria das suas criticas,sobre os vencedores(inclusive a injustiça em relaçõa a Brockeback Mountain,apesar de achar que Crash é um belo trabalho de Paul Haggis).Mas uma coisa me chama a atenção,você tem a mesma admiração pelo Paul Thomas Anderson,que eu tenho pelo Walter Salles.Embriagados de Amor foi massacrado pela critica e você o citou como candidato ao Oscar.E o pior trabalho de Walter Salles(pelo menos para os criticos)eu adoro,que foi Agua Negra,bela atuação de Jenniffer Connely,Fotografia para o Afonso Beato e Trilha Sonora.O resto Walter Salles só fez Obra Prima(sim,obra-prima filmes 5 estrelas)Central do Brasil,Diários de Motocicleta e Linha de Passe.Já me estendi,mas resumindo,esse quadro Comentando o Oscar,é sensacional.Abraço.
Julho 7, 2009 às 6:57 pm
Dewonny
Ainda ñ vi, q todo mundo tá falando bem, o q só aumenta meu interesse, adorei Conduta de Risco!
Abs! Diego!
Julho 7, 2009 às 8:25 pm
Vinícius P.
Gustavo. Que bom! Não sei ao certo se deve gostar do filme, mas acredito que a probabilidade é alta, rsrsrsrsrs.
Fred. Puxa, “Michael Clayton” foi meu terceiro filme favorito em seu ano, gostei muito da estréia do Gilroy. “Duplicidade” segue a mesma linha e achei uma pena não ter sido tão reconhecido pela crítica e principalmente pelo público.
Paulo. Obrigado! Realmente é ótimo quando vejo que os textos antigos do blog não se perderam com o tempo, hehehe. Realmente tenho uma admiração pelo P.T. Anderson, com 2 filmes de 4 estrelas e 3 de 5. Do Walter, sou apaixonado por “Central do Brasil”!
Dewonny. “Conduta de Risco” é muito bom mesmo e “Duplicidade” também. ;-)
Agosto 29, 2009 às 4:06 pm
Luís
Eu ainda não assisti a esse filme, mas lançou recentemente no cinema de minha cidade e, como ainda está em cartaz, vou aproveitar a oportunidade para conferir.
Gostei do seu Blog, rapaz. Muito interessante.
;)