Durante o último mês, comentei um pouco sobre as 40 séries que acompanhei durante a última temporada, até como forma de preparação para os prêmios que estão por vir (Emmy e Jerry) e novos episódios que já estão em exibição nos Estados Unidos. E nesse último post (os anteriores foram as estréias, as canceladas e os retornos parte 1 e parte 2), termino de analisar as séries que devem voltar à programação, incluindo uma estreante (Eastbound & Down) que só tive oportunidade de acompanhar nos últimos dias – por isso não estava no primeiro post. Julho será um mês em que o blog deve trazer postagens sobre séries com uma maior frequência, pois além dos prêmios, também divulgarei os rankings da temporada (de séries e episódios). sem spoilers

 

[the closer]

Como já havia comentando aqui anteriormente, The Closer talvez seja a série policial mais diferenciada da atualidade, pois entre seus casos estranhamente fascinantes e soluções brilhantes por parte da equipe comandada por Brenda, também tem uma forma única de trabalhar seus personagens. Mesmo que o destaque seja de Kyra, nunca chamaremos The Closer de “The Kyra Sedgwick show”, visto que o elenco secundário sempre tem um papel fundamental para cada episódio. O nível que a série chegou no quarto ano chega a impressionar, pois mesmo que sempre fosse uma série subestimada, nunca tinha alcançado um equilíbrio tão grande a cada novo episódio. E não tivemos exatamente um episódio brilhante (apesar de alguns chegarem perto), mas pelo conjunto que se aproxima do máximo que o gênero pode conseguir, certamente merece ser reconhecida como uma das cinco melhores séries da atualidade – título que já mantém há um bom tempo.

o melhor episódio Sudden Death mvp Kyra Sedgwick

curiosidade de todas as séries acompanhadas no último ano, foi uma das três que teve um intérprete como MVP em todos os episódios. Além disso, depois de True Blood, foi a série que teve o maior número de episódios “5 estrelas” proporcional à quantidade de capítulos na temporada (10 de 15).

 

[24]

Acredito que não seja tão complicado manter o interesse de público por muitas temporadas quando se trata de séries policiais (CSI é a prova disso), mas isso é totalmente diferente quando se trata de 24, justamente por sua estrutura narrativa completamente diferente de qualquer série já criada. O seu desafio é fazer com que o espectador aproveite a experiência mesmo sabendo que Jack Bauer sairá ileso (ou quase) ao final de mais um dia de ação. Nessa sétima temporada em particular (a volta da série após dois anos), foi ótimo perceber como os roteiristas buscaram resoluções cada vez mais rápidas para todos as tramas que apresentava, não desperdiçando tanto tempo com núcleos pouco interessantes. Claro que manteve aquele estilo que por vezes se aproxima de pura ficção científica, mas sinceramente eu não procuro realidade quando vejo uma série do tipo – o que não significa, por exemplo, que ela não apresente assuntos relevantes para a atualidade.

o melhor episódio 1:00 A.M. – 2:00 A.M. mvp Kiefer Sutherland

curiosidade não sei exatamente se pode ser considerada uma “tradição”, mas a sétima temporada confirmou o fato dos anos ímpares de 24 Horas serem os melhores (primeiro e quinto, principalmente).

 

[entourage]

É algo natural ver a evolução dos personagens de uma série que já está no ar há tanto tempo, contudo no caso de Entourage isso é tão evidente que fica complicado não se empolgar com qualquer nova oportunidade que surge para o grupo de amigos que tenta vida em Los Angeles. O desfecho da temporada anterior foi um verdadeiro banho de água fria nas pretensões de Vince Chase, mas tudo pode mudar de um dia para o outro e foi o que aconteceu. Jeremy Piven continua sendo a melhor coisa da série, claro (a intensidade que alcança em cenas mais dramáticas sempre impressiona), mas é incrível observar como cada personagem ganhou espaço próprio e perdi a conta de quantas vezes Kevin Dillon e até mesmo Jerry Ferrara (grande surpresa) roubaram a cena. No geral, não foi um ano tão espetacular quando o anterior, entretanto a quinta temporada terminou com a promessa que acontecimentos muito aguardados finalmente terão vez daqui para frente.

o melhor episódio Return to Queen’s Blvd mvp Jeremy Piven

curiosidade mesmo apresentando o seu episódio mais estranho em um longo tempo e totalmente diferente de tudo já visto na série (Tree Trippers), este não chegou a prejudicar muito a média geral.

