
Quando menos se espera, é que surpresas como Conduta de Risco surgem. Não à toa estranhei o imenso apoio da crítica a esse longa de estréia do roteirista Tony Gilroy (responsável pelos filmes da série com Jason Bourne), afinal não havia nada iminente que esse pudesse ser um dos melhores filmes do ano. Não só superou minhas expectativas como trata-se de uma das melhores fitas de investigação que já vi. George Clooney interpreta o Michael Clayton do título original, advogado bem sucedido responsável pelo trabalho “sujo” de uma grande empresa, interferindo diretamente em questões que possam prejudicar os clientes ou a própria organização de advogados. Além de alguns problemas com o jogo, Clayton tem sua vida modificada quando um amigo (Tom Wilkinson) que também trabalha para a firma começa a questionar um processo bilionário de uma grande corporação de produtos químicos. Tentando encerrar o problema, Clayton é enviado para negociar e acaba se envolvendo em um perigoso jogo com a poderosa executiva Karen Crowder (Tilda Swinton).
É extremamente impressivo como o diretor Gilroy realizou uma pequena obra-prima nesse que é apenas seu primeiro filme. Certo que sua carreira como roteirista favoreceu esse resultado (inclusive Conduta de Risco guarda algumas semelhanças narrativas com O Ultimato Bourne), mas não tivemos outra melhor revelação nesse ano. Não só mostrando ser experiente para conduzir a trama de forma quase sempre tensa, Gilroy também se preocupou bastante com a parte técnica. A fotografia de Robert Elswit (que já trabalhou em conjunto com Clooney nos longas Syriana e Boa Noite e Boa Sorte) contribui em muito para as sensações transmitidas para o espectador, especialmente na maravilhosa cena na qual Clayton observa três cavalos ao amanhecer. Já a montagem de John Gilroy (irmão do diretor), como não poderia deixar de ser, é brilhante no sentido de apresentar uma das cenas-chave logo nos primeiros minutos – para mais adiante descobrirmos como aquela situação foi acabar dessa maneira. Além disso, também merece destaque a trilha sonora de James Newton Howard, que interfere na trama de maneira bastante pertinente.
Claro que nada do que foi citado faria muito sentido sem um elenco não menos que brilhante. Além do George Clooney, que aqui oferece sua melhor atuação na carreira e prova ser um dos atores mais talentosos de sua geração, temos os dois melhores coadjuvantes do ano. Tom Wilkinson, que nem aparece por tanto tempo, merecia um Oscar somente pelo monólogo em off que abre o filme. Já a inglesa Tilda Swinton, que já deveria ter sido reconhecida pelo drama Até o Fim, faz de sua Karen Crowder uma das grandes “vilãs” que o cinema apresentou nessa década, uma mulher fria e calculista que não mede esforços para se manter no poder. Como se não bastasse tudo isso, Conduta de Risco ainda apresenta um desfecho memorável, daqueles que ficam na sua memória por um bom tempo. Tenho certeza que muitos reprovaram, mas sem dúvida a cena figura entre as melhores do ano – afinal, a verdade pode ser ajustada?





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[CINEMA] Michael Clayton, Estados Unidos – 2007. Direção: Tony Gilroy. Com: George Clooney, Tilda Swinton, Tom Wilkinson, Sydney Pollack, Austin Williams, Sean Cullen, Michael O’Keefe, Denis O’Hare, Julie White, Ken Howard, Frank Wood, Jennifer Van Dyck. 119 min. thriller.


19 comments
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Dezembro 8, 2007 às 8:27 pm
Kamila
Mais um filme, Vinícius, que estou doida para assistir e passa longe daqui… Adorei o texto.
Dezembro 8, 2007 às 9:34 pm
Gustavo²
Vinícius, com essa encorajadora crítica agora minha vontade de assistir a CLAYTON (que já não era baixa por causa do ‘buzz’ para o Oscar) subiu consideravelmente.
