Vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2006, essa fita sul-africana tem muito a ver com nosso cinema, no sentido de que mostra um tema já exaustivamente abordado pelos filmes brasileiros: a falta de oportunidades que gera violência. Tsotsi é o personagem principal (Presley Chweneyagae), que acaba tendo que cuidar de um bebê depois de ter roubado um carro com a criança dentro. A partir disso, o roteiro vai fazendo interessantes paralelos entre o presente e a infância de Tsotsi, sem nunca ser piegas e com relevância social importante. É incrível como a Academia pode ter premiado Infância Roubada, ao passo que nem sequer indicou o infinitamente superior Cidade de Deus - existe uma relação óbvia entre os filmes. Entretanto, o diretor Gavin Hood (que deve estrear no cinema americano ainda esse ano com Rendition) consegue por vezes emocionar com uma história simples, porém bastante tocante. Talvez o prêmio tenha sido um exagero (sempre é bom lembrar que Paradise Now concorria naquele ano), contudo só por abordar um tema tão complicado com propriedade já merecia algum reconhecimento.

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[CINEMA] Tsotsi, África do Sul – 2005. Direção de: Gavin Hood. Com: Presley Chweneyagae, Terry Pheto, Kenneth Nkosi, Mothusi Magano, Zenzo Ngqobe, Zola, Ian Roberts. 94 min. drama.