 

[dexter]

Devo aplaudir Dexter por manter sua trama pouco provável (desde a primeira temporada) com o mesmo interesse do seu início. Além disso, não é qualquer série que consegue manter um alto nível até o seu terceiro ano, portanto ela novamente merece crédito por tal. Entretanto, já começo a me preocupar um pouco sobre como os roteiristas conseguirão manter a história do serial killer por muito mais tempo (e, pelo sucesso que já está fazendo, não duvido que tenha mais duas e até três temporadas pela frente). Várias séries já sofreram com esse mal de serem prolongadas por muito mais tempo que deveriam – e realmente não desejo ver Dexter passando pela mesma situação… Dito isso, vale comentar que as tramas apresentadas ainda continuam bastante tensas e imperdíveis, ainda que não tão interessantes quanto anteriormente. Torço para que a série mantenha seu ritmo na próxima temporada e quem sabe até volte à genialidade apresenta antes, afinal o personagem extremamente bem construído pelo Michael C. Hall merece isso.

o melhor episódio Turning Biminese mvp Michael C. Hall

curiosidade a temporada não foi exatamente brilhante como a anterior, mas Dexter apresentou um desfecho muito decepcionante – e que prejudicou muito a média geral. Começo a achar que a série tem algum problema para “fechar” suas fascinantes histórias…

 

[30 rock]

30 Rock foi uma das comédias da temporada que sofreram com uma queda de rendimento, em especial na parte final de seu terceiro ano. O estilo um tanto fantasioso (que combina totalmente com a proposta da série) alternou ótimos momentos com outros menos “satisfatórios”, mas ainda é muito compreensível como é considerada a melhor comédia da atualidade por muita gente… Ainda que não seja espetacular no conjunto, chega a alcançar momentos brilhantes em alguns episódios, um sopro de originalidade num gênero que atualmente nem é muito valorizado. O time de roteiristas continua sendo um dos melhores da TV e, claro, o elenco corresponde perfeitamente àquilo que o espectador espera. Eu não penso que mereça exatamente ser o atual “papa-prêmio”, mas como a concorrência sempre está no mesmo nível, não chego a me incomodar.

o melhor episódio Generalissimo mvp Tina Fey

curiosidade mesmo tendo a temporada relativamente mais “fraca” em relação às anteriores, 30 Rock ainda pode ser considerada a série com maior número participações especiais dignas de elogios (sendo Jon Hamm, Alan Alda e Salma Hayek os meus preferidos).

 

[in treatment]

In Treatment é o tipo de série que não se classifica como uma das melhores na minha lista, mas que por alguns desempenhos individuais vale completamente meu tempo. O estilo inovador que traz mais episódios do que qualquer série dramática em exibição pode até cansar às vezes, entretanto vale destacar a regularidade alcançada. Trata-se de um eficiente trabalho de adaptação para a TV americana e a escolha de roteiristas e diretores é ideal para contornar o grande desafio da história: fazer com que aquelas experiências extremamente dramáticas dos personagens sejam transmitidas de uma maneira confortável (até certo ponto) para o espectador, nunca parecendo tão pesado quando na verdade é. Dos novos pacientes, gostei especialmente do Walter ao início, mas acho que a April certamente é a mais marcante e que evoluiu tremendamente. Além disso, foi muito bom ver uma mudança das sessões de Paul com a Gina.

o melhor episódio April: Week Fivemvp Gabriel Byrne

curiosidade obviamente a série com maior número de episódios, também foi a única a ter todos os seus atores citados ao menos uma vez como MVP (é claro que seu elenco reduzido contribui para tanto).

 

[saving grace]

Séries como Saving Grace não são particularmente memoráveis ou tem maior impacto sobre minha vida, porém cada vez que vejo um episódio acredito ser uma experiência totalmente válida e que consegue entreter e emocionar por 40 minutos. Grande parte de seus méritos se devem à personagem de Holly Hunter, a detetive Grace Hanadarko, a qual tem um jeito muito particular de resolver seus casos (e nem apresenta um comportamento que se espera de uma policial, o que aumenta ainda mais meu fascínio pela mesma). Contudo, o interessante aqui é a estranheza que causa por apostar em um personagem improvável dentro de uma série do gênero. O anjo Earl, que aconselha Grace e muitas vezes ajuda diretamente na resolução de seus problemas, certamente é o diferencial pelo qual esquecemos alguns defeitos comumente observados. Vale destacar também a participação de Christina Ricci, responsável por alguns dos melhores momentos da temporada.

o melhor episódio Do You Believe in Second Chances?mvp Holly Hunter

curiosidade foi a única que passei a acompanhar a temporada sem ter visto a anterior, mais pela participação da Holly Hunter do que qualquer outra coisa. Também é a única em que ainda não vi o final de temporada (em especial pela dificuldade de encontrar os downloads).

