Aparentemente toda a expectativa gerada em cima de Piaf – Um Hino ao Amor corresponde ao que todos esperavam: na pele do ícone da música francesa, Marion Cotillard entrega uma das melhores performances já vistas nesse tipo de biografia. Na verdade nem é um grande filme, mas graças à força da protagonista merece figurar entre os melhores do ano. Dirigido por Olivier Dahan, o filme conta a história de Edith Piaf desde a sua difícil infância até seus últimos dias. Mesmo que se observe um desejo de fugir ao estilo de outros filmes semelhantes, um dos maiores defeitos aqui é a montagem desconexa que impede o espectador de situar-se na trama. Nunca se sabe ao certo em que época ou arco narrativo cada cena se encontra, ainda que o uso de legendas cronológicas seja constante. Também é lamentável que alguns fatos importantes de sua vida sejam renegados, talvez para amenizar a imagem da cantora. Não que o trabalho de Dahan seja de todo ruim, muito pelo contrário, é louvável sua tentativa de fazer uma biografia mais ousada e com alguns momentos que expressam perfeitamente a genialidade da artista.

O trabalho técnico é especialmente importante no sentido de transpor todos os estados psicológicos de Piaf. Não raramente a bela fotografia de Tetsuo Nagata contribui de forma significativa para isso, com alguns momentos de rara beleza e um excepcional uso da iluminação. A direção de arte de Olivier Raoux também não fica atrás, merecendo destaque ainda os belos figurinos de Marit Allen. No entanto, ainda que seja um filme essencialmente visual, é impossível não perceber que sua grande força vem da atuação da Marion Cotillard. A atriz nunca fez nada de muito significativo (apesar de participações em Eterno Amor e Um Bom Ano) e entrega uma performance inesperada e totalmente irrepreensível. É claro que o trabalho de maquiagem permite uma maior veracidade em seu trabalho, mas ao contário de outros exemplos no cinema recente, isso é apenas um mero detalhe diante de sua soberba atuação. O que vemos não é uma imitação: Marion é Piaf. Por ela é que o espectador deve perdoar os erros de La Môme e presenciar um momento singular na história do cinema.

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[CINEMA] La Môme / La Vie en Rose, França – 2007. De: Olivier Dahan. Com: Marion Cotillard, Gérard Depardieu, Emanuelle Seigner, Pascal Greggory, Jean-Paul Rouve, Jean-Pierre Martins. 140 min. drama.