Ao contrário do Festival de Veneza, no qual produções americanas ganham um maior destaque em relação às demais, Cannes sempre procura diversificar suas escolhas valorizando o cinema dito estrangeiro. É exatamente isso que foi constatado com a seleção oficial para a 61ª edição do Festival, a qual deve ocorrer entre 14 e 25 de Maio. Como já era esperado, os maiores destaques (ao menos em termos de expectativa) foram as três produções americanas em competição. Synecdoche, New York marca a estréia de Charlie Kaufman na direção. Com grandes chances de conquistar a Palma de Ouro, está Che, longa de quatro horas (será dividido em posterior lançamento comercial) que Steven Soderbergh deve levar ao cinema contando a história do revolucionário. Por último (e para surpresa de alguns) está o mais novo longa de Clint Eastwood, o drama Changeling – estrelado por ninguém menos que Angelina Jolie, que deve garantir todas as atenções para si quando a fita for exibida.

No geral a seleção apostou em nomes desconhecidos do grande público (até mesmo de muitos cinéfilos), mas tivemos ótimas surpresas na lista divulgada logo cedo. A mais óbvia é a presença de Walter Salles e seu Linha de Passe, que dirigiu ao lado de Daniela Thomas e representa o Brasil na competição. Além disso, está de volta ao Festival a dupla responsável por A Criança, Jean-Pierre e Luc Dardenne – seu novo trabalho, Le Silence de Lorna, é desde já um nome a ser considerado. O júri presidido por Sean Peen (e completado por nomes como Alfonso Cuarón, Natalie Portman e Rachid Bouchared) terá uma tarefa complicada no próximo mês, visto que além desses diretores altamente reconhecidos, outros cineastas de renome estão em competição – como Atom Egoyan, Jia Zhangke, Pablo Trapero e Wim Wenders.

E como não poderia deixar de ser, a seleção para filmes fora de competição trouxe certos títulos bantante aguardados, sendo Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal o que gera maior expectativa (com todos na torcida para que não tenha a mesma recepção de O Código Da Vinci há dois anos atrás). Uma animação (Kung Fu Panda) será outra opção, enquanto Vicky Cristina Barcelona parece ser a volta definitiva de Woody Allen aos bons tempos. Já na mostra Um Certo Olhar, também há um representante brasileiro, A Festa da Menina Morta, estrelado por Daniel de Oliveira e dirigido por Matheus Nacghtergaele. Lembrando desde já que pretendo comentar diariamente o Festival no próximo mês. Veja os filmes selecionados abaixo:

EM COMPETIÇÃO

[ordem alfabética] 24 City, de Jia Zhangke (China) l Adoration, de Atom Egoyan (Canadá) l Changeling, de Clint Eastwood (EUA) l Che, de Steven Soderbergh (EUA) l Un Conte de Noël, de Arnaud Desplechin (França) l Delta, de Kornel Mundruczo (Hungria) l Il Divo, de Paolo Sorrentino (Itália) l La Frontière de L’aube, de Philippe Garrel (França) l Gomorra, Matteo Garrone (Itália) l Leonera, de Pablo Trapero (Argentina) l Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas (Brasil) l La Mujer Sin Cabeza, Lucrecia Martel (Argentina) l My Magic, de Eric Khoo (Singapura) l The Palermo Shooting, de Wim Wenders (Alemanha) l Serbis, de Brillante Mendoza (Filipinas) l Le Silence de Lorna, de Jean-Pierre e Luc Dardenne (Bélgica) l Synecdoche, New York, de Charlie Kaufman (EUA) l Three Monkeys, de Nuri Bilge Ceylan (Turquia) l Waltz with Bashir, de Ari Folman (Israel)

FORA DE COMPETIÇÃO

[ordem alfabética] The Good, the Bad, The Weird, de Kim Jee-Woon (Coréia do Sul) l Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristral, de Steven Spielberg (EUA) l Kung Fu Panda, de Mark Osborne e John Stevenson (Estados Unidos) l Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen (EUA/Espanha)