Uma trama tensa, com atores em estado de graça, orientados por um novo talento é um acontecimento estimulante para qualquer cinéfilo.
Dezembro 8, 2007 às 10:04 pm
Wally
Também gostei do texto e fiquei surpreso, demais até. Nunca dava tudo isso por esse filme, do qual esperava pouco. Agora fiquei mais confiante, mas ao mesmo tempo, mais irritado, já que é um dos muitos que ainda não chegou aqui no estado. Enfim…
Ciao!
Dezembro 8, 2007 às 11:32 pm
Vinícius P.
Kamila. Confira assim que puder, acho que não irá se decepcionar (especialmente se gostar desses filmes investigativos). Obrigado!
Gustavo. Obrigado pelo comentário! ;) Sinceramente espero que o filme concorra em várias categorias do Oscar, sendo as maiores chances para os coadjuvantes e o roteiro – mas também merece ser ao menos citado para melhor filme, direção, ator, fotografia, montagem e trilha original. “Conduta de Risco” me surpreendeu em todos os sentidos…
Wally. Não esperava muito do filme, apesar de ver as críticas bastante elogiosas desde o Festival de Veneza. Acredito que seja a maior surpresa do ano. Valeu!
Dezembro 9, 2007 às 12:49 am
Rodrigo
Ainda não vi Michael Clayton…mas espero muito, acho que assistirei durante a semana..
Já toh à espera de um ótimo elenco, uma direção expetacular…enfim, melhor esperar para ver!
Abraços
Dezembro 9, 2007 às 12:56 am
Otavio Almeida
Vou ver amanhã, Vinicius. Depois leio sua crítica. Abs!
Dezembro 9, 2007 às 1:42 pm
Cassiano Sairaf
Tô muito afim de ver esse filme, o Clooney tem projetos interessantissimos.
Dezembro 9, 2007 às 3:20 pm
Alex Gonçalves
Vinícius, por pouco vi ontem o filme nos cinemas. Só que não estava me sentindo bem e tive que voltar para casa. Aproveitarei a promoção camarada que está tendo no Cinemark da minha cidade nas quintas-feiras para ver o filme.
Dezembro 9, 2007 às 10:47 pm
Paulo Jr.
Também estou na torcida para o filme entrar em cartaz pelas bandas onde moro, torcer os dedos.
Dezembro 9, 2007 às 11:21 pm
Vinícius P.
Rodrigo. Tudo que você citou esse “Michael Clayton” apresenta. Acho que nem todo mundo achou isso, mas sem dúvida é o melhor trabalho de estréia desse ano – sem falar no elenco soberbo.
Otavio e Cassiano. Depois digam o que acharam. Sem dúvida esse é o projeto mais interessante dessa fase do Clooney (que se iniciou com “Syriana”).
Alex. Já está melhor? ;) Espero que sim… De qualquer forma veja o filme quando puder, atualmente é a melhor coisa em exibição nos cinemas. Abraço!
Paulo Jr. Esse filme merecia uma melhor distribuição…
Dezembro 10, 2007 às 12:23 am
Otavio Almeida
Vinicius, acabei de ver e gostei. Não tanto quanto vc, mas gostei sim.
Acho que esse recurso de mostrar uma cena-chave antes e voltar nela depois, às vezes, impressiona, mas em MICHAEL CLAYTON, só forçou a barra. Achei tudo confuso, meio bagunçado sem necessidade, pq se fosse linear, a história seria bem mais simples e, nem por isso menos interessante. Aliás, tirando os truques da narrativa, ela é simples. Mas ainda assim, muito boa.
Depois escrevo minha crítica. E me lembrou um pouco A FIRMA, do próprio Sidney Pollack.
Abs!
