
Às vezes o amadorismo pode ser facilmente confundido com brilhantismo. Acho que definitivamente foi isso o que ocorreu com esse Marcas da Vida, mas uma “bobagem de festival” que acabou virando cult. Vencedor do prêmio do júri em Cannes, o longa também fez que a estreante Andrea Arnold (vencedora do Oscar pelo curta Wasp) fosse laureada por sua suposta inventividade. A trama é focada numa operadora de circuitos internos de câmeras (Katie Dickie, talvez o único destaque do elenco), que fica atenta durante horas em frente a uma série de monitores com o objetivo de proteger as pessoas sob seu olhar. É quando vê um homem (Tony Curran) que nunca pensava que iria encontrar novamente, tentando, então, uma aproximação com o mesmo.
É basicamente aquele tipo de filme que enrola até o final, com uma revelação bombástica que surpreende a todos. Entretanto, a diretora não tem a competência de um Lars Von Trier e não sabe conduzir a trama de forma adequada, tanto que em seu clímax o espectador nem está mais interessado na resolução da história – aliás, a “surpresa” não chega a ser tão devastadora quanto se espera. Para completar, ainda temos uma desnecessária cena de sexo explícito, na qual a protagonista esquece totalmente de seus pudores. Marcas da Vida é isso, um conjunto de cenas que até surtem efeito no espectador, mas que nunca passam da superficialidade.





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[CINEMA] Red Road, Reino Unido - 2006. Direção: Andrea Arnold. Com: Kate Dickie, Tony Curran, Martin Compston, Nathalie Press, Andrew Armour, Paul Higgins, John Comerford. 113 min. drama.


3 comments
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Junho 10, 2007 às 5:45 pm
Marcus
É verdade, tem uns filmes que é só balela mesmo, daí vem um ou dois dizendo que ‘é arte, que é lindo, blá-blá-blá’. Bah, essas coisa me dão um nojo.
Abração e boa semana!
Junho 10, 2007 às 11:11 pm
Alex Gonçalves
Hum, devo ter lido uma sinopse a respeito dessa produção nos jornais, porém, não tenho interesse algum em vê-lo. O engraçado é que estes filmes de festivais badalados (ou não) sempre trazem uma cena de sexo explícito para criar polêmica, caso do famoso “Brown Bunny”.
Grande semana, Vinícius. Gostei bastante do novo visual do seu endereço e tentarei comentar mais por aqui.
Junho 11, 2007 às 1:51 pm
Vinícius P.
Marcus. Aceito o fato de alguém gostar de um filme desse tipo (deve ter lá seus argumentos, até porque faço parte da minoria que não gostou), mas às vezes sinto que há uma ‘falsa unanimidade’ entre a crítica diante de determinados filmes, como é o caso de “Marcas da Vida”. Boa semana!
Alex. Cara, não sei porque eles colocam essas cenas de sexo explícito – se o espectador quisesse isso, alugaria um filme pornô. Às vezes, esse tipo de cena é realmente fundamental para história, o que não é o caso de “Marcas da Vida”, no qual a mesma foi inserida de forma desnecessária. Obrigado e até mais! :)