Sem grandes destaques nesses últimos dois dias, a mostra competitiva do 65º Festival de Veneza foi encerrada com o aguardado longa The Wrestler, de Darren Aronofsky. Após as vaias para Fonte da Vida dois anos atrás, o novo trabalho do diretor fez enorme sucesso e já é considerado um dos favoritos ao Leão de Ouro (anunciado já amanhã). Segundo o UOL, a trama acompanha a trajetória de Randy “The Ram” Robinson (Mickey Rourke), um ex-campeão da luta livre. The Ram hoje vive num trailer, trabalha num supermercado para pagar as contas e tenta recuperar o sucesso de antigamente. Para quem não sabe, Rourke foi boxeador profissional na vida real e o tema da produção não poderia ser mais propício para o ator: assim como seu personagem, essa tentativa de retornar ao auge é algo evidente. Também é ótimo ver o Aronofsky chegando ao lugar de destaque que sempre mereceu, ainda mais depois das vaias injustas para seu último trabalho (Fonte da Vida pode até não ser um grande filme, mas artisticamente era digno de participar de qualquer festival). Veneza, que se constitui como o Festival de cinema mais antigo do mundo, chega ao fim de sua edição menos prestigiada, ainda com algumas boas surpresas incluindo The Wrestler. Dessa vez não farei previsões, mas confio nessa possibilidade de Aronofsky ser o grande vencedor do Leão de Ouro. Na foto, o diretor ao lado de Rourke e a bela Evan Rachel Wood.

Comentários da imprensa [•favorável; •desfavorável; •dividido]
• “Depois de muitos anos de fracassos profissionais, Mickey Rourke, tal como seu personagem, tem um grande retorno. O quarto filme de Aronofsky é uma história simples e brilhantemente contada, um ‘vencedor’ analisado por qualquer ângulo que seja.” Todd McCarthy [Variety]
• “O filme apresenta um notável trabalho por parte de Marisa Tomei e Evan Rachel Wood, mas o grande desempenho é de Mickey Rourke, seu melhor na carreira e pelo qual Aronofsky pode lhe conferir uma febre de prêmios como se viu com Ellen Burstyn em Réquiem para um Sonho.” Stephen Farber [The Hollywood Reporter]
• “Entregando a performance para qual Mickey Rouke nasceu, The Wrestler é um concorrente natual às premiações e deve agradar a audiência, sem nunca se sentir manipulado. É o filme mas convencional de Aronofsky, o que o coloca com chances de atingir um maior mercado internacional. Marisa Tomei também apresenta uma grande atuação.” Fionnuala Halligan [Screen Daily]
• “The Wrestler poderia tratar o tema da decadência do personagem de forma piegas, porém foi filmado à maneira do documentário e não se rende às fórmulas fáceis. Parece um forte concorrente ao Leão de Ouro.” Mariane Morisawa [UOL]
AINDA EM VENEZA…
The Hurt Locker: filme americano de Kathryn Bigelow (única cineasta na mostra competitiva), é uma produção forte e ambígua sobre a guerra do Iraque. A recepção foi fria por parte da imprensa, mesmo com o impacto relativo causado pelo longa. Por incrível que pareça é o preferido dos jornalistas italianos, mas em 2007 apostavam em No Vale das Sombras e não deu em nada. mais
Süt (Milk): mais um candidato turco a aparecer num importante Festival, o longa de Semih Kapanoglu também preocupa-se com a estética. Com planos longos, a obra representou um respiro cinematográfico numa seleção até então dominada por filmes quadrados e cheios de problemas. O concorrente cai no final, mas teve recepção favorável e pode surpreender. mais
Vegas: Based On a True Story: um dos quatro filmes americanos em competição, também agradou como os demais. Dirigido pelo iraniano Amir Naderi, faz parte de um cinema mais experimental, mostrando Las Vegas de uma forma única: os néons, o espetáculo, os cassinos, os hotéis. Ainda assim, seu estilo diferenciado não deve ser lembrado pelo júri. mais
Gabbla: do diretor argelino Tariq Teguia, confirma a tendência de Veneza com a falta de filmes e estrelas americanas e a escolha em apontar decididamente para os filmes autorais. Foi comparado a Antonioni pelos longos momentos de silêncio, câmera parada e enquadramentos do deserto em todas suas variantes. Ainda assim, não agradou e venceu pelo cansaço. mais
Il Seme della Discordia: apenas Birdwatchers agradou dentre os italianos selecionados. Esse quarto representante do país (dirigido por Pappi Corsicato) é uma comédia considerada primária e de mau gosto, ainda mais se comparada a filmes clássicos do gênero desse mesmo país. Foi a gota d’água dos grandes equívocos da seleção que decepcionou bastante em 2008. mais

15 comments
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Setembro 5, 2008 às 8:58 pm
Luciano Lima
\o/
Finalmente!
Agora eu estou com expectativas ainda maiores, porque, pelo seu texto, esse pode não apenas ser o filme que trará o devido reconhecimento a Aronofsky, como também aquele que pode ressuscitar a carreira de Rourke. Adorei saber que se trata de uma produção acessivel, isso pode calar a boca de muita gente que pegava no pé dos “devaneios” de Aronofsky.
E que venham os prêmios!
Setembro 5, 2008 às 11:57 pm
Rosebud é o trenó! » Noticias do Trenó
[...] – Darren Aronofsky e seu THE WRESTLER arrasam em Veneza. [...]