Dezembro 10, 2007 às 1:09 pm
Kamila
Vinícius, acabei de chegar de Recife e quase que assistia “Conduta de Risco”. Mas, cheguei atrasada uns quinze minutos e estava morta de cansada para esperar a próxima sessão. De qualquer maneira, espero que o próximo destino do filme seja Natal. :-)
Dezembro 11, 2007 às 3:48 pm
Marco
Sinceramente, acho George Clooney um ator muito superestimado. Prefiro como diretor do que como um ator…
Porém, gosto muito de Tom Wilkinson (até hj eu me lembro dele em Entre Quatro Paredes) e Tilda Swintom, então com certeza vou ver o filme.
Dezembro 12, 2007 às 12:36 pm
Romeika
Vinicius, vc gostou do filme mais do que eu, que bom! Eu gosto bastante da cena final, eh incrivel como tudo faz perfeito sentido ao fim. E as atuacoes sao mesmo brilhantes, a minha favorita do elenco eh a Swinton.
Dezembro 12, 2007 às 2:38 pm
Vinícius P.
Otavio. Gostei muito de sua crítica, apesar de você não ter gostado tanto do filme quanto eu. Eu adorei esse recurso da montagem, aliás se não fosse dessa forma a trama não seria tão interessante mesmo. Também vi semelhanças com “A Firma”, só que achei esse filme do Gilroy bem melhor. Abraço!
Kamila. Puxa, estava em Recife? Nesse fim de semana não estava por lá. De qualquer forma acho que “Conduta de Risco” chega logo por aí, não deixe de ver ;)
Marco. Eu nunca fui muito fã do George Clooney como ator, mas em “Conduta de Risco” ele está fantástico, sem dúvida é seu melhor trabalho na carreira junto com “Syriana”. E os coadjuvantes roubam a cena nesse filme…
Romeika. Pois é, gostei muito, mais do que esperava. Sem dúvida a cena final está entre as melhores do ano, apesar de muitos não concordarem.
Janeiro 9, 2008 às 11:17 am
Conduta de Risco « Cinema e Argumento
[...] Vinícius Pereira, do Blog do Vínícius [...]
Janeiro 12, 2008 às 9:22 pm
Conduta de Risco « Cine Vita
[...] Movies Vinícius do Blog do Vinicius João Paulo do Cine JP Otavio do Hollywoodiano Luciano do A Sala Matheus do Cinema e Argumento [...]
Abril 13, 2008 às 12:08 pm
chico lopes
“Conduta de risco” me parece outro dos filmes superestimados do Oscar 2008. George Clooney está bem, e nem por isso é um grande ator (ele é demais George Clooney para ser outra pessoa). Tom Wilkinson me impressionou muito mais em “Entre quatro paredes” e outros filmes. Tilda Swinton já fez coisas melhores, e, como no caso do Javier Bardem, ganhou o Oscar deste ano como reconhecimento por trabalhos anteriores. Todos funcionam bem, mas não é nada extraordinário.
A trama se encaminha tortuosa por um monte de cenas indiretas e diálogos que se estendem por tempo longo demais, aturdindo e confundindo deliberadamente o espectador, talvez para esconder que se trata de mais uma história de imbroglios jurídicos e paranóias com advogados e indústrias mal-intencionadas, nada assim tão novo. Nesse tipo de filme, onde tudo que se diz parece relevante para o quebra-cabeças se formar, muita arbitrariedade entra em ação, e o espectador, não querendo se sentir burro, acaba sendo inteligente demais, ou seja: dá a roteiristas e diretores créditos que nem sempre eles merecem. O pirado vivido por Wilkinson remete ao vivido por Peter Finch em “Rede de intrigas”(alguém se lembra? talvez não por coincidência, também um grande ator inglês). A frieza e o calculismo de Tilda Swinton só são um pouquinho diferentes porque ela é insegura e obviamente neurótica.
“Conduta do risco” é, em essência, um thriller como muitos outros, bem feito, mas metido a besta, e, pelo jeito, enganou muita gente.
Novembro 27, 2008 às 11:33 am
Gustavo H.R.
Crítica acertadíssima. Um dos filmes mais subestimados pelo grande público de 2007.