“Baz Luhrmann criou um dos melhores filmes australianos da história”. É assim que Ben McEachen, crítico da Empire, encerra sua review sobre o mais novo trabalho do diretor de Moulin Rouge. Com toda atenção voltada para a primeira exibição do aguardado Austrália em seu país natal, os primeiros comentários da imprensa a surgirem são, no mínimo, favoráveis. As críticas dão conta que não se trata de um clássico instântaneo (isso realmente existe?) como muitos esperavam, mas apesar disso traz a marca de Luhrmann no que diz respeito à paixão e o deslumbre visual. “Risos, lágrimas, ação e um visual majestoso estão presentes nesse sumptuoso épico que tem a veia de E o Vento Levou e Lawrence da Arábia. Nicole Kidman encontrou o seu melhor papel”, completa McEachen. Como produção de maior orçamento da história do país (custou aproximadamente 130 milhões), Austrália parece ter a melhor produção técnica desse ano, com amplo destaque para a direção de arte de Catherine Martin e a fotografia de Mandy Walker. Do conceituado Hollywood Reporter, Megan Lehmann comenta que “esse audacioso épico de Baz Luhrmann é vibrante e apaixonante. Kidman entrega uma de suas mais envolventes performances, ocasionalmente retornando ao estilo cômico de Um Sonho Sem Limites.”

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Muitos apostavam que Hugh Jackman seria o grande sucesso do filme (não à toa acaba de ser eleito o homem mais sexy do ano pela People, tamanha que é a expectativa em torno de Austrália) e, mesmo entregando uma performance competente e charmosa como de costume, Nicole Kidman parece ter roubado as atenções para si. Criticada por seus últimos trabalhos (injustamente, por diversas vezes), a atriz de 41 anos entrega uma de suas melhores atuações através de uma composição que mistura seus melhores momentos no cinema. Frank Hatherley, do relevante Screen International, elogia essa tendência de Kidman em alternar momentos dramáticos com outros bem mais leves e até cômicos, além de sua química com Jackman. Se a longa duração é um problema para alguns, o crítico diz que “em meio a imagens deslumbrantes e a riqueza visual, a considerável duração faz parte daquilo proposto por Luhrmann. Quem mais se atreveria a tal excesso?”. Realmente, em um tempo em que os filmes milionários têm que render ao menos o triplo de seu orçamento, lançar uma obra com duração de três horas é para poucos diretores e Baz merece algum crédito por isso.

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Outra crítica a dar cotação de 4 estrelas em cinco (algo alcançado por poucas produções), Anne Barrowlcough, do britânico Times, afirma que “o longa tem todos os clichês esperados em produções australianas, de cangurus e Nicole Kidman a aborígenes, mas, contra as possibilidades, é atraente, belo e chega a tirar o fôlego”. Numa reação moderada, David Stratton do The Australian diz que “apesar dos seus defeitos – e certamente tem algumas falhas-, acredito que Austrália é um filme importante e impressionante. Kidman faz um ótimo trabalho, desenvolvido a partir da desajeitada e ingênua dama inglesa e a transforma numa personagem calorosa ao final.” Outro destaque que parece ser unânime (além da atuação de Nicole) é a performance do garoto de 12 anos Brandon Walters, cujo papel é de um dos principais aborígenes da fita. Oscar? Ao menos nos técnicos já parece ter presença garantida. Austrália estréia próxima quarta (26) no mercado americano (apenas em 23 de Janeiro no Brasil, depois da maioria dos países) e está pronto para uma bilheteria gigantesca de cinco dias de abertura – dentro do possível para o gênero, claro. Até lá, veremos se essa força inicial irá permanecer. *as fotos do post são da premiere em Sydney