 

[eastbound & down]

Eastbound & Down pode ser considerada uma das descobertas da temporada. A HBO gosta de arriscar em seus projetos e a comédia certamente deve ter encontrado um pouco de dificuldade por atingir um público muito específico. O ponto central é mostrar como um ex-jogador de baseball (Danny McBride) tenta se adaptar à vida sem a fama, voltando para sua cidade natal e aceitando um emprego como treinador numa escola. Kenny Powers é um personagem que à primeira impressão pode chocar o espectador, mas com o tempo todos seus palavrões e costumes nada lisonjeiros tornam-se tão comuns que passamos a ver seu outro lado. O estilo de comédia que lembra Judd Apatow (há até uma participação do Will Ferrell) ainda possui alguns toques dramáticos nos quais a série alcança os melhores resultados, dando um maior equilíbrio para a trama.

o melhor episódio Chapter Fivemvp Danny McBride

curiosidade última série que vi nessa temporada, também é a que apresentou o menor número de episódio, apenas seis (juntamente com outra estreante do ano, Parks and Recreation).

[duplicidade]

Tony Gilroy deve ter se perguntado ao menos uma vez como poderia superar as expectativas em seu segundo trabalho de direção logo depois de obter um sucesso inesperado com sua fita de estréia. Quando escrevi sobre Conduta de Risco, comentei que provavelmente Gilroy era a maior revelação daquele ano, algo que foi confirmado de imediato – não é qualquer diretor estreante que é indicado ao Oscar. Duplicidade foi vendido como um romance de espionagem que aparentemente não passaria de uma trama fácil de atrair multidões, em especial devido ao apelo de seus protagonistas. Para minha surpresa, o longa não só traz as características que fizeram de Michael Clayton um grande filme (montagem ágil e não linear, diálogos espertos e um elenco de fazer inveja), como é superior a qualquer coisa lançada no primeiro semestre americano – à exceção, talvez, de vocês sabem qual filme. A cena dos créditos iniciais (que já demonstra bem seu estilo nem humorado) traz Tom Wilkinson e Paul Giamatti discutindo ao ponto de começar ao brigar, tudo por causa da rivalidade entre suas empresas. Em seguida conhecemos os sedutores espiões interpretados por Clive Owen e Julia Roberts, que veem tal disputa como uma oportunidade perfeita para ficarem milionários. Entretanto, como muitos podem desconfiar, nenhum plano é totalmente perfeito.

Gilroy sabe como conduzir uma trama extremamente interessante do começo ao fim, que encanta de imediato quando vemos diálogo entre os protagonistas exatamente igual ao que ocorreu numa cena anterior, somente modificando o local onde ocorre essa ação. É um filme construído aos poucos, que em vez de percorrer o caminho menos complicado e entregar tudo ao espectador, prefere ir revelando aos poucos os detalhes que constituem uma grande conspiração e que por isso mesmo resulta memorável. John Gilroy, novamente trabalhando com o irmão, tem outro grande trabalho de montagem, o qual pode deixar o espectador confuso às vezes, porém sabe lidar com os flashbacks de maneira impecável – e o mesmo pode ser comentado em relação à fotografia de Robert Elswit e à trilha de James Newton Howard, todos repetindo a excelência de Conduta de Risco. Ainda com atuações marcantes (os coadjuvantes Wilkinson e Giamatti estão especialmente bem, enquanto a química entre Owen e Roberts é perfeita), fica complicado explicar porque exatamente Duplicidade não foi um hit de bilheteria. O desfecho pode ter contribuído para isso, mas prefiro pensar que o grande público não estava preparado para uma história extremamente inteligente e nem sempre otimista logo nesses tempos de crise.

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[CINEMA] Duplicity, Estados Unidos – 2009. De: Tony Gilroy. Com: Julia Roberts, Clive Owen, Tom Wilkinson, Paul Giamatti, Tom McCarthy. 125 min. romance.

