
Numa época em que a indústria do cinema nunca se encontrou tão escassa de novas idéias, a Pixar mostra que ainda é possível encontrar originalidade em algum blockbuster. Quem conhece os demais longas da produtora já sabia o que esperar de seu novo projeto, afinal ainda temos Ratatouille e Procurando Nemo figurando entre os melhores filmes da década. Contudo, com WALL-E, ela atingiu um nível que ultrapassa os limites da animação – e, a partir desse momento, acho que já não é mais justo limitar qualquer filme da produtora dentro dessa definição. Pode até parecer ironia um típico filme do verão americano (e que sem dúvida renderá milhões em bilheteria) criticar de forma tão efetiva a sociedade capitalista, porém ao final de WALL-E é praticamente impossível que alguém não tenha entendido que a sua mensagem é pura e verdadeira. E ainda que muitos tenham uma certa resistência ao gênero, certamente é uma obra que oferece uma visão maior do que aquela exposta por conceitos pré-definidos.
A trama de WALL-E começa por volta do ano de 2700, quando a Terra já é um lugar inabitável devido a toda poluição gerada apenas em busca do bem-estar humano. É então que conhecemos o pequeno robô que dá nome ao longa (Waste Allocation Load Lifters – Earth), cuja principal função é passar todo o dia recolhendo o lixo – mesmo que esse trabalho não seja muito necessário. Vivendo com a companhia de apenas uma barata de estimação, é possível observar desde o início um pouco de humanidade em WALL-E, que se encanta com coisas simples incluindo aquilo que os humanos costumavam fazer ainda na Terra – nesse sentido, perceba a beleza do momento em que ele assiste uma cena do clássico Alô Dolly!, com uma belíssima canção, “It Only Takes a Moment”, na voz de Michael Crawford. Sem esperar, conhece outro robô, Eve, cuja importância será fundamental para uma missão na nave Axiom, na qual os humanos têm uma existência incrivelmente assustadora.
Claramente WALL-E quis passar uma mensagem que já superou as maiores expectativas em torno desse belo projeto, o qual pode ser perfeitamente classificado como uma ficção científica. É incrível, então, justamente por esse fato, que a animação seja mais eficiente que uma dezena de outros filmes que se passam no espaço. Mais que isso, talvez seja o melhor panorama do futuro visto num filme em toda a história do cinema. Será mesmo que a Humanidade chegará a tal ponto um dia? WALL-E nos faz perguntar isso o tempo todo, tamanha é sua competência em termos de narrativa. Como já se foi muito comentado, o filme tem várias referências, sendo uma destas ao clássico 2001 – Uma Odisséia no Espaço a mais “pertinente”. Ainda assim, foi maravilhoso comprovar como o estilo de Charles Chaplin funciona perfeitamente aqui, uma vez que pelo menos os trinta primeiros minutos não apresentam diálogos.
Tecnicamente impecável (ainda que a mensagem seja mais forte que o visual), apresenta criações bastante impressionantes do futuro, bem como os típicos efeitos sonoros encantadores da Pixar. Certamente é um trabalho genial do Andrew Stanton tanto no roteiro como na direção, sendo possível também reconhecer a magia comparável a grandes clássicos do gênero. Sendo assim, nada é melhor do que a enorme contribuição da música de Thomas Newman (com contribuição de Peter Gabriel, inclusive na ótima “Down to Earth”) para o resultado. Com algumas das melhores composições dos últimos anos, a trilha capta de forma brilhante tudo aquilo que ocorre na tela e traduz da forma mais universal possível. Com um dos finais mais tocantes que já vi, não raramente alguns dos espectadores reconhecerão WALL-E como uma história de amor – e mais que isso: a prova definitiva que nós, seres humanos, somos capazes de produzir obras-primas como essa e por isso mesmo devemos preservar nossa existência na Terra.





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[CINEMA] WALL-E, Estados Unidos – 2008. Direção: Andrew Stanton. Com: Fred Willard. Vozes: Ben Burtt, Elissa Knight, Jeff Garlin, John Ratzenberger, Kathy Najimy, Sigourney Weaver. 103 min. animação.

30 comments
Comments feed for this article
Julho 7, 2008 às 10:59 pm
Eduardo
belo texto. então caí mas já levantei, obrigado pelas visitas.
Julho 7, 2008 às 11:10 pm
Marcel Gois
Vi WALL-E hoje e também adorei o que vi. Acho que é até redundante eu repetir que é tecnicamente impecável. A trilha é realmente ótima, trabalho genial mesmo. Eu dou a mesma nota.. 5 estrelas, não tem como dar menos.
