Ainda é algo surpreendente, mas uma das conclusões que temos ao final de O Nevoeiro é que o diretor francês Frank Darabont sempre se dá muito bem nas adaptações de obras do Stephen King para o cinema. Foi assim com dois dos filmes mais representativos dos anos 90 (ao menos em termos de sucesso entre o público e premiações), À Espera de um Milagre e a obra-prima Um Sonho de Liberdade. Após um deslize com o bem intencionado Cine Majestic, o cineasta voltou seis anos depois com o suspense The Mist, mais uma adaptação de um clássico de King novamente com roteiro do próprio Darabont, que aqui fornece uma visão apurada sobre a obra em questão. A trama envolve um grupo de moradores de uma pequena cidade que são surpreendidos por uma misteriosa névoa que traz consigo criaturas de origem inexplicável. Apesar do esforço de alguns para tentar superar essa situação (“liderados” pelo personagem de Thomas Jane), muitos preferem levar tudo pelo lado místico e aumentam o caos no momento em que mais precisaram se acalmar. O que parece ser uma trama de horror simples (utiliza diversos recursos típicos de filmes desse estilo, com um clima constante de tensão), traz questões muito mais profundas e raramente observadas em produções do gênero.

Esqueça do sentimentalismo que transbordava em outros longas do diretor: O Nevoeiro é a fita de horror mais nervosa que o cinema viu em vários anos. Ao contrário do que possa se imaginar, Darabont é um excelente cineasta do gênero e por vezes cria situações que se tornam quase insuportáveis para o espectador. Com uma técnica extremamente competente e a performance inspiradíssima de Marcia Gay Harden (grande injustiçada do último Oscar), o longa assusta e ao mesmo tempo nunca cai em exageros que atestem sua qualidade. É a natureza humana sendo levada ao extremo para garantir sua sobrevivência frente ao desconhecido. Incrível como esse trabalho não foi tão reconhecido quanto suas outras adaptações, visto que o nível é o mesmo e ainda traz um desfecho chocante – corajoso, no mínimo, mas vou além e afirmo que é um dos melhores finais que o cinema já apresentou (e só a título de curiosidade, parece que é diferente daquele visto na obra original). De certa maneira caminhando contra os esquemas dos grandes diretores, Darabont parece se manter fiel àquilo que acredita ser válido para sua filmografia. As adaptações do Stephen King (que trazem algumas semelhanças, mas no geral oferecem diferentes reações nos espectadores) sempre serão bem-vindas, especialmente se forem tratadas de forma ousada como nesse O Nevoeiro, de tal forma a lembrar até mesmo o estilo Kubrick de cinema.

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[CINEMA] The Mist, Estados Unidos – 2007. De: Frank Darabont. Com: Thomas Jane, Marcia Gay Harden, Laurie Holden, Andre Braugher, Toby Jones, William Sadler, Nathan Gamble, Jeffrey DeMunn. 126 min. horror.