Setembro 6, 2008 às 1:58 am
Gustavo H.R.
Outra empolgante notícia, após a volta por cima de Demme.
Setembro 6, 2008 às 10:37 am
Marcus Vinícius
:O
Setembro 6, 2008 às 11:27 am
Kamila
Eu acho muito interessante quando vemos filmes, como “The Wrestler”, que chegam sem expectativa alguma e acabam surpreendendo. Acho que o novo longa do Darren Aronofsky pode, não só, abocanhar alguns prêmios em Veneza, como acabar chegando até o Oscar, que adora estas histórias de comeback! Já adicionei Mickey Rourke à minha lista de concorrentes ao Oscar 2009 de Melhor Ator. Veremos como ele se sai!
Setembro 6, 2008 às 12:00 pm
Vinícius P.
Luciano. Fiz o post já pensando em sua reação, afinal sabia que esse era o mais aguardado do Festival por você. “The Wrestler” fez um imenso sucesso, acho que sua premiação não ficará apenas em Veneza, como deve ir para o Oscar também – e quem sabe uma indicação para o Aronofsky.
Gustavo. Dois grandes diretores voltando a agradar à crítica ;-)
Kamila. Mickey Rourke também está nas minhas apostas após a ótima recepção de “The Wrestler” no Festival, realmente a Academia adora (e premia) esses retornos.
Setembro 6, 2008 às 3:23 pm
Marcel Gois
PUTZ, sério que ali do lado do Aronofsky é a Evan???? Cada dia mais linda!!! Juro que nem reconheci! Adoro o trabalho dela, btw, ela faz 21 anos amanha! Parabéns adiantado pra ela! =p E não, eu não sabia de cor, foi procurar mais ftos dela com o novo visual e achei a data! auhsaushuahush
Mas enfim, eu ainda nem vi “Fonte da Vida”, já me falaram bem do filme, assim como já li algumas coisas nada legais, mas vou assistir qualquer dia desses. Não tava sabendo desse “The Wrestler”, mas com tanta coisa boa a respeito, fiquei até curioso. =D
Setembro 6, 2008 às 3:56 pm
Rodrigo Fernandes
que vergonha nem sabia que teinha começado o festival de veneza.. e já terminou..rs… tô muito por fora de tudo..
Acho que vi esse “Fonte da vida” do Aronofsky, nem lmbro.. então não deve mesmo ter sido lá grande coisa… rs.. que bom que ele aprendeu… nada como alguem crescer.. evoluir…
além de levantar a moral também do Rourke.. além de ter levantado ele também, já que parece que frequentou academia pra ter um fisico legal pro filme, hehehe… é isso aí!! tomara que venha logo rpa cá..
Abraços, Viny!!!
Setembro 6, 2008 às 5:28 pm
Ibertson
Darren Aronofsky é um excelente diretor.
Adorei todos os seus três filmes, tendo uma verdadeira obra-prima entre elas (Réquiem para um sonho).
Quero ver bastante esse The Wrestler.
Setembro 6, 2008 às 6:00 pm
Vinícius P.
Marcel. A Evan tá linda mesmo, um mulherão que até achei estranho de tão diferente! Sem dúvida a recepção de “The Wrestler” foi um belo presente para ela, mais um acerto na sua carreira que nem é tão longa…
Rodrigo. Pois é, mas esse Festival de Veneza foi tão mal divulgado que isso não me surpreende. As estrelas americanas passaram longe do Festival, foram poucas que se arriscaram a acompanhar uma seleção pra lá de alternativa.
Ibertson. Também adoro os três filmes do Aronofsky, numa ordem decrescente de “Pi” > “Réquiem para um Sonho” > “Fonte da Vida”. Esse novo pode ser o melhor.
Setembro 6, 2008 às 7:22 pm
Rafael Carvalho
E não é que ele ganhou o Leão de Ouro? Li agora que The Wrestler do Aronofsky levou o prêmio máximo do Festival. Ótima notícia para um festival que desagradou a muitos jornalista e por premiar um dos grandes diretores da atualidade. Gosto de todos os seus trabalhos anteriores, em especial Réquiem para um Sonho.
Setembro 6, 2008 às 7:56 pm
Otavio Almeida
Que bom! Digo isso pq odiei THE FOUNTAIN. Tomara que THE WRESTLER seja sensacional! Parabéns pela cobertura, Vinis!
Abs! Bom final de semana!
Setembro 6, 2008 às 9:16 pm
Pedro Henrique
Sem dúvida uma excelente notícia. É muito bom ver Mickey Rourke mostrando serviço. O filme deve ser bom!!!
Abraço!!!
Setembro 6, 2008 às 9:48 pm
Vinícius P.
Rafael. Eu não posso esconder que achei isso ótimo! Para mim o Aronofsky já merecia um reconhecimento desse porte há um certo tempo, “The Wrestler” foi uma grande surpresa na minha opinião – até pelo fato de parecer muito diferente de tudo o que o diretor já apresentou.
Otavio. Ah, eu gosto de “Fonte da Vida”, apesar de preferir os outros dois do diretor. “The Wrestler” foi um grande sucesso, algo confirmado pelo Leão de Ouro.
Pedro. Mickey Rourke deverá aparecer nas premiações do fim do ano.
Setembro 8, 2008 às 9:17 am
Alex Gonçalves
Será se eu verei a minha querida Marisa Tomei sendo indicada nos principais prêmios de cinema no próximo ano?