EDIÇÃO 25: ADAPTAÇÕES LITERÁRIAS VOL. 2

[01]
AS CINZAS DE ÂNGELA (Angela’s Ashes, 1999), de Alan Parker
[02]
CORAÇÃO SELVAGEM (Wild at Heart, 1990), de David Lynch
[03]
UM PLANO SIMPLES (A Simple Plan, 1998), de Sam Raimi
[04]
O CAÇADOR DE PIPAS (The Kite Runner, 2007), de Marc Forster
[05]
REVELAÇÕES (The Human Stain, 2003), de Robert Benton
[06]
MENINOS DO BRASIL (The Boys from Brazil, 1978), de Franklin J. Schaffner
[07]
A COR PÚRPURA (The Color Purple, 1985), de Steven Spielberg
[08]
PERGUNTE AO PÓ (Ask the Dust, 2006), de Robert Towne
[09]
O NOME DA ROSA (Der Name der Rose, 1986), de Jean-Jacques Annaud
[10]
O DIÁRIO DE BRIDGET JONES (Bridget Jones’s Diary, 2001), de Sharon Maguire

No primeiro desafio do novo semestre, volto ao método tradicional no qual os participantes devem adivinhar qual é filme a partir de dez imagens capturadas deles mesmos. O jogo com as dicas voltará em breve, pois pretendo intercalar desafios dos dois tipos. O tema escolhido hoje, já utilizado anteriormente, são adaptações literárias, não importando a natureza do livro no qual foi baseado. Dicas serão postadas caso seja necessário. Boa sorte!

DICA #1 Scott B. Smith, Ira Levin, Philip Roth, Frank McCourt, John Fante
e Alice Walker estão entre os autores que originaram os filmes acima

DICA #2 filmes [06] e [09] já foram respondidos, só que em outas imagens

DICA #3 [09] foi dirigido por um francês, mas é quase todo falado em inglês

Ontem foi divulgado o primeiro trailer de The Informant! e juntamente com ele um cartaz que mostra muito bem o caráter cômico desse que é um dos longas que o diretor Steven Soderbergh lançará durante 2009 (o outro, como devem saber, é The Girlfrind Experience). Como o Hollywoodiano já comentou, a trama é baseada em acontecimentos reais do executivo Mark Whitacre (Matt Damon, que passou por uma transformação física), o qual se tornou informante do FBI. Todos nós esperamos que The Informant! seja mesmo inacreditável – no bom sentido. Na última semana, quando as primeiras imagens de Alice no País das Maravilhas foram divulgadas, fiquei bem impressionado com a visão que o Tim Burton está tendo daquele mundo mágico, em especial no que diz respeito à caracterização dos personagens. E o primeiro pôster do longa nada mais é do que uma repetição da foto com o Johnny Depp, ainda que seja interessante… Em seguida, está o curioso cartaz de Precious, um drama que já emocionou o público dos Festivais de Sundance e Cannes e é apontando como um possível candidato ao Oscar. A história traz nomes famosos como Mariah Carey e Lenny Kravitz, mas é Mo’Nique e a revelação Gabourey Sidibe que estão chamando a atenção da crítica (veja o trailer aqui). Por último, está o teaser de From Paris with Love, filme de ação de Pierre Morel (do bem sucedido Busca Implacável) e com o roteiro de Luc Besson. Protagonizado por John Travolta e Jonathan Rhys Meyers, estréia apenas em 2010. Mais pôsteres no IMP Awards.

[pôsteres 1]

[pôsteres 2]

Dublê de Anjo (Tarsem Singh, 2008)

Iniciando mais uma série do blog, resolvi homenagear algumas das mais belas sequências de títulos da história do cinema e da televisão, as quais de alguma forma são tão memoráveis como a obra em si. Hoje finalmente conferi Dublê de Anjo (também conhecido como The Fall) e sem dúvida foi o filme que inspirou o início dessa nova seção, visto que poucas vezes fiquei tão impressionado com a perfeita união de sons e imagens numa abertura. A impecável fotografia em preto-e-branco somada à Sinfonia nº 7 de Beethoven é apenas uma amostra de um belíssimo filme que está por vir, uma das experiências cinematográficas mais marcantes que tive recentemente. saiba mais no site The Art of the Title Sequence

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