
Depois de Blade Runner e Minority Report – A Nova Lei (para mim dois clássicos da ficção científica, meu gênero preferido), mais uma obra de Philip K. Dick é adaptada para o cinema, dessa vez no irregular O Vidente. O grande problema aqui não é conseqüência da trama original de Dick, que por sinal tinha tudo para se transformar em um filme memorável do gênero, mas sim a forma como tudo foi conduzido. Para direção chamaram Lee Tamahori, cujo trabalho mais conhecido é 007 – Um Novo Dia Para Morrer. Já no elenco, Nicolas Cage vive o tal vidente do título que consegue prever apenas os acontecimentos de sua vida, enquanto a sempre competente Julianne Moore é a policial Callie Ferris, que o procura para impedir um ataque terrorista em Los Angeles. Cage mostra mais uma vez que não rende sem um bom diretor de atores, entregando uma atuação tão vergonhosa quanto a que teve no recente O Sacríficio. Pior que contracena um bom tempo com a Jessica Biel (seu interesse amoroso), outra que nunca convence – aliás, é a pior aqui, já que sua personagem exige uma carga dramática maior do que seu potencial.
Obstante todos esses problemas, O Vidente não é nem de longe tão ruim como muitos afirmaram. Como já disse, a história realmente é intrigante e chega a ser lamentável que tenha sido tratada com um intuito mais comercial, uma vez que está muito mais para um Blade Runner do que qualquer outra coisa – mesmo não se passando no futuro. Outro ponto positivo a ser observado é a produção técnica, que raramente deixa a desejar. A boa fotografia de David Tattersall pode até ser pobre em alguns momentos (especialmente pela falta de uma boa cenografia), mas em outros consegue transmitir uma densidade que lembra outros filmes baseados nos contos de Philip K. Dick. As cenas de ação também são um atrativo à parte, especialmente por não usar efeitos visuais desnecessários. Contudo, nada disso adiantou devido à montagem equivocada, que reduziu o tempo do filme para míseros noventa minutos – o desfecho é até interessante, mas não funcionou com essa curta duração. Enfim, a palavra certa para definir O Vidente é ‘decepção’, pois fica claro que tinha potencial para ao menos ser um filme acima da média para o gênero.





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[CINEMA] Next, Estados Unidos – 2007. De: Lee Tamahori. Com: Nicolas Cage, Julianne Moore, Jessica Biel, Peter Falk, Thomas Kretschmann. 96 min. ficção.


9 comments
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Novembro 9, 2007 às 4:10 am
Romeika
Minha nossa, uma atuação tão vergonhosa quanto a de “O Sacríficio” :-S Como ele consegue? kkkkkkkkkkkkkkkkk
Novembro 9, 2007 às 9:19 am
Matheus
Péssimo filme! Uma grande bobagem que desperdiça várias coisas.
NOTA: 5.5
Novembro 9, 2007 às 9:39 am
Kamila
Vinícius, concordo quando você diz que “O Vidente” não é tão ruim como estavam falando. O filme tem boas cenas de ação e uma boa atuação da Julianne Moore. Mas, o que realmente é muito ruim nele são as atuações de Nicolas Cage e Jessica Biel. Tudo o que Jessica Biel conquistou no ano passado, com “O Ilusionista”, foi regredido depois da participação dela nesse filme. Ela vai ter que começar tudo de novo…
Novembro 9, 2007 às 10:02 am
Otavio Almeida
Ah, rapaz! Eu vou deixar esse para o DVD. Estréia “Leões e Cordeiros”, “Mandando Bala” (perdi a pré) e ainda não vi “O Preço da Coragem”.
Abs!
Novembro 9, 2007 às 10:54 am
Vinícius P.
Romeika. Acho que ele nem se esforça muito, apenas para de atuar ;)
Matheus. Minha nota também foi 5,5 – que é justamente isso: um filme mediano que poderia dar certo, mas desperdiça vários de seus elementos…
Kamila. Pois é. Mesmo não sendo uma grande atuação, a Jessica Biel estava bem em “O Ilusionista” – até mesmo quando dividia cena com o Edward Norton. Em “O Vidente”, sua personagem exigia muito mais do que ela apresentou.
Otavio. Só vi no cinema porque não tinha outra opção melhor. Devo assistir nesse fim de semana “Tá Dando Onda” e “Planeta Terror” – talvez “Leões e Cordeiros”, se chegar por aqui. Abraço!
Novembro 9, 2007 às 11:13 am
Wally
Concordo bastante com você. Primeiramente, Minority Report é, ao lado de Donnie Darko, minha ficção preferida (não considero Laranja Mecânica uma ficção exatamente) e adoro Blade Runner. Dick merece todo o crédito de coisas boas em O Vidente, o resto é muito falho, vazio, com um roteiro se revelando muito falho e uma direção pouco envolvente, conduzindo apenas diversão em raros momentos, falhando dramáticamente e na construção de seus personagens. Fraquinho demais, nem o elenco salva.
Nota 5,0 [**]
Novembro 9, 2007 às 12:22 pm
teco apple
Eu não tenho saco para assistir os filmes do Nicolas Cage. E a Julianne Moore precisa de um ótimo filme no currículo URGENTE!
Novembro 9, 2007 às 11:24 pm
paulo jr.
Também acho o filme decepcionante pela maneira como retrata os personagens, principalmente os fracos vilões, os poucos momentos interessantes são quando Cage vislumbra a ação momentos antes de acontecer e pode optar melhor.
Novembro 12, 2007 às 8:31 am
Vinícius P.
Wally. “Donnie Darko” é minha ficção preferida ao lado de “2001″, mas “Minority Report” também é muito bom – o melhor filme do gênero nessa década, depois de “Darko”, lógico. O argumento de “O Vidente” é muito interessante. Imagina só se um Spielberg fosse o diretor… aposto que teríamos outro clássico instantâneo. Mesma cotação.
Teco. Já estou perdendo a paciência com o Nicolas Cage e começo a acreditar que suas atuações em “Adaptação” e “O Senhor das Armas” (filmes recentes em que entrega uma ótima performance) foram algum acidente em meio a tantas outras ruins. E estou ficando com pena da Julianne Moore – só o Fernando Meirelles mesmo para reverter esse quadro…
Paulo. Os vilões são péssimos, aliás estão mais para figurantes do que qualquer outra coisa. O argumento original é bem interessante mesmo. Até mais!