Julho 7, 2008 às 11:23 pm
Alexsandro Vasconcelos
Cara, Wall-E está sendo bem mais repercutido do que eu pensei. Ainda não assisti, mas devo ver por essa semana, assim como O Escafandro e A Borboleta. Já vi gente dar 6 estrelas e nota 11 pra essa animação. A primeira resneha que li sobre ela foi no CCR e não foi favorável. Depois disso, veio uma enxurrada de ótimas críticas favoráveis. Preciso assistir.
Abração!
Julho 7, 2008 às 11:25 pm
Vinícius P.
Eduardo. Obrigado! ;-) E que bom que está bem, hehehe.
Marcel. “WALL-E” é maravilhoso, não? Saí encantado da sessão, inclusive posso afirmar com toda certeza que nunca chorei tanto vendo um filme. E espero que a Pixar ganhe seu primeiro Oscar de trilha sonora, o qual já merecia por “Ratatouille”.
Alexsandro. Engraçado aparecer mais de um filme 5 estrelas num curto período de tempo, mas “O Escafandro e a Borboleta” e “WALL-E” estão mesmo entre os cinco melhores filmes do ano. As notas ‘exageradas’ são mais que merecidas, pode acreditar! E quem não gostou do filme é porque não o entendeu, hehehe.
Julho 7, 2008 às 11:29 pm
Wally
Vini, ótima crítica! Eu amei essa animação, talvez quase tanto quanto você. Me deliciei com os momentos de humor, me deslumbrei com os aspectos técnicos e a profundidade de cada plano. Realmente não é uma mera animação e uma que não deve ser digerida como fast-food. É maravilhosa em todos os sentidos imagináveis e é provavelmente a minha preferida de todos os tempos. Sensacional!
5 estrelas.
Ciao!
Julho 8, 2008 às 12:00 am
Afonso Maia
Como já tinha dito, o filme é uma obra-prima! A Pixar conseguiu elevar o padrão dos seus filmes, de uma tal forma, que fiquei pensando, o filme é muito mais que uma animação, é sci-fi/ficção no qual nós nunca tinhámos visto antes! Tem uma magia que ultrapassa as gerações, e envolve o planeta inteiro com sua mensagem central, todavia WALL-E também é um romance dos mais lindos, sua obsessão por querer tocar as mãos da EVA é mágico! Além da sua relação encantadora com a sua baratinha! Não tenho dúvidas que WALL-E será a animação mais bem sucedida nas premiações, principalmente no Oscar. Também dou 5 estrelas, o que ainda é pouco perto da perfeição do filme!
Abraços, seu texto ficou excelente!
Julho 8, 2008 às 9:28 am
Hélio
A Pixar sempre consegue se superar. É impressionante e a questao que fascina é: O que virá depois?
Realmente, “Wall-E” é um espetaculo. Agora, lendo seu comentario aí em cima, nao tinha me tocado que a Pixar nunca ganhou o Oscar de trilha sonora. Que crime, hein?
Abraços!
(escrevi sobre o filme em meu blog, se puder, dê uma olhada)
Julho 8, 2008 às 9:44 am
Vinícius P.
Wally. Obrigado! ;-) Realmente “WALL-E” parece ser unanimidade, concordo plenamente com seu comentário. Acho que é justamente essa a diferença que as animações da Pixar apresentam: não podem ser comparadas a nada feito no gênero uma vez que atingem um nível muito superior.
Afonso. Exatamente! Funciona de uma ótima forma como ficção científica também, inclusive as referências a “2001″ são mais que acertadas, além de ser um belo romance como você comentou. Se pudesse daria 6 estrelas para esse filme, hehehe. No Oscar, acho que terá no mínimo 6 indicações, igualando o recorde de “A Bela e a Fera”. Abraço!
Hélio. A Pixar se supera a cada novo filme, mas se eles errarem na próxima produção (se é que isso é possível), eles estão completamente perdoados – afinal, já entregaram duas obras-primas em seguida. E a produtora nunca teve muitas chances em outras categorias que não melhor animação (apesar de “Monstros S.A.” ter vencido como melhor canção). Passarei no seu blog sim ;-)
Julho 8, 2008 às 10:13 am
Luciano Lima
Wall-E mexe com a gente tão forte que o resultado só poderia ser um texto belíssimo como esse. Adorei a passagem: “talvez seja o melhor panorama do futuro visto num filme em toda a história do cinema.” Durante o filme eu também o comparei, em termos de visão impactante do futuro da humanidade, com Filhos da Esperança.
O interessante é a reação de algumas crianças e como podemos perceber a formação de uma nova sociedade através deles. Numa pesquisa feita pelo jornal aqui de Brasília foram entrevistadas 5 (3 meninos e 2 meninas) sobre o que acharam do filme. Apenas uma delas respondeu que adoraria estar naquela cama e receber tudo através de robôs, dois disseram que começariam a fazer exercícios no dia seguinte (hehehehe). É prova de que a evolução das animações não sacrifica o entendimento infantil, muito pelo contrário, a evolução de nossas crianças que precisa ser acompanhada. A Pixar é mestre nisso.
