Já no seu segundo dia de competição, o 61º Festival de Cannes apresentou a animação Waltz with Bashir (ou Valsa com Bashir). O longa do israelense Ari Folman tem uma narrativa em forma de documentário que foi considerada inovadora, tendo certa semelhança com Persépolis (um dos maiores sucessos do Festival do ano passado) especialmente no sentido de trazer um tema complicado para um gênero tipicamente “infantil”. Outra semelhança é que novamente o diretor também é protagonista da fita, a qual tem como pano de fundo os conflitos no Oriente Médio. Folman é um soldado que se envolve na invasão ao Líbano no início dos anos 80, construindo um interessante painel histórico através de uma técnica de animação pouco convencional (já usado em alguns trabalhos do Richard Linklater, como o recente O Homem Duplo) que traz uma trilha de rock lembrando a época. Como afirmou o G1, o longa foi igualmente “indigesto” como Cegueira para ser exibido antes do jantar de abertura do Festival, mas ao contrário do filme de Meirelles, foi recebido com uma autêntica salva de palmas.
Comentários da imprensa [◊favorável ◊desfavorável ◊dividido]
◊ “Lidando com um ponto de vista muito pessoal sobre a incursão israelita no Líbano em 1982, este não só é um filme de anti-guerra tremendamente potente mas também uma acusação de moral formidável da conduta israelita naquele momento.” Dan Fainarua (Screen Daily)
◊ “Ari Folman parece conseguir se desvencilhar da sombra com um final inegavelmente potente que parece entender muito bem o significado e o peso de imagens, especialmente num filme que repensa toda uma idéia de documento.” Kleber Mendonça Filho (Jornal do Commercio)
◊ “Waltz with Bashir é imediatamente menos acessível que Persépolis, mas é muito diferente apesar das semelhanças quanto ao tema central. Com Folman na forma de narrador ‘entrevistando’ outros soldados, freqüentemente alcança resultados surpreendentes.” Leslie Felperin (Variety)
◊ “Sei não, mas fiquei com aquela impressão de que acabo de assistir a um dos possíves premiados do Festival de Cannes. E logo de cara!” Luiz Carlos Merten (Estadão)

Cannes Watch: É possível que Waltz with Bashir seja premiado com a Palma de Ouro, até porque o Spoiler confirmou que Sean Penn dará mais atenção aos filmes com tema político. Entretanto, por ser uma animação, acho mais provável repetir o prêmio do júri vencido por Persépolis no ano passado, ou mesmo o Grande Prêmio se tiver um pouco mais de sorte.
Já fora de competição, o destaque desse segundo dia é outra animação. Kung Fu Panda tem no elenco os astros Jack Black, Angelina Jolie e Dustin Hoffman e já recebeu uma crítica bastante positiva do Screen Daily (aqui), a qual afirmou que o filme tem todos os bons elementos para o entretenimento familiar e que apenas Wall-E tem chances de superá-lo como melhor animação dessa atual temporada. Ainda afirma que certamente será um dos filmes mais lucrativos do verão americano. Angelina Jolie, que está com Changeling em competição (novo longa do Clint Eastwood), novamente foi a grande sensação e se torna uma figura constante nesse tipo de evento – ano passado esteve com O Preço da Coragem no Festival. Aliás, não se fala de outra coisa na imprensa do que a confirmação que a atriz está grávida de gêmeos. Os três astros foram um dos destaques de Cannes logo cedo, sendo que Angelina também compareceu à abertura ontem de noite – na qual Cegueira recebeu cinco minutos de aplausos, sem dúvida uma recepção bem melhor do que aquela observada na sessão para a imprensa.


8 comments
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Maio 15, 2008 às 12:23 pm
Robson Saldanha
Talvez nem tenha sido tão indigesto assim o primeiro longa. Só cometários favoráveis. Sem bem que nem sempre isso determina a qualidade do trabalho. Achei tão fraquinho o trailer de Kung Fu Panda que nem sinto vontade de vê-lo.
Maio 15, 2008 às 2:28 pm
Luciano Lima
Kung Fu Panda minha segunda animação mais aguardada. Fiquei louco pra ver depois de soube da participação de Jack Black.
Maio 15, 2008 às 3:30 pm
Kamila
Cannes, nos últimos anos, têm sido muito receptivo ao cinema de animação. Achei legal a história do filme em competição, mas confesso que, mesmo antes de estrear, já não aguento mais o tal do “Kung Fu Panda” só por causa das vinhetas que passam no Cinemark antes de cada filme. De qualquer maneira, a foto que ilustra a parte de baixo do post com Angelina Jolie, Dustin Hoffman e Jack Black é um barato!!
Maio 15, 2008 às 7:34 pm
Vinícius P.
Robson. Tirando pelo exemplo de “Persépolis”, por mais ‘indigesta’ que a trama fosse, sempre há um certo charme que apenas as animações passam, por isso que a recepção foi melhor do que a de “Blindness”. Não estava com muita vontade de ver “Kung Fu Panda”, mas as primeiras reações indicam que é um bom filme.
Luciano. O Jack Black é muito engraçado e deve ser o destaque desse filme.
Kamila. Também acho que as animações têm tido grande destaque, fato pelo qual “Waltz with Bashir” tem alguma chance de vencer os principais prêmios em competição. E “Kung Fu Panda” teve uma recepção melhor que a de “Bee Movie” no ao passado. Quanto à foto, acho que é ótima pois foge do convencional no Festival.
Maio 15, 2008 às 8:03 pm
Rafael Carvalho
As animações tem mesmo conquistado o festival, é uma forma de incentivar a produção de mais filmes como esse, mas nem todos voltados ao público infato-juvenil, como foi o caso de Persépolis (na competição ano passado) e esse Bashir. Temas de alto teor político e social. Inclusive, a diretora de Persépolis, Marjane Satrapi, compõe o júri esse ano, então não aventria a possibilidade desse filme levar algum prêmio, como bem disse o Luiz Carlos Merten.
Maio 15, 2008 às 8:49 pm
Ibertson
Espero grandes surpresas nesse festival de Cannes. Essa animação parece ser uma delas, só com comentários positivos.
Quanto a Cegueira, vou começar a ler o livro do Saramago e tenho plena confiança em Fernando Meirelles, mesmo com a recepção morna do longa.
Esse Kung Fu Panda parece ser divertido.
Maio 15, 2008 às 9:30 pm
Vinícius P.
Rafael. Gosto muito desse novo tipo de produção num gênero que me agrada tanto. “Persépolis” foi um sopro de originalidade em meio a algumas fitas americanas sem graça. Com “Bashir” não deverá ser muito diferente. E com a Marjane no júri (bem lembrado), será bem provável que ganhe algum prêmio importante – só não acredito na Palma de Ouro
Ibertson. Ainda não li a obra de Saramago e nem devo o fazer antes de assistir o longa do Meirelles. A recepção morna (é o filme mais criticado do Festival até o momento) também não diminuiu minha confiança no filme. Já “Kung Fu Panda” deverá ser considero para uma vaga ao Oscar de melhor animação.
Maio 18, 2008 às 1:13 am
Pedro Henrique
Se for metade de Persépolis já está ótimo…