Às vezes o amadorismo pode ser facilmente confundido com brilhantismo. Acho que definitivamente foi isso o que ocorreu com esse Marcas da Vida, mas uma “bobagem de festival” que acabou virando cult. Vencedor do prêmio do júri em Cannes, o longa também fez que a estreante Andrea Arnold (vencedora do Oscar pelo curta Wasp) fosse laureada por sua suposta inventividade. A trama é focada numa operadora de circuitos internos de câmeras (Katie Dickie, talvez o único destaque do elenco), que fica atenta durante horas em frente a uma série de monitores com o objetivo de proteger as pessoas sob seu olhar. É quando vê um homem (Tony Curran) que nunca pensava que iria encontrar novamente, tentando, então, uma aproximação com o mesmo.

É basicamente aquele tipo de filme que enrola até o final, com uma revelação bombástica que surpreende a todos. Entretanto, a diretora não tem a competência de um Lars Von Trier e não sabe conduzir a trama de forma adequada, tanto que em seu clímax o espectador nem está mais interessado na resolução da história – aliás, a “surpresa” não chega a ser tão devastadora quanto se espera. Para completar, ainda temos uma desnecessária cena de sexo explícito, na qual a protagonista esquece totalmente de seus pudores. Marcas da Vida é isso, um conjunto de cenas que até surtem efeito no espectador, mas que nunca passam da superficialidade.

estrela.jpgestrela.jpgestrela2.jpgestrela2.jpgestrela2.jpg

- – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - -

[CINEMA] Red Road, Reino Unido - 2006. Direção: Andrea Arnold. Com: Kate Dickie, Tony Curran, Martin Compston, Nathalie Press, Andrew Armour, Paul Higgins, John Comerford. 113 min. drama.