Julho 8, 2008 às 10:26 am
Cassiano Sairaf
Eu não sou fã de desenhos, mas a Pixar é mesmo de arrebentar!
Julho 8, 2008 às 10:58 am
Mateus
Realmente é um filme muito legal! Gostei bastante da sua crítica!
Mas acho que vou ter que ver Wall-E de novo, pois não achei a história tudo isso que estão falando, mas pra tirar essa dúvida, melhor assistir novamente mesmo …
Julho 8, 2008 às 11:05 am
Vinícius P.
Luciano. Puxa, obrigado, fico muito feliz em saber que gostou do meu texto. Essa pesquisa é muito interessante, mostra que a Pixar foi além de qualquer outra produtora da área – até mesmo a Disney, uma vez que além das típicas lições para as crianças que encontramos nesse tipo de filme, “WALL-E” trata de uma questão mais séria e parece ter sido bastante efetiva sobre seu público alvo. Abraço!
Cassiano. Exatamente (nem sou muito fã de desenhos), até porque aquilo feito pela Pixar não pode ser considerado meras animações – especialmente no caso de “WALL-E”.
Mateus. Obrigado! Também devo rever “WALL-E” o quanto antes, espero que ainda no cinema – mas certamente já aguardo pelo lançamento do DVD, hehehe.
Julho 8, 2008 às 11:08 am
Cristiano
Uma obra-prima de fato. Simplesmente um dos melhores filmes de ficção de todos os tempos. Conseguiram tornar uma mensagem que de tão batida já está se tornando patética, em uma lição útil e fundamental para qualquer ser humano. Uma verdadeira história de amor, uma ficção de primeira, uma comédia inteligente, uma lição de vida. Seja lá qual for a descrição para esse filme, relevando suas qualidades, se encaixa perfeitamente. Um feito.
Julho 8, 2008 às 11:44 am
Robson Saldanha
Preciso ver esse filme urgente! Estou ‘cansado’ de ver tantos elogios, prefiro ver com meus próprios olhos! hehe
Julho 8, 2008 às 12:08 pm
Eric Fernandes
Belo texto. Sai da sessão encantado também. Fui de inicio revoltado pelo filme ser dublado (não! não vi nenhum trailer.. :O), mas aquele robozinho me encantou nos primeiros 5 minutos de filme.
Concordo com o Cristiano, o Stanton foi muito, muito competente em pegar um tema bastante saturado e transforma-lo em um tipo de espelho para um futuro bem próximo. “Ou vocês começam a agora ou não dará mais tempo”.
Brilhante.
Julho 8, 2008 às 12:10 pm
Vinícius P.
Cristiano. Exatamente, por isso é incrível perceber como essa animação da Pixar conseguiu ser mais eficiente que a maior parte das ficções científicas que já trataram sobre esse tema. A perfeita definição para obra-prima, sem dúvida.
Robson. Então veja, acho que nenhum filme desde “Ratatouille” é tão bom.
Eric. Obrigado! Realmente é complicado ficar indiferente a um filme como “WALL-E”, ainda que seja numa cópia dublada – o que nem prejudica tanto o resultado, especialmente pela pequena quantidade de diálogos. Brilhante mesmo!
Julho 8, 2008 às 12:13 pm
Tommy Beresford
Bela trilha, belo filme. Não me apaixonei tanto por Wall-E, para minha surpresa, não sei bem porque. Mas é inegável que é um excelente filme, vale a pena assistir.
Um abraço,
Tommy
http://cinemagia.wordpress.com
Julho 8, 2008 às 12:14 pm
Tommy Beresford
Era para eu ter dito “bela resenha” e disse “bela trilha”, vá entender… Coisa de quem está trabalhando demais. :)
Julho 8, 2008 às 1:33 pm
Matheus Pannebecker
Certamente um filme inesquecível, o melhor já realizado pela Pixar.
Merece muito mais do que um mero Oscar de animação…
Julho 8, 2008 às 3:20 pm
Kamila
Vinícius, parabéns pelo texto, que acho que é um dos maiores que você escreveu por aqui. “Wall-E” merece todas as linhas escritas. :-)
Concordo que os filmes da Pixar não devem mais se resumir ao gênero de animação. O que eles produzem é cinema, filmes que ficarão por um bom tempo, que serão vistos ao longo dos anos e redescobertos por novas audiências.
“Wall-E” é o melhor filme desse primeiro semestre e espero que seja reconhecido na temporada de premiações 2008-2009.
Julho 8, 2008 às 6:23 pm
Vinícius P.
