
Fico imaginando porquê desperdiçaram tanto dinheiro nessa comédia. Todos sabem que Todo Poderoso só fez sucesso por ter Jim Carrey como protagonista, já que o filme era tão sem graça quanto essa continuação. Mesmo sem a presença de um grande astro em A Volta do Todo Poderoso, o filme agora é dono do absurdo título de comédia com maior orçamento em todos os tempos. Dessa vez, Deus (Morgan Freeman) dá a missão de construir uma arca ao congressista Evan Baxter (Steve Carell, responsável por uma das cenas mais engraçadas do primeiro filme). Só a idéia central já é bastante questionável para ser levada a sério, mas podia ser melhor trabalhada e oferecer algumas boas risadas. Infelizmente elas raramente acontecem, especialmente devido ao roteiro que se apóia demais no personagem sem carisma do Carell, sem falar que o final apocalíptico não combina com esse tipo de filme.
Algo que salva o filme é o elenco. Quem já viu o Steve Carell na série The Office sabe que o ator é capaz de muito mais do que apresenta aqui. Nesse sentido ainda preferia a atuação do Jim Carrey, visto que sempre aumenta a qualidade desse tipo de comédia. Contudo, a escolha dos coadjuvantes foi mais que acertada, especialmente pela presença da ótima Wanda Sykes, responsável pelas melhores piadas. Os efeitos visuais acabam justificando em parte o alto custo, ainda que estes sejam de qualidade inferior a qualquer outro filme do verão americano. Mesmo sendo pouco divertida, diria que essa continuação é ligeiramente superior ao original pelos valores pregados e também por uma cena musical nos créditos finais com todo o elenco.





- – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - -
[CINEMA] Evan Almighty, Estados Unidos – 2007. Direção: Tom Shadyac. Com: Steve Carell, Morgan Freeman, Lauren Graham, John Goodman, Wanda Sykes, John Michael Higgins, Molly Shannon, Jonah Hill. 90 min. comédia.


14 comments
Comments feed for this article
Agosto 5, 2007 às 5:37 pm
Weiner
Desde que assisti os extras do DVD de “Os Sem Floresta” sou fã de Steve Carrel. Havia trechos em que ele emprestava sua voz àquele esquilinho elétrico e confesso que elas me arrancaram boas gargalhadas. Depois comecei a assistir outros trabalhos do ator, incluso “O Virgem de Quarenta Anos” e o excepcional “Pequena Miss Sunshine”. Considero Carrel como o melhor comediante de Hollywood e acho que só sua presença no elenco de algum filme já vale o ingresso. O Jim Carrey também é uma sensação (Ace Ventura é inesquecível), mas ultimamente tenho preferido vê-lo diante de filmes mais sérios, isto é, filmes que usem doses de drama em seu roteiro. É o caso de “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças”, “Cine Majestic” e “O Mundo de Andy”; neste aliás, ele interpretou Andy Kaufman com uma maestria digna de uma das 10 melhores interpretações da década de 90, na minha opinião. Somente “Número 23″ se configurou um desastre.
Agosto 5, 2007 às 8:47 pm
Kamila
Quem conhece a Wanda Sykes desde “A Sogra” e quem viu o maravilhoso trabalho que ela fez na segunda temporada de “The New Adventures of Old Christine” sabe o quanto que ela é ótima comediante.
Eu concordo com tudo o que você escreveu. Acho que a pré-produção desse filme deveria ter terminado a partir do momento em que Jim Carrey decidiu não participar da sequência.
Tudo aqui é um equívoco e é uma pena mesmo que tanto dinheiro e talento (do ótimo elenco do filme) tenham sido desperdiçados.
Agosto 5, 2007 às 11:37 pm
Gustavo
Carrell é um grande comediante, ele arrebenta em The Office!
Mas esse projeto já nasceu condenado desde o momento que o jim carrey resolveu não voltar. Uma pena, torço pro carrell fazer sucesso…
Agosto 5, 2007 às 11:58 pm
Wally
Melhor que o primeiro?
Caramba, acho bem difícil. Não sei quanto a você, mas dei muitas gargalhadas com o filme original com Jim Carrey. Revi ele hoje e mesmo com seus defeitos, consegue ser hilário, genial em momentos e ainda pregar uma mensagem sem soar completamente pieguas. Falando sério…se você não gostou desse filme você é sem dúvida, muito, muito rígido.
Sobre o segundo, aqui só chegou cópias dubladas, mas já to baixando, vejo ainda essa semana, sem altas expectátivas, mesmo com Carrell como protagonista.
Agosto 6, 2007 às 1:55 am
Vinícius P.
