Num artigo publicado há algum tempo no blog, indaguei se Ratatouille era o melhor filme do ano. Depois de conferir a fantástica animação da Pixar, não só confirmei essa suspeita como também acredito que este seja o melhor filme do gênero em muito tempo. Não há dúvidas que a produtora não é capaz de realizar um longa abaixo da média, até mesmo nos exemplos mais comumente criticados, como o recente Carros e o simpático Vida de Inseto. Seu padrão elevado além do moderno estabelecimento gráfico-visual sempre garantem o espetáculo, ainda mais nos projetos com roteiros brilhantes (Toy Story 2 se destaca nesse sentido), caso agora de Ratatouille. O diretor Brad Bird começa a definir uma carreira invejável no cinema, que se iniciou com o subestimado O Gigante de Ferro e alcançou o reconhecimento com seu primeiro projeto na Pixar, Os Incríveis, que lhe rendeu um Oscar de melhor animação. Mesmo com esse começo exemplar, Bird finalmente chegou a um patamar raro na história do cinema, capaz de encantar platéias somente com o poder da imaginação.

Em Ratatouille conhecemos Remy, um ratinho francês cujo maior sonho é tornar-se um chef de cozinha, seguindo os passos de seu cozinheiro preferido, Auguste Gusteau. Quando o crítico Anton Ego (originalmente na voz de Peter O’Toole) publica um comentário negativo e a decadência de seu restaurante, Gusteau fica tão desapontado que aos poucos perde um pouco da alegria de cozinhar, o que perdura até sua morte. É a partir disso que Remy passa a receber conselhos do famoso Chef (fruto de sua imaginação), ajudando um atrapalhado novo funcionário do restaurante a preparar pratos admiráveis. Por toda projeção, personagens interessantíssimos passam pela tela, com destaque para Skinner, novo chefe do estabelecimento que protagoniza os momentos mais cômicos (incluindo uma fantástica perseguição à procura do rato pelas ruas de Paris).

Tecnicamente já sabíamos que a Pixar é insuperável, mas o visual do filme deixa para trás qualquer outro trabalho da produtora, encantando até mesmo àqueles que ainda preferem o estilo tradicional de animação. A perfeição é tamanha que chega a ser impossível detectar qualquer falha de criação, algo que ocorre com uma freqüência impressionante em produções de outros estúdios (vide o recente Shrek Terceiro). O desenho de produção de Harley Jessup é capaz de rivalizar com qualquer filme live-action, e se alguns já consideraram a trilha de Os Incríveis uma das melhores de seu ano, ficarão ainda mais surpresos com a música de Michael Giacchino para esse longa. Na cena de perseguição e num dos momentos finais com o crítico Anton Ego, o compositor mostra uma excelência única, primeiro causando uma sensação de euforia no espectador e, depois, de verdadeira emoção. Com a máxima de que qualquer um pode cozinhar, Ratatouille é inovador em todos os sentidos mesmo pregando valores tão esquecidos atualmente. Definitivamente um dos melhores filmes de todos os tempos.

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[CINEMA] Ratatouille, Estados Unidos – 2007. Direção: Brad Bird. Vozes: Patton Oswalt, Ian Holm, Lou Romano, Brian Dennehy, Peter Sohn, Peter O’Toole, Brad Garrett, Janeane Garofalo, Will Arnett. 110 min. animação.