Tommy. Nem precisa corrigir, hehehe – às vezes faço o mesmo tipo de ‘confusão’. Eu já esperava NÃO me apaixonar por “WALL-E”, afinal para mim era quase impossível admitir que a Pixar tinha superado o resultado alcançado com “Ratatouille” – na verdade, chegaram ao seu melhor trabalho.
Matheus. Penseo o mesmo que você. Dedos cruzados para mais de um Oscar!
Kamila. Obrigado! ;-) Geralmente não faço textos muito grandes, até porque não sou jornalista e não tenho tanta capacidade para passar dos dois parágrafos – portanto, é bom saber que o texto ficou bom, especialmente vindo de você. Acho que “WALL-E” pode manter as vitórias da Pixar na minha lista de melhores.
Julho 9, 2008 às 10:25 am
feliperezende
Bom, não tem como não comparar então lá vai: eu gostei muito mais de Ratatouille. O roteiro é melhor, as solução e o desenvolvimento tem um teor mais adulto e o Remy continua imbatível.
Mas Wall-E é muito bom. Gostei bastante da primeira meia-hora, até os primeiros momentos dele na Axiom. Depois acho que o filme perde um pouco do ritmo e da originalidade.
A trilha sim é um espetáculo. Sem dúvida uma das melhores dos últimos anos.
Julho 9, 2008 às 11:48 am
Weiner
Vinícius, assisti a “Wall-E” e digo que ele tem sérias chances de tirar o lugar de “Desejo e Reparação” como o meu melhor filme do ano. É absurdamente extraordinário, melhor ainda que “Ratatouille” – ou seja, acaba de assumir o posto de melhor animação de todos os tempos, e o filme de Remy cai para segundo.
É impossível não lhe conceder um 10, porque a perfeição técnica e de roteiro ultrapassa todas as expectaitivas e se firma como um alerta ao ser humano, e o cuidado que se deve dispensar ao mundo, desde já.
E o amor…
Este robôzinho ama com toda a intensidade do mundo.
Abraço!
Julho 9, 2008 às 1:08 pm
Rogerio Scheidemantel
Vinicius, belo texto rapaz. Concordo com tudo, mas ainda acho que a msg nao entrou para as crianças. Esse é um filme de adulto, quase um cult eu diria. É ficçao científica da melhor espécie. Ainda assim, fico com Carros como o melhor animaçao.
Abraço!!
Julho 9, 2008 às 6:20 pm
Pedro
Acho que só eu não vi ainda…
Julho 9, 2008 às 6:25 pm
Vinícius P.
Felipe. Não chego a discordar de você. Acho que “WALL-E” foi um pouco mais tocante para mim do que “Ratatouille”, mas ambos estão no mesmo nível. E, complementando, também acho que a solução em termos de roteiro do filme de Brad Bird é melhor, só me emocionei mais com esse aqui.
Weiner. “WALL-E” certamente é a melhor animação que já vi em toda a minha vida – assim como você, o cargo era anteriormente ocupado por “Ratatouille”. Incrível como conseguiram criar uma bela história de amor com robôs, maravilhoso!
Rogerio. Obrigado! ;-) Acho que dependendo da criança realmente a mensagem pode não ter sido passada de forma satisfatória, mas ao menos a Pixar tenta discutir questões relevantes ao contrário das outras produtoras.
Pedro. Então veja o mais rápido possível, hehehe.
Julho 14, 2008 às 10:34 am
Alex Sandro Alves
Olá Vinícius! Transcrevo aqui meu comentário publicado no blog da Kamila sobre ‘Wall-E’.
‘Wall-E’ tem o selo de qualidade da Pixar (tecnicamente é perfeito). Tem um personagem (o do título) magnífico e encantador. Mas merecia um roteiro melhor. Explico: Seu primeiro ato é genial. Uma explosão de criatividade. Sem diálogos e com uma atmosfera melancólica e poética. Mas infelizmente este encanto e clima se perde no seu segundo ato (que só cresce quando estão em cena apenas a dupla protagonista – o “balé” de Wall-E com o extintor é belíssimo), que privilegia a aventura e a “ação”. Sem falar que os personagens humanos e os robôs “coadjuvantes” não são tão inspirados quanto poderiam e deveriam ser. Isso não tira sua importância e ousadia (um desenho praticamente sem diálogos), mas a sensação que tive é que ‘Wall-E’ poderia de fato ter sido o desenho genial que todos (ou pelo menos a maioria) dizem ser.
Um grande abraço!
Julho 15, 2008 às 11:24 am
Cecilia
O filme é realmente maravilhoso! E é inovador desde o começo, quando transforma completamente a animação e consegue prender a atenção dos mais novos do mesmo jeito.
Sem falar que sabe como mexer com as emoções do expectador mais durão da sala, da perfeição da animação e, claro, da propaganda pró-Terra totalmente eficiente!
Excelente!
Agosto 3, 2008 às 4:59 pm
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