Weiner. Adoro o Steve Carell! Sou fã do cara desde que vi o primeiro episódio de “The Office”, passando por suas ótimas atuações em “O Virgem de 40 Anos” e “Pequena Miss Sunshine”. Pena que seu papel em “Evan Almighty” seja tão sem graça – mesmo com sua competência habitual. Nesse sentido o Jim Carrey é melhor, pois mesmo atuando em péssimos filmes (“Ace Ventura”/”Eu, Eu Mesmo e Irene”) consegue ser engraçado. Também prefiro seus filmes ’sérios’, como “O Show de Truman” (merecia um Oscar), “O Mundo de Andy” e “Brilho Eterno” (deveria ser ao menos indicado por esses dois últimos).
Kamila. Acho até legal o Steve Carell fazer filmes ‘comerciais’, mas estava na cara que “Evan Almighty” iria ser um fracasso, especialmente por esse orçamento injustificável. Torço para que os próximos projetos dele sejam melhores…
Gustavo. Também adoro o Carell em “The Office”. Engraçado como seu personagem nesse filme é completamente diferente do Michael Scott…
Wally. Achei bem sem graça o primeiro também. Se não fosse o Jim Carrey, com certeza seria uma bomba. Essa continuação é ligeiramente superior pois passa alguma ‘lição’, mas daria nota 5,0 para ambos. Não me considero muito rígido, acho que muita gente também não gostou de ambos os filmes.
Agosto 6, 2007 às 7:09 am
Wally
Eu achei a ‘lição’ do primeiro super legal, e conseguiu enviar isso sem pieguice, apesar de um pouquinho de pregações. Fora isso, achei legal o filme. Daria nota 7,0.
Agosto 6, 2007 às 11:42 am
Anderson
Vinicius, vc é o meu herói! Consegue sobreviver a um filme desses e ainda escreve um texto! John McLane perde! Abraços…
Agosto 6, 2007 às 1:50 pm
Wally
ps: amanhã verei esta sequência
Agosto 6, 2007 às 11:12 pm
Otavio Almeida
Realmente não sei pq gastaram dinheiro para fazer esse filme. Parece que tiveram essa idéia depois de ver a reação do público na melhor cena de TODO PODEROSO. A graça não estava em Jim Carrey, mas com Steve Carell…
Ainda não vi essa PARTE 2, mas…
[]s
Agosto 7, 2007 às 1:11 am
Vinícius P.
Wally. Nesse sentido da ‘lição’, o que quis passar é que agora é claramente um filme mais direcionado para a família, já que dificilmente vemos alguma das piadas de mal gosto do anterior – não que eu me importe com isso, contanto que me faça rir… Recordo que vi o primeiro ao lado de meu irmão e minha prima. Ambos adoraram, ou seja, tudo é uma questão de opinião – aguardo a sua sobre essa continuação! Abraço!
Anderson. Hahaha, seus comentários são ótimos, adoooro. Até que o filme não é muito ruim, diria até que não fossem alguns pequenos detalhes poderia até ser considerado um bom divertimento – ok, já estou exagerando… ;)
Otavio. Já vi a resenha de “Bobby” (estou adorando essas legendas nas fotos, morri de rir com essa). Confesso que a cena com o Carell foi um dos poucos momentos que ri no primeiro filme – pena que seu talento seja tão mal aproveitado aqui. Até mais!
Agosto 7, 2007 às 1:49 am
Arthur
Hum… gostei do primeiro, apesar de não ter visto ainda o segundo, achei besteira fazerem uma sequência.
A Wanda Sykes realmente é uma ótima comediante, desde A Sogra (na qual ela rouba cena) até suas constantes participações na série The New Adventures of Old Cristine.
Boa Semana
Agosto 8, 2007 às 2:35 am
Marco Paiva
Ainda estou abismado com o orçamento do filme… Não havia necessidade de ser tão caro assim (ainda mais que se trata de uma comédia).
Agosto 9, 2007 às 4:52 pm
Wally
Mesma opinião que você sobre esse. ** [5,0]
Agosto 9, 2007 às 5:53 pm
Vinícius P.
Arthur. O primeiro filme é apenas ok, apesar de achar tão sem graça quanto essa seqüência (ao menos tinha o Jim Carrey). Adoro a Wanda Sykes, realmente sua participação na série “Old Christine” é impagável, dou muitas risadas (e também em “A Sogra”, uma das poucas coisas boas desse filme). Bom fim de semana!
Marco. A comédia até que é simpática, contudo o orçamento é absurdo, não só porque é um filme desse gênero, mas principalmente porque esse gasto todo não se justifica – os efeitos conseguem convencer, mas estão longe da qualidade de outros filmes do verão americano. 175 milhões é muito dinheiro!
Wally. Hehehe, que bom que você não